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O Brasil "mulatinho".

Segunda-feira, 15.09.08

 

A SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e apresentaram hoje, em Brasília, os primeiros resultados da pesquisa "Retrato das desigualdades de gênero e raça", que compara microdados Pnads 1996 e 2006.
 
Além de preparar um detalhado e inédito perfil da população brasileira a partir de recortes de gênero e raça/cor, este trabalho já organiza os dados mais recentes para compará-los com a Pnad 2007 que está será lançada nesta semana.
 
Veja alguns destaques do estudo.
 
Chefia de família
 
- aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres
- crescimento do número de famílias monoparentais masculinas
- crescimento das famílias formadas por casais com filhos chefiadas por mulheres
 
Educação
 
- os negros e negras estão menos presentes nas escolas, apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo bastante superiores.
 
Previdência e assistência social
 
- A cobertura é maior para homens idosos brancos e menor para mulheres negras ;
a grande maioria dos domicílios que recebem benefícios assistenciais é chefiada por negros.
 
Mercado de trabalho
 
- Mulheres ocupadas são mais escolarizadas que os homens ocupados;
- Negros trabalham mais e nas piores ocupações. Entram mais cedo no mercado e saem mais tarde.
- Meninos negros são as maiores vítimas do trabalho infantil
- Trabalho doméstico remunerado é, ainda, persistente e majoritariamente feminino, negro e informal (sem carteira assinada)
 
Habitação e saneamento
 
- Domicílios chefiados por negros aqueles que se encontram sempre em piores condições, têm menos água encanada, esgoto e coleta de lixo;
 
- Pobreza, distribuição e desigualdade de renda 
 
Nos últimos 12 anos, homens brancos perderam renda, enquanto mulheres e negros ganharam. Ainda assim, o rendimento dos homens brancos supera o de mulheres e negros.
 
A pobreza e a indigência negras são três vezes maiores que a pobreza e a indigência brancas (Pobre = quem sobrevive com até ½ do SM per capita por dia; Indigente = quem sobrevive com até ¼ do SM per capita por dia)


Fonte: Ipea/ Assessoria de Comunicação (13/09/2008)
Link relacionado
: http://www.ipea.gov.br
 

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Adelina Braglia às 20:22

1 comentário

De Ana Diniz a 21.09.2008 às 12:30

Por essas e outras que sou a favor da política de quotas, das terras para os quilombolas (mesmo de sétima geração), da política de seleção de talentos científicos, com direito a financiamento integral, inclusive para ajudar a família (o que ainda não existe), do desenvolvimento de cosmética valorizando a estética negra (em certos países da Africa, o cosmético mais procurado é o branqueador).
Costumo dizer, Bia, que só acreditarei estar numa democracia de verdade quando for a uma conferência de alto nível e tanto a platéia como a mesa principal tiverem distribuição equilibrada e natural de brancos e negros. Um dia destes fui num evento científico. Negros, só os que estavam no coral, cantando (porque negro bacana é o que diverte os brancos, não é?). O resto era branco ou moreno de pele clara. Nessa área, há tudo por fazer, ainda.
Abraço, Ana

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