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Alguns comemoram, eu relembro.

Quarta-feira, 31.03.10

 

A “ditabranda” da Folha de São Paulo comemora seu aniversário hoje.



Eu não comemoro.

 

Relembro o assassinato e o desaparecimento de brasileiros.

 

Como a do meu amigo. 

 

 

José Montenegro de Lima!

 

Presente!

 

 

 

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O sustentável peso de ser.

Domingo, 28.03.10

 

 

 

Em 28 de março de 1941, Virgínia Woolf encheu de pedras os bolsos do seu casaco e mergulhou no rio Ouse. Punha fim à angustiante convivência consigo, reconhecendo que nem o amor incondicional era capaz de mante-la atada à vida.

 

Quando eu tinha dezoito anos, descobri que Virgínia chamava-se Adeline Virginia Stephen Woolf. Adelina, como minha avó paterna e eu. O primeiro livro dela que li foi Orlando. Ao invés de interessar-me pelo tema que gerara o livro,  lembro que fiquei fascinada pela Turquia! À época, não percebia o amor dela por Vita-Sackville West, que só fui entender anos depois, quando li “Retratos de um casamento”, livro de Nigel Nicholson, filho de Vita. Li Orlando apenas como uma maravilhosa fábula que discutia o papel restrito da mulher em Londres, no período em que foi escrito. Oh! Céus!

 

Virgínia Woolf foi minha primeira percepção de que há pessoas em quem a camisa de força da vida não cabe, e, às vezes, é insuportável.  E que a única coisa que nos mantém vivos é a nossa capacidade de resistir à angústia, tenha ela a forma que tiver. E a perseverança de viver, enquanto queremos. E, se é isso que queremos.

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Um instante de fúria. Ou mais um capítulo da hipocrisia brasileira.

Quarta-feira, 24.03.10

24 de março de 2010

FUTEBOL NACIONAL

Vagner Love vai evitar favela

Para fugir de novas confusões, o atacante Vagner Love deve participar cada vez menos das festas da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. O jogador do Flamengo, que aparece em um vídeo gravado na comunidade sendo escoltado por traficantes armados com fuzis, disse ontem à polícia que não tem qualquer relação com os criminosos e que vai evitar participar dos bailes no local.

Love foi convidado pelos investigadores da 15ª Delegacia de Polícia a prestar esclarecimentos como testemunha de um inquérito que apura os crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas na comunidade.

O atacante também negou que tenha recebido proteção de traficantes, mas admitiu que a presença dele ao lado de bandidos armados “não é uma coisa positiva. Estou arrependido”.

Vagner Love está confirmado na partida do Flamengo contra o Tigre, às 19h30 de hoje, no Engenhão, pelo Campeonato Carioca.

 

 

 

Alvo de pressões espúrias, da imprensa e dos lídimos representantes da “sociedade” o jogador do Flamengo, Vagner Love, acabou declarando que deixará de freqüentar e de conviver com sua família e com seus amigos.

 

Vagner assume assim uma culpa que jamais teve. A culpa de ser brasileiro, negro, pobre, morador da favela, que ascendeu “socialmente” e agora deve incorporar o cinismo e a hipocrisia reinantes nesse país e renunciar à convivência com os seus. Como Vagner não nasceu em Ipanema ou nos Jardins, em São Paulo, onde poderia privar da saudável convivência com filhos de juízes e de políticos, além de decidir, sob pressão, a evitar a convivência com a sua gente, o jogador também está convocado a prestar esclarecimentos à polícia, após ser filmado em um baile funk na Rocinha “escoltado” por traficantes da favela.

 

Não resisto à pergunta: quantos mais serão convocados a prestar esclarecimentos à polícia - ainda que não tenham sido filmados - por suas ligações públicas e notórias com traficantes, corruptos e responsáveis pelo desvio de dinheiro público?

 

Ou isso não é um péssimo exemplo para a juventude?

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E os bárbaros não chegaram.

Sábado, 13.03.10

 

Dois fatos marcaram a semana com o ápice da nossa barbárie: o assassinato de um menino desconhecido de onze anos em Marabá e o assassinato de Glauco, o cartunista.
 
O crime contra o menino teve requintes de barbárie sem perdão ou sofisticação. Ele foi amarrado, amordaçado e posto sobre os trilhos do trem, onde foi esmagado. Ninguém sabe, ninguém viu.
 
A notícia do jornal dava duas informações: ele era suspeito de dois crimes e sua mãe fez um suposto reconhecimento – pelo desaparecimento – de pedaços e pastas de carne e sangue.
 
Glauco  e o filho foram vítimas de um jovem amigo da família, freqüentador da igreja que o cartunista mantinha na chácara onde morava. Todos classe média, famílias aparentemente estruturada.
 
