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Meus desejos em 2010.

Quinta-feira, 31.12.09

 

Desejo muitos bons desejos a quem bem me deseja. Aos outros, uma vida nada breve, para que se livrem de tantas mesquinharias, antes que a vida lhes pese.
 
Desejo para a Bia um ano feliz e cheio de brincadeiras. Com abraços e beijos dos que a amam transbordando tanto que ela possa distribuí-los a quem nãos os têm.
 
Aos meus filhos - inclusive a "postiça"...rsrsrs...e a ex-nora...rsrsrs...- que percorram seus caminhos em paz. Especialmente consigo mesmos.
 
Aos meus irmãos - um único, mas essencial  homem,  para deixar  esse plural de quatro maravilhosas mulheres politicamente incorreto ...rsrsrs...-  que a nossa proximidade, em breve,  seja longa e intensa para gastarmos tanto amor que ficou retido por muitos anos de separação.
 
À companheira, que esteja feliz, enquanto quiser me acompanhar.
 
Para os meus amigos, desejo que não mudem. Foi assim que aprendi  a admirá-los, a amá-los e a sentir sempre saudades. Longe ou perto.
 
 
Ao Brasil, que um dia seja um país, uma nação. O que é muito diferente de um ajuntamento de interesses e um abandono de necessidades e direitos.
 
 
Para mim? Que tudo isto se realize!
 
Axé, 2010!
 

 

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Um pouco de anarquia também...

Quinta-feira, 31.12.09

 

 

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Adelina Braglia às 06:38

Muitos abrações em 2010.

Quinta-feira, 31.12.09

 

 

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Adelina Braglia às 06:25

Voltar sobre os pés. (*)

Terça-feira, 29.12.09

 

 

Voltar sobre os próprios pés,
eis o que me proponho agora.
Talvez, com algum esforço, possa dizer quem volta.
Somados o tempo e descontado um breve intervalo,
trinta anos mais velha.
Trinta sonhos a menos.
Trinta quilos a mais. Ai!!!
 
Trinta dias que se reproduziram à exaustão entre risos, angústias  e uma atávica solidão acompanhada.
Trinta ou mais caminhos percorridos.
 
Bem menos do que trinta amigos,  escolhidos.
Talvez amigos, mesmo, daqueles que se leva para uma ilha,
sejam meia dúzia de três ou quatro.
 
Sou mais e melhor do que quando cheguei
ainda que o preço seja carregar um estranho oco no peito.
Para sempre.
 
Como fotografias pregadas na parede da memória
levarei imagens de por-de-sol,
de travessias de rios em barcos pequenos e grandes.
As pescarias no Araguaia, os banhos no rio Tocantins.
 

Algumas luas cheias noites afora,

umas cá, outras mata adentro,

cercada de palavras sábias e risos ingênuos.

Se é que se pode chamar de ingênua a dura malícia de sobreviver que eles têm.

Algumas paisagens áridas: estradas empoeiradas.

Por elas achava levar esperanças,
essa mercadoria fugaz, mas indispensável,
para fazer alguém feliz por alguns momentos.
 
Algumas “convicções”  esquerdistas 
 - e, por conseqüência – burras
 ficaram pelas vicinais e em alguns rios e igarapés.
E, espero sinceramente, que ninguém as tenha recolhido.
Se bem que, com algum discernimento, o miolo delas talvez prestasse para alguma coisa.
Acender fogueiras, por exemplo.
 
Do bolso da algibeira que nunca tive
caíram também alguns recados para mim mesma.
Estes, se foram encontrados, não serviram  para nada, nem a ninguém.
 
Voltar sobre os  pés.
Não recolher pedaços nem restos.
Massageá-los, vez em quando, para que suportem meu peso e o das minhas memórias.
 
 
 
(*) agradeço ao Alencar a expressão, que originalmente é "votar nos pés".
 
Música incidental: Lenha, Zeca Baleiro.

 

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Um Ano Novo para velhos sonhos.

Segunda-feira, 28.12.09

 

 

RECEITA DE ANO NOVO
 
 
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
 
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
 
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
 
 
Carlos Drummond de Andrade

 

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Adelina Braglia às 18:04

Feliz Natal.

