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Dia Nacional do Cinismo. Ou da Hipocrisia. Ou da Mentira 2.

Domingo, 27.04.08

 

 
Dia Nacional da Empregada Doméstica.
 
Eu não sabia que esse dia existia. Assim como não sabia que já inventaram o Dia da Avó (25 de julho!), este, certamente, festejado pelo comércio, por impingir compras em mais uma data “comemorativa”.
 
A notícia mostra parte da realidade das empregadas domésticas no Brasil, das “escravas modernas”, que só na década de 70 tiveram algum direito trabalhista reconhecido.
 
A analogia me levou à discussão candente neste momento aqui no Pará, sobre a conceituação de trabalho escravo ou trabalho em condições análogas à escravidão que os que praticam a má-fé como religião argumentam que não está muito bem definido, pois estas condições variam de região para região do país, etc. e tal. Lamento informa-los que o Código Penal vale para todo o território nacional e é muito claro nessa definição!
 
Numa audiência pública na Assembléia Legislativa, convocada pelo deputado Arnaldo Jordy, do PPS – ferrenho combatente desta forma terrível de servidão – uma pessoa justificou o fato de não haver alojamentos nas fazendas porque os trabalhadores locais “preferem dormir em redes”. Certamente, se avançassem na discussão destes quesitos, ela diria também que não há necessidade de fornecer alimentação ou implantar refeitórios, porque os trabalhadores da região apreciam peixe e carne de caça. Daí que se dirijam ao rio ou às matas e supram sua alimentação, pois não?
 
Condição de trabalho escravo ou “em condições análogas à escravidão” ainda se aplica às empregadas domésticas em muitas casas desta Belém do Grão Pará. São meninas trazidas do interior “para estudar” e submetidas a jornadas extensas de 12 ou 14 horas de trabalho, dormindo nos quartinhos onde é também o depósito de vassouras e baldes da casa, comendo muitas vezes a sobra da refeição da Casa Grande. Sem direito à escola, é óbvio.
 
Penso que o grande problema brasileiro está enraizado na colonial cordialidade com que matamos e homenageamos. Ou vice-versa.
 
Não falta muito e algum cínico instituirá o “Dia do Trabalhador Escravo”.
 
Música, maestro!
 

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Adelina Braglia às 20:59


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