Para eles e para as vítimas inominadas da violência policial, da violência como instrumento de revanche, de loucura  ou da crueldade cotidiana que brota na sociedade brasileira como o ovo da serpente, repito Kavafis:
 
 
Porque esperamos, reunidos na praça?
Hoje devem chegar os bárbaros.

Porque reina a indolência no Senado?
Que fazem os senadores, sentados sem legislar?

É porque hoje vão chegar os bárbaros.
Que hão-de fazer os senadores?
Quando chegarem, os bárbaros farão as leis.

Porque se levantou o Imperador tão de madrugada
e que faz sentado à porta da cidade,
no seu trono, solene, levando a coroa?

É porque hoje vão chegar os bárbaros.
E o imperador prepara-se para receber o chefe.
Preparou até um pergaminho para lhe oferecer, onde pôs
muitos títulos e nomes honoríficos.

Porque é que os nossos cônsules, e também os pretores,
hoje saem com togas vermelhas bordadas?
Porquê essas pulseiras com tantos ametistas
e esses anéis com esmeraldas resplandecentes?
Porque empunham hoje bastões tão preciosos
tão trabalhados a prata e ouro?

Hoje vão chegar os bárbaros,
e estas coisas deslumbram os bárbaros.

Porque não vêm, com sempre, os ilustres oradores
a fazer-nos seus discursos, dizendo o que têm para nos dizer?

Hoje vão chegar os bárbaros;
e, a eles, aborrece-os os discursos e a retórica.

E que vem a ser esta repentina inquietação, esta desordem?
(Que caras tão sérias tem hoje o povo.)
Porque é que as ruas e as praças vão ficando vazias
e regressam todos, tão pensativos, a suas casas?

É porque anoiteceu e os bárbaros não vieram.
E da fronteira chegou gente
dizendo que os bárbaros já não vêm.

E agora que será de nós sem bárbaros?
De certo modo, essa gente era uma solução.
(À espera dos bárbaros – Konstantin Kavafis)
 
 

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Adelina Braglia às 10:19

Cuba libre ou vodka com água tônica? Um emblema nostálgico?

Quinta-feira, 11.03.10

 

Un muerto y, ¿después?
 
 
Orlando Zapata Tamayo tenía 42 años. Miembro del Directorio Democrático Cubano, una organización civil ilegal, fue arrestado en 2003 y condenado por “desorden público”. En protesta por las condiciones de su detención, estaba en huelga de hambre desde hacía 80 días; murió el 23 de febrero de 2010.
Orlando Zapata Tamayo fue encarcelado el mismo año que el “grupo de los 75”, número de disidentes, periodistas y activistas en favor de la democracia y de los derechos humanos arrestados en una ola de represión conocida como “Primavera negra”. Nuestro corresponsal, Ricardo González Alfonso, es uno de los 19 periodistas que aún en prisión, que fueron detenidos en esta época.
 
 Un muerto. Y 200 prisioneros políticos. La voluntad de apertura de Raúl Castro al comienzo de la sucesión dinástica fue bien anunciada. Los acercamientos diplomáticos, la firma de dos pactos de la ONU sobre los derechos civiles y políticos, el levantamiento de las sanciones políticas de la Unión Europea, el retorno al diálogo con Washington tras la investidura de Barack Obama, los signos parecían prometedores tras años de política de aislamiento encarnada por un embargo absurdo, injusto para los cubanos, pero útil para el régimen.
 
 Mientras que las autoridades de La Habana se movilizan al máximo por cinco de sus funcionarios detenidos en Estados Unidos, tras haberles olvidado durante nueve años, los prisioneros de la isla esperan… o mueren. Unos bajo el merecido título de “héroes”; otros, bajo el oprobio de “contrarrevolucionarios”. Así, una tiranía agonizante que precipita su caída sin honor. Primer y no único escándalo.
 
 El otro escándalo es el silencio, de la complacencia. Más grave aún: aquellos mismos que combatían la dictadura en su país, no encuentran aparentemente nada a decir sobre lo que le pasa a Cuba desde hace 50 años. En Cancún, México, América Latina intentó establecer una organización interregional más allá de la tutela de Estados Unidos que tanto mal le ha hecho. Es afortunado y deseable, la democracia latinoamericana avanza en la búsqueda de una unidad, toma cuerpo en una verdadera alternancia electoral, la reconquista de recursos largo tiempo usurpados, pero también el examen de un pasado doloroso. En Argentina, Bolivia, Uruguay, incluso en Brasil, encontramos archivos de otras épocas dictatoriales. En dondequiera se condena el golpe de Estado en Honduras, su legalización por un sufragio dudoso, la represión desatada contra los periodistas de oposición y los defensores de los derechos humanos. Ahora, a este grupo de países latinos, Cuba se suma sin rendir cuentas. Peor aún, nadie se las reclama.
  
