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Invocando a quinta emenda.

Quarta-feira, 15.07.09

 

Minha manhã começava abrindo o micro que entrava direto em duas páginas: o conservador Estadão e o Quinta Emenda.
 
Parecia com isso que eu juntava simbolicamente minhas duas vidas que, goste eu ou não, sempre foram fracionadas. A leitura do Estadão era breve. Uma olhada rápida nas manchetes e uma leitura mais atenta de uma ou outra matéria.  A leitura do Quinta tinha outra característica. Mais do que informar-me – e era muito prazeroso informar-se sob a batuta de Juvêncio de Arruda – eu me lincava a essa vida belemense acionando a Quinta Emenda. Quem sabe um inconsciente desejo de sobreviver a Belém.
 
Há cerca de um ano eu gosto também de abrir pela manhã uma terceira página, o Espaço Aberto. Paulo Bemerguy é para mim o melhor jornalista de blogs que temos aqui. Não considero o Paulo um blogueiro. Blogueira sou eu. Ele é um jornalista que tem um blog. E por ser apenas blogueira, classifico com essa facilidade: há os que gosto de ler e os que leio, mesmo sem gostar.
 
Introduções à parte, comecei a escrever isto porque uma sensação muito forte tomou conta de mim ontem à noite. E, mais do que nunca, a quinta emenda da Constituição americana fez sentido.  Indispensável invocá-la no seu sentido estrito, quando agentes da administração cometem abuso de poder e arbitrariedades.
 
Desci às 21 horas na Praça da Bandeira e temi de forma quase incontrolável a escuridão e a solidão das ruas. Ali, qualquer ato de violência poderia ser cometido, sem proteção ou socorro.
 
Caminhando até a 16 de novembro, passei pelo CEPC, pelo prédio do TRE, pelo Corpo de Bombeiros. Tudo muito escuro. Com exceção dos Bombeiros onde havia iluminação interna.
 
A escola parecia uma edificação abandonada, daquelas que antecedem uma cena horripilante nos filmes de terror. Em frente ao TRE  há  uma armadilha para assaltos, que se preparada propositalmente não teria mo mesmo efeito. Criatividade insuspeitada está perdida por ali!.  Entre o portão do tribunal e a árvore há uma moita de plantas – sim, porque arranjo de plantas é outra coisa - favorecendo o esconder-se a qualquer mal intencionado e a surpresa do ataque para os desavisados.
 
A rua, mal iluminada, é problema da Prefeitura. Eu sei disso e o Ambrósio também. Mas, a que ponto da cidadania – ou da ausência dela – chegamos? Edifícios públicos que sequer iluminam suas entradas, contribuindo para a insegurança dos imbecis que lhes pagam, num momento de violência urbana crescente e devastadora?
 
Alguma alma virá talvez argumentar que  “ as instituições responsáveis estão fazendo economia de gastos, face à crise que assola o país etc. e tal” ou reforçar o argumento de que a iluminação pública é dever e obrigação da Prefeitura.
 
Mas não é obrigação maior então do TER, da direção do Instituto de Educação e do Corpo de Bombeiros exigir da administração pública que cumpra seu dever, mais do que os poucos moradores do entorno ou uma passante casual como eu?
 
Há tantos casos assim nesta Nova Déli.  Vou descrevê-los com mais dedicação. Uns dias aqui, outros ali .

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Adelina Braglia às 09:18


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