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Memória do gato, memórias da dor.

Segunda-feira, 16.05.11

 

Tenho duas gatas idosas (Catarina, 11 anos e Juliana, 9 anos). As duas levam vida mansa, tranqüila, sem desacertos.

 

Há pouco mais de um ano albergou-se conosco um gato de rua que adotou nossa casa e em janeiro fez parte da nossa mudança de endereço, após o conselho familiar decidir que era melhor afastá-lo do Bosque Rodrigues Alves, onde gostava de passar as noites e as madrugadas, do que deixá-lo à deriva.

 

Ele é extravagante, cheio de hábitos. Tem horários rígidos para comer. Quando há algum atraso, se põe a miar estridentemente, reclamando o café da manhã, o almoço, o jantar e, se possível, uma merenda no meio da tarde. Ele come compulsivamente, embora saiba, neste ano e pouco, que comida não lhe faltará. Quando o vejo assim aflito, devorando a ração como se ela fosse a última da sua vida, penso na memória da fome.

 

Penso que nós, os bem alimentados da vida, não temos noção do que ela é. Assim como nós, os “brancos por natureza”, não temos memória da cor ou da dor dela.

 

Não. Não considero adequado o início deste post para chegar aonde cheguei agora. Poderia ter começado com resumos dos estudos e análises que li ao longo dos anos sobre discriminação, racismo e preconceito. Mas, não foi assim que minha lógica funcionou. Funcionou a partir da memória da fome do gato e, talvez por ser assim, doméstica e simples, doeu como se eu tivesse alguma noção real da memória da dor da cor.

 

 

 

 

 

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Papai Noel já não existia em abril de 1964.

Segunda-feira, 02.05.11

 

Uma busca em pastas antigas à cata de um documento idem,  acabou me levando a um túnrl do tempo de volta ao passado. Algumas fotos e panfletos da campanha para vereadora em 1982. Uma foto bem anterior, onde estou com a mãe e a  irmã numa festa de aniversário, da qual a  única coisa que me lembro é que ali começou meu trauma com comidas agridoces.

 

Alguns “documentos” inexplicáveis:  um carne de 1975, referente à compra de  um fogão de quatro bocas. Notas fiscais de 1986! Na  quarta pasta achei o que buscava – meu diploma!!! – mas continuei  bisbilhotando meu passado em mais algumas.

 

Na pasta onde guardo alguns documentos do meu pai, encontrei uma  Folha de São Paulo, de uma quarta-feira, 8 de abril de 1964. O motivo que levou meu pai a guardá-la está na  manchete da pagina 6 : Câmara Federal aprova Projeto de Reforma Agrária.  Na página 7, o Ministro do Trabalho Arnaldo Sussekind afirma que “o governo e os chefes militares não pensam em qualquer medida para anular direitos sociais dos trabalhadores”.

 

Naquele ano, 1964, eu já não acreditava em Papai Noel.

 

 

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