La democracia marca ciertas pautas, pero una curiosa excepción dispensa a Cuba de ellos. Los dirigentes cubanos tomaron el poder por la fuerza, nunca fueron elegidos. Cierto, derrocaron una dictadura y dieron a luz una “revolución”. La palabra es un argumento y parece bastarse a sí misma. Por otra parte, América Latina, donde se celebran ahora revoluciones por las urnas y las libertades fundamentales se adquieren integralmente, la contradicción es evidente, pero el símbolo cubano impone no decir nada. Nada de los prisioneros políticos. Nada de la represión contra las opiniones disidentes o una información plural. Nada de las prohibiciones de salir del territorio.
  
Sindicalista y víctima de los militares en el pasado, el presidente brasileño Lula, ¿no tiene realmente nada que decir cuando un opositor cubano muere en prisión? Él podría. Debería. Pero en Cuba, tratándose de la “revolución”, se prohíben todas las injerencias y se autorizan todas las hipocresías. La liturgia del régimen hace el resto. Criticar el Estado cubano y su funcionamiento es insultar el país y se convierte en una maniobra emprendida por Estados Unidos.
 
 Denunciar la encarcelación Ricardo González Alfonso o la muerte de Orlando Zapata Tamayo, es defender a “un mercenario del imperio” que quería reescribir la historia de Bahía de Cochinos. Otorgar el prestigioso premio español Ortega y Gasset, a la bloguera cubana Yoani Sánchez, es urdir un complot motivado por la nostalgia colonial. Preguntar cuándo los cubanos podrán al fin elegir a sus dirigentes, es olvidar que Gran Bretaña y Suecia son monarquías. Irrisoria mala fe de un régimen que no puede más que insultar para defenderse o invertir el estigma para reivindicarse. Un régimen a veces atacado de mala manera y defendido por malas razones. Víctima de esos mismos que creían conjurar el fin.
   
Como si el país debiera desaparecer al mismo tiempo que su actual Consejo de Estado. Sin embargo, la evidencia está allí. Habrá Cuba después de Castro, y habrá que contar con los disidentes de ayer. El país rendirá el homenaje que merece a Orlando Zapata Tamayo.
 
Jean-François Julliard, Secretario General de Reporteros sin Fronteras
Benoît Hervieu, despacho de las Américas de Reporteros sin Fronteras

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Adelina Braglia às 08:49

Um “choque de realidade” ou rendição à falência institucional?

Segunda-feira, 08.03.10

 

 

A pergunta é pra valer.
 
Eu não soube respondê-la hoje ao ler o noticiário.
 
A nota abaixo é parte da reportagem do Estadão on line, relatando os avanços das obras do teleférico que atravessará o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a exemplo do que foi feito sobre as favelas de Medellin, na Colômbia.
 
 
TRANSFORMAÇÕES

As transformações no Complexo do Alemão começaram a ocorrer depois da operação policial de junho de 2007, quando articulações começaram a ser feitas para evitar novos traumas no local que é considerado o QG do Comando Vermelho no Rio. Entusiasmado com a visita que havia feito em março do mesmo ano a Medellín, o governador Sérgio Cabral (PMDB) definiu que o Alemão receberia teleféricos semelhantes aos colombianos. Engenheiros passaram a viajar para aprender na Colômbia a tecnologia e a operação desse meio de transporte.

Para que as obras andassem, no entanto, assim como em Medellín, era preciso contar com a pacificação dos conflitos na região. Um fato importante ocorrido em novembro de 2007 facilitou o processo. O Morro do Adeus, que vai dar lugar a outra estação de teleférico e era dominado pelos traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), foi tomado pelo Comando Vermelho, que assumiu o controle do Alemão. Como na cidade colombiana, a hegemonia de uma facção arrefeceu a violência.

"Cheguei a temer que a rivalidade entre as facções pudesse tornar inviável o funcionamento do teleférico, já que o transporte cruzaria um território dividido", diz Wagner Nicacio, o Bororó, líder comunitário da Grota, uma das comunidades do Alemão. "Agora que só uma facção comanda os morros, a situação acalmou. Nunca vivemos período tão tranquilo."

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Adelina Braglia às 06:20

Para quase todas as mulheres do mundo.

Segunda-feira, 08.03.10

 

 

 

 

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

 

 

(Com licença poética - Adélia Prado)

 

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Adelina Braglia às 00:35

Cante, cante, caro Johnny.

Quinta-feira, 04.03.10

Johnny Alf morreu hoje, aos 80 anos, depois de lutar bravamente contra um cancer.

 

Um silêncio surdo se fez na memória de um feliz pedaço da minha juventude.

 

 

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