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Ao Porto.

Sexta-feira, 22.08.08

 

Passeando pelo blog da Inês, aí ao lado, descobri que devo aos portugueses do Porto três das melhores coisas das minhas memórias de infância. Assim ela começou seu post:

 

“Além do vinho do Porto, das tripas, dos filetes de polvo com arroz do mesmo, das iscas de bacalhau da Ribeira, do arroz-doce, do culto das camélias, do cimbalino, da francesinha, do fino, do rock português (Chico Fininho de Rui Veloso), do cinema português (Aurélio Paz dos Reis (1862-1931), do liberalismo (1820) e da República (1891- 31 de Janeiro), o Porto inventou a noitada de S. João (...)”

   

E eu escrevo este para dizer que embora a Vila Madalena  - onde nasci e morei até os 25 anos - fosse fundamentalmente um bairro português, com algumas pinceladas de italianos e espanhóis, eu nunca havia pensado que devia aos portugueses do Porto tanta memória e doçura.

 

Agradeço o pé de camélias do quintal da madrinha, cujas flores tinham um cheiro doce que entrava narina adentro e que, embora parecendo suave tinha força a ponto de eu senti-lo do outro lado da rua, da janela do quarto da minha mãe.

 

Agradeço o cheiro bom do arroz-doce com raspas de limão e o gosto  que remanesce na boca pela vida afora,ainda que eu não o coma há anos. Ah! e agradeço muito a alegria das  festas de Santo Antônio,  de São João e de São Pedro.

 

Nessas festas as ruas da Vila ficavam coalhadas de fogueiras e os vizinhos traziam pratos de doces e salgados para as calçadas. As crianças e os jovens ensaiavam a dança da quadrilha semanas antes e os meninos pintavam a carvão no rosto o bigode que um dia presumiam poder ter. As meninas passavam batom, usavam fitas coloridas na cabeça e a grande disputa era a honra de ser a noiva do casamento. E o grande, o inenarrável crime que cometíamos era, nós, as crianças, bebericar escondidas na pia da cozinha da madrinha os restos de quentão deixados no fundo dos copos.

 

E agradeço, especialmente, ter acreditado por muito tempo, embalada pelo cheiro das camélias, pelo gosto do arroz-doce e pela alegria das quadrilhas, que era possível ser feliz como coisa permanente, para além daqueles cheiros e gostos e calor das fogueiras.

 

E ainda que eu conheça a maravilhoda gravação de Dulce Pontes, era Amália Rodrigues quem cantava nos quintais da minha infância.

  

 

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 02:49


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