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Um beijo, irmã querida.

Quarta-feira, 20.08.08

   

Meus irmãos são um orgulho que tenho. O irmão é comedido e contem nos seus dois metros a explosão de temperamento que a Rita vez em quando destampa.  E de vez em quando também ela me dá um susto. É bom, mas é susto! Ela se comporta no geral como moça bem educada que somos, mas, de repente, destampa-se!
 
Ela fez isso agora. E mandou me avisar nas linhas e entrelinhas de um e-mail lindo de chorar – a gente chora por coisas lindas, ela, eu e grande parte da humanidade – que ela também sente saudades, que sabe que eu sinto, mas que suas compotas de afeto precisam agora de outro sol que não o daqui  para não criarem bolor.  E atirou-as para cima para que se quebrem os vidros de tampas enferrujadas e liberem as maravilhas que guardavam. E lá vieram as compotas, a tampa e o vidro pra cima de mim...rsrsrs...
 
Curado o galo que ela fez na minha cabeça, somadas a autoridade falida de irmã mais velha e o egoísmo da saudade de tê-la longe, quase vacilei. Mas, como meu amor por ela é grande, é imenso, como no verso da melodia que a Maysa canta  
E porque o meu amor por você é imenso
É porque o meu amor por você é tão grande
É porque o meu amor por você é enorme 
demais 
e porque na música que ela tanto gosta há outro verso, que acabei de acrescentar lá em cima, junto do verso de Lorca,
 
Em frente, coração, sem medo da derrota.
Durar não é estar vivo.
Viver é outra coisa”
 
vim aqui declarar que eu aceito a distancia que ela nos impõe e que quando a saudade bater muito forte eu vou fechar os olhos e sentir o cheiro das geléias e compotas e bolos que ela sempre vai saber preparar e distribuir em colheradas, fatias ou imensos pedaços, de acordo com o mérito do freguês!
 
E vai aí pra ela a música que a Leila Pinheiro canta  sobre verdejantes tempos e mudanças nos ventos e sobre não desistir das nossas bandeiras e a sede de navegar.
 
Vai com letra e tudo, que ela gosta de cantarolar. E canta melhor do que eu.
 

Beijo, querida. 

 

 

Quem pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminhos, trincheiras da noite

Eu, que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país no meu coração
Um foco de luz, seduz a razão
De repente a visão da esperança
Quis esse sonhador
Aprendiz de tanto suor
Ser feliz num gesto de amor
Meu país acendeu a cor

Verde, as matas no olhar, ver de perto
Ver de novo um lugar, ver adiante
Sede de navegar, verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração.


 
 
 
 

 

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Adelina Braglia às 10:02

2 comentários

De Oswaldo, o irmão a 22.08.2008 às 12:51

Sabe irmã, é duro toda essa distância, um em São Paulo, outra em Mato Grosso e outra no Pará. Pra que tudo isso? Essa saudade sem tamanho, essa vontade de estar junto e sempre correndo para lados opostos?
Fico aqui matutando, lembrando de tudo que você disse sobre sabores e cheiros da juventude, será que a certeza de que nos amamos nos faz sentir que tudo é importante, menos isso?
Beijo grande e saudoso.
Teu irmão

De Adelina Braglia a 22.08.2008 às 16:10

Querido,

hoje,porciruntãncias que já quase são rotineiras - e, por isso eu não devia mais chamá-las de "circunstãncias" - concordo plenamente com você e não tenho respostas inteligentes para lhe dar. A única resposta é que há momentos em que essa saudade cultivada pela distãncia não faz nenhum sentido.

Beijo

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