Segunda-feira, 21.12.09

 

Organiza o Natal (Carlos Drummond de Andrade)
 
 
Alguém observou que cada vez mais o ano se compõe de 10 meses; imperfeitamente embora, o resto é Natal. É possível que, com o tempo, essa divisão se inverta: 10 meses de Natal e 2 meses de ano vulgarmente dito. E não parece absurdo imaginar que, pelo desenvolvimento da linha, e pela melhoria do homem, o ano inteiro se converta em Natal, abolindo-se a era civil, com suas obrigações enfadonhas ou malignas. Será bom.
 
Então nos amaremos e nos desejaremos felicidades ininterruptamente, de manhã à noite, de uma rua a outra, de continente a continente, de cortina de ferro à cortina de nylon — sem cortinas. Governo e oposição, neutros, super e subdesenvolvidos, marcianos, bichos, plantas entrarão em regime de fraternidade. Os objetos se impregnarão de espírito natalino, e veremos o desenho animado, reino da crueldade, transposto para o reino do amor: a máquina de lavar roupa abraçada ao flamboyant, núpcias da flauta e do ovo, a betoneira com o sagüi ou com o vestido de baile. E o supra-realismo, justificado espiritualmente, será uma chave para o mundo.
 
Completado o ciclo histórico, os bens serão repartidos por si mesmos entre nossos irmãos, isto é, com todos os viventes e elementos da terra, água, ar e alma. Não haverá mais cartas de cobrança, de descompostura nem de suicídio. O correio só transportará correspondência gentil, de preferência postais de Chagall, em que noivos e burrinhos circulam na atmosfera, pastando flores; toda pintura, inclusive o borrão, estará a serviço do entendimento afetuoso. A crítica de arte se dissolverá jovialmente, a menos que prefira tomar a forma de um sininho cristalino, a badalar sem erudição nem pretensão, celebrando o Advento.
 
A poesia escrita se identificará com o perfume das moitas antes do amanhecer, despojando-se do uso do som. Para que livros? perguntará um anjo e, sorrindo, mostrará a terra impressa com as tintas do sol e das galáxias, aberta à maneira de um livro.
 
A música permanecerá a mesma, tal qual Palestrina e Mozart a deixaram; equívocos e divertimentos musicais serão arquivados, sem humilhação para ninguém.
 
Com economia para os povos desaparecerão suavemente classes armadas e semi-armadas, repartições arrecadadoras, polícia e fiscais de toda espécie. Uma palavra será descoberta no dicionário: paz.
 
O trabalho deixará de ser imposição para constituir o sentido natural da vida, sob a jurisdição desses incansáveis trabalhadores, que são os lírios do campo. Salário de cada um: a alegria que tiver merecido. Nem juntas de conciliação nem tribunais de justiça, pois tudo estará conciliado na ordem do amor.
 
Todo mundo se rirá do dinheiro e das arcas que o guardavam, e que passarão a depósito de doces, para visitas. Haverá dois jardins para cada habitante, um exterior, outro interior, comunicando-se por um atalho invisível.
 
A morte não será procurada nem esquivada, e o homem compreenderá a existência da noite, como já compreendera a da manhã.
 
O mundo será administrado exclusivamente pelas crianças, e elas farão o que bem entenderem das restantes instituições caducas, a Universidade inclusive.
 
E será Natal para sempre.

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Dois coelhos (Amazonas e Pará) e uma enorme cajadada (do Alencar).

Quinta-feira, 17.12.09

 

 
Quem tiver passado por Manaus nos últimos quinze anos, em momentos diversos, acompanhou a notável melhoria da capital amazonense. Eu, por motivos variados - profissionais e de lazer - tenho vivido essa experiência. E a cada volta noto essa melhoria.
 
Como no mesmo período, apesar dos esforços, Belém não conseguiu a mesma façanha, penso ter utilidade fazer algumas comparações e reflexões.
 
Manaus tinha conseguido resolver o problema do comércio de rua, que desgraça Belém, tornando-a uma cidade, para ser complacente, com um centro (downtown, como dizem os guias de viagem) medíocre. Em Manaus o problema está voltando, nas imediações do porto principalmente, que está mais ou menos como a calçada em frente ao Seminário Teológico Batista Equatorial daqui de Belém (para quem não consegue mais ler o letreiro ou dele não se lembra, fica ao lado do Shopping Castanheira, na saída - ou entrada - da cidade que já foi a Metrópole da Amazônia, embora o saudoso Juvêncio Arruda, no seu vivíssimo Quinta Emenda, registre outro apodo, Merdópolis). Nesse quesito as duas estão empatadas ou empatando. Pior para as duas.
 
Alguns anos atrás, quando Manaus começou a concentrar a população do Amazonas, teve quem fizesse cara de horror. Atualmente, Manaus concentra cerca de 51% da população do Amazonas e Belém tem apenas algo como 19% da população do Pará. Desse simples dado puramente demográfico resulta uma consequência política importante, pois o eleitorado varia na ordem direta da população (os eleitores correspondem mais ou menos a metade da população total). Vai daí que Manaus tem um peso político relativo - em termos eleitorais pelo menos - 2,7 vezes maior que o de Belém, e isso faz uma grande diferença. Assim, o que parecia um problema - a concentração da população do Amazonas em Manaus - tornou-se uma solução. E que solução. Concentrando a população em Manaus, graças ao sucesso do Polo Industrial - o único que vingou da Zona Franca de Manaus, pois o Polo Agropecuário e a Zona Franca propriamente são quase virtuais - a pressão sobre o bioma amazônico no Amazonas é mínima, comparado com o que acontece no Pará. Dir-se-á que é uma solução artificial e dependente exclusivamente do Polo Industrial, o que é verdade. Quando o Polo Industrial gripa - como agora, na crise - Manaus tem pneumonia. Por isso o empenho sincero e quase desesperado de todos em favor da manutenção da Zona Franca e a aposta na Copa do Mundo, da qual resultaria, acredita-se, um impulso definitivo para o turismo - que está alguns furos acima do Pará - o que seria uma alternativa para a dependência excessiva do Polo Industrial. Manaus pretende seguir os passos de Barcelona e fazer o seu próprio revival, como nos bons e áureos tempos da borracha, a bonanza cauchera que deixou suas marcas em Iquitos, Manaus e Belém.
 
Com poder político, Manaus é, efetivamente, uma capital, de população já maior que Belém (1,7 milhão daquela contra 1,5 desta). Capital deriva de caput, capitis (terceira declinação). Caput quer dizer a extremidade superior ou mais importante de alguma coisa. Assim, capital é uma cidade superior ou mais importante dentre outras, com capacidade de liderar, dirigir, conduzir, apontar rumos, pensar. Manaus tem essa capacidade. Belém tinha, mas está perdendo, tornando-se uma cidade sem cabeça, descabeçada, desmiolada mesmo, e os exemplos disso são cotidianos, estão à vista de qualquer um que tenha olhos para ver e não se dê à demagogia ou ao populismo. Não espanta, pois, que sua liderança seja contestada a Sul e a Oeste do Estado, não sem razão. Manaus é hegemônica e sua liderença não sofre contestações ou impugnações. Por isso mesmo enquanto o Pará enfrenta dois movimentos secessionistas no Amazonas isso simplesmente não é tema que ocupe ou preocupe ninguém
 
O orçamento geral do Estado do Pará para este ano de 2009, que está terminando, é de exatos R$10.859.396.377,00. O do Amazonas é, para este mesmo ano, R$8.016.719.000,00.
 
Considerando as respectivas populações (7,4 milhões de habitantes para o Pará e 3,4 milhões de habitantes para o Amazonas), tem-se que a receita pública do Pará é R$1.461,36 por habitante/ano , enquanto a do Amazonas é R$2.399,43 por habitante/ano.
 
O Produto Interno Bruto - PIB per capita do Amazonas é R$13.043,00 e o do Pará é R$7.007,00. Os números são eloquentes.
 
Comparado com o do Pará, o governo do Amazonas dispõe de 64% a mais de recursos públicos para gastar com cada um de seus 3,3 milhões de habitantes. Não é de espantar que as escolas de Tabatinga estejam bem pintadas, tenham jardins bem cuidados, os seus alunos usem uniformes com as marcas de um programa estadual (aliás, a SEDUC do Amazonas é de educação e qualidade do ensino) e os barcos para transporte escolar sejam encontrados com muita frequência ao longo do rio Solimões. Os recursos são bastante e suficientes para cuidar bem de Manaus - a cidade está construindo seu décimo elevado, enquanto Belém tem apenas um e meio e mais aquela coisa ali no Entroncamento - e o cobertor não fica curto para atender também a metade da população do Estado que vive nos demais Municípios.
 
O PIB per capita do Amazonas