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Estamos no jogo?

Quarta-feira, 23.07.08

 

Não há crise no Brasil. Nós somos a crise. Crise de ética, de decência, de moralidade pública, de valores como respeito e solidariedade. Somos também paspalhos apanhados na rede da inversão de valores. O tênis Nike, mesmo “pirata” tem mais importância do que o  livro. O tênis “piratex” é mais barato, inclusive, do que um livro. E a propaganda dele – do original, é claro – ocupa o horário nobre da TV.
 
Nós cevamos e colhemos a crise ética a partir da nossa casa, quando se faz um “gato” na rede de energia para baratear o custo do consumo doméstico ou comercial e quando se dá uma propina para o guarda de trânsito, ávido por recebe-la, e quando se rouba – é, é essa mesmo a palavra – um chicletinho da prateleira do supermercado.
 
Somos a crise quando nos portamos covardemente frente os abusos de toda ordem: engolimos a omissão e a conivência do poder local frente à apropriação do espaço público quando alguém invade o que é para todos com suas cadeiras de bar ou com a extensão da sua garagem para meio metro sobre a calçada, porque a bunda do seu carro novo é maior do que a garagem que tem.
 
Em qualquer pesquisa de opinião ou pesquisa eleitoral, mais da metade dos brasileiros diz que o que mais almeja é que a política de segurança pública contenha a violência urbana. Mas, a ânsia pelo funcionamento da assistência à saúde também alcança patamares assustadores, especialmente nas camadas pobres da população.
 
A ânsia por segurança é mais o clamor da classe alta e média, macaquinha, imitando os mais ricos, blindando seu carrinho, erguendo o muro da casa, colocando cerca elétrica ou pagando a duras penas uma segurança particular no seu edifício. E que só se assustou quando o assalto bateu à porta, ou quando a bala perdida o acertou na rua.
 
As pessoas no Brasil se matam pelos motivos mais banais e fúteis. Mas a polícia mata mais do que os bandidos. A maior parte dos crimes é contra o patrimônio e por isso a turma do andar de cima anda desesperada apelando contra a insegurança pública. De novo tem razão. A lei determina que o patrimônio é inviolável, salvo o patrimônio público!
 
O problema é que se rouba muito neste país, certamente seguindo o exemplo dos do andar de cima, que corrompem, traficam, contrabandeiam, se elegem ou elegem representantes e se perpetuam na história do país como seres  honestos, porque morrem antes que a Justiça  cega, surda e convenientemente paralítica se mova para puni-los.
 
É claro  que esta classe média chinfrim merece viver em paz. Todos merecem. Mas o destaque à violência é sempre maior nos jornais ou nas TVs do que o estado pecário dos postos de saúde abandonados, dos hospitais e pronto-socorros sucateados, dos depósitos de medicamentos vazios, que só são manchete quando alguém faz a desfaçatez de morrer na porta das unidades de saúde ou nas filas do SUS.
 
Não há Justiça no Brasil, ainda que alguns juristas tentem injetar-lhe morfina para prolongar a agonia de uma instituição corrompida e cartorial. Se a Constituição Federal determina que a saúde é dever do Estado e direito do cidadão, a principal tarefa dos Ministérios Públicos seria acionar as secretarias municipais e estaduais e o Ministério da saúde. Em última instancia processar prefeitos, governadores e presidente da República.
 
É óbvio que ainda há resquícios de preservação da espécie humana neste país. Poucos políticos, algumas instituições, organizações não governamentais e pessoas lutam todos os dias para não serem derrotados pelos pequenos canalhas. E eles estão em toda parte.
 
Os pequenos e grandes canalhas estão a nossa volta, num cerco que se forma há décadas e do qual tentamos nos libertar a cada eleição. Formado por um Presidente que diz não saber nada sobre a lama que escorre nos dutos do seu governo, por ministros cínicos que disputam o estrelato na mídia como pretendentes à carreira artística querendo alguns minutos de fama, por governadores (as) afogados na corrupção e na incompetência, prefeitos (as) respondendo processos por improbidade administrativa, vereadores, deputados e senadores com mandatos manchados pela corrupção e alguns pela violência explícita do crime organizado, o cerco parece se fechar cada vez mais.
 
Mas, se os meninos da periferia jogam bola por uma Tubaína, será que a gente não enfrenta esse jogo por cidadania? Estamos no jogo?
 
 

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Adelina Braglia às 23:02


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