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O "exército" do Pará.

Domingo, 03.05.09

 

 

Sob o título “Pará tem “exército” de 15 mil sem-terras”, o Estadão de hoje dedica um espaço grande à avaliação da situação dos conflitos pela terra no sudeste do estado.
 
Cita as áreas de Daniel Dantas invadidas, mostra que o “exército” de sem-terras é recrutado entre os mais pobres nas periferias das cidades do entorno, afirma que há uma convulsão no campo incitada pelo MST, mas até mantém um link com a verdade – característica positiva deste jornalão conservador - ao informar que a Polícia Federal não encontrou armamento pesado entre os acampados. E, no correr do texto, sabemos também que as milícias privadas são muito maiores do que dizem os proprietários de terra e que além das milícias “legais”, contratadas em empresas do ramo, há a contribuição dos capangas, jagunços ou pistoleiros, como quisermos nomeá-los.
 
Chamando o Pará de ‘terra violenta” , aponta as estatísticas que nos destacam, de novo, como o estado mais conflituoso desta vã federação.
 
A favor da boa informação, faltou ao Estadão acrescentar umas coisinhas: 90% dos conflitos no Pará se dão em terras da União, expropriadas do estado na ditadura e jamais integralizadas ao patrimônio estadual. Pertencem à União, através dos seus diversos braços – INCRA, FUNAI, IBAMA, GPU, áreas militares - 70% do território do Pará.
 
Poderia dizer também que o estoque de terras federais, sob a jurisdição do INCRA é grande (beirando os 800 mil hectares) e que se houvesse um mínimo de interesse e ordenamento fundiário, não haveria mais nenhum acampamento ao longo das estradas.
 
Poderia ainda requentar uma antiga informação, por ser verdadeira, da falácia dos assentados pelo governo popular – vício criado no governo Fernando Henrique  e mantido pelo Governo Lula, assim como a política macroeconômica que nos esfacela como nação -, que nada mais são do que antiguíssimos assentados ou novos acampados que, pelo fato de passarem a faz parte das relações de beneficiários de créditos fundiários, integram a mentirosa estatística de famílias “assentadas” como se estivessem sendo colocados em novas áreas.
 
Outra informação interessante seria dizer que a proporção de pobres no Pará cresceu nos últimos dois anos, ainda que o governo do estado questione seu Instituto que divulgou e confirmou os resultados. E que o Pará tem um altíssimo nível de migração sendo um corredor natural entre o paupérrimo Maranhão e o nordeste da seca e o centro-sul maravilha. E que isso foi agravado pelos grandes projetos federais implantados a partir dos anos 70 do século passado – a rodovia Transamazônica, hidrelétrica de Tucuruí, o Projeto Ferro Carajás (sim, queridos e queridas, no tempo em que a CVRD era sustentada exclusivamente com o nosso dinheirinho) -  e pelos atuais projetos minerários da agora  VALE, além das recorrentes explosões de garimpos, menores que a da Serra Pelada, mas constantes.
 
Há ainda um outro fato omitido na matéria: a ação que o Governo do Pará move na Justiça, questionando a legitimidade da propriedade de duas das áreas de Daniel Dantas, esse fantástico empresário de bois. E que a Justiça, morosa para dar resposta a esta questão, não é nada morosa quando expede liminares a favor de supostos proprietários.
 
Que Santo Ambrósio proteja o Pará e seus viventes, antes dos semoventes.
 
 

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Adelina Braglia às 10:06


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