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Até sempre, Ronaldo Barata.

Quarta-feira, 27.05.09

 

Escrevo com a tristeza de perceber que meu blog, nos últimos dois anos, deeestina espaço ao necrológio de amigos.
 
Não vou ao velório do Ronaldo. Nós nos despedimos por telefone, quando lhe cobrei que resistisse e ele, com a voz já frágil e embargada, disse que tentava, mas que estava difícil.
 
Hoje ele descansou da impossibilidade de rir, de fumar, de contar fantásticas histórias dos anos dourados de Belém e dos anos de chumbo do Brasil. Desistiu de lutar contra a impossibilidade de retornar à luta, de distribuir ironias que embalavam esperanças.
 
Meu amigo Ronaldo Barata era um sonhador. Como são os sonhadores, perdia às vezes o link entre a vontade e a conseqüência.
 
Seus amigos conhecem histórias fantásticas de decisões suas, quando entre o legitimo e o legal, ele optava pelo primeiro, como defesa do direito e depois corria contra o tempo, em busca da legalidade.
 
Trabalhadores rurais, lideranças sindicais, comunitárias e políticas, tiveram em Ronaldo um companheiro de muitas das suas vitórias, derrotas e conquistas e abrigaram-se sob sua generosa visão de justiça. Os quilombolas do Pará, que demandavam reconhecimento de direito constitucional, encontraram no seu espírito libertário o abrigo exato para conquistarem o primeiro título de terra e o avanço do seu direito de propriedade.
 
Na nossa despedida, pelo telefone, frágil , mas sem abrir mão da ironia fina e amável, disse que jamais esquecera que eu era a única pessoa que o esculhambava com voz mansa. É com essa mesma voz, querido amigo, que espero que você ouça esse até sempre.
 
 

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Adelina Braglia às 08:49

2 comentários

De Wendell Gomes a 28.05.2009 às 16:57

Era 27/05 às 23:30 já meio sonolento e após fazer a minha filha Rute Esther dormir quando meu celular tocou e do outro lado da linha a pessoa me dava a triste noticia do falecimento do grande amigo e sonhador Ronaldo Barata.Fiquei por alguns instante sem o chão ou melhor sem a cama.A tristeza foi maior porque somente agora essa noticia chegou ao meu conhecimento, e não pude me despedir desse excelente combatente que foi o baratinha.Lembro agora das nossas viagens as comunidades quilombolas e recordo das suas açoes sempre em defesa desse sofrido povo, atuava no direito legitimo e depois pela sua experiencia e profissionalismo demonstrava o meio legal de reparar anos de injustiça. Ronaldo Barata na época do Programa Raízes, eramos surprendidos pelas suas visitas repetinas para discutir questão fundiária - era o que ele mais gostava, percebia ao meio da conversa que uma vez ou outra as palavra faltavam, mas como conhecedor poucas coisas e pessoas nesse mundo vazia o Ronaldo perder o raciocinio de um discurso. o Pará perde e nós ficamos órfãos de uma pessoa brilhante e digna que foi Ronaldo Barata. Nesse momentoé o que eu posso fazer, meus amigos não me avisaram dessa grande perda.

De Adelina Braglia a 28.05.2009 às 17:46

Wendell querido:

já nos falamos hoje. Desculpe a falta de informação. Mas, fique sereno: posso ouvir a risada dele vendo a nossa atribulação. Um abraço grande.

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