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Soberanos bentevis.

Sábado, 22.09.12

 

Soberania - Manoel de Barros

 

"Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi."

 

 

Beijo, irmã.

 

 

 

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Adelina Braglia às 07:06

Música para o domingo.

Sábado, 08.09.12

 

 

 


 

 

 

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Guarda-mangas?

Sábado, 08.09.12

 

 

A rainha Elizabeth tem guarda-chuva apropriado aos seus chapéus e à sua majestade. Penso em comprar um para nossas chuvas.

 

 

Dizem que resiste a ventos de 60 km. Mas será que resiste a uma manga caindo na cabeça quando o vento vem antes da chuva em Belém?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 08:15

Sobrevivendo.

Sexta-feira, 07.09.12

 

Não há farol no fim  do mundo. E quem disse que o mundo tem fim, mentiu.

 

Não se acabará em dias de fogo e trovões. Nem  em guerras nucleares.

 

Porque cada mundo particular encontra formas estranhas de sobreviver.

 

 

 

Não há dor que sempre dure, nem bem que nunca se acabe.

 

Cresci ouvindo isto e acreditando.

 

Porém, há uma dor que nunca se acaba.

 

Muda de forma, exige novas estratégias, mas está  sempre, sempre presente.

 

É a dor do outro.

 

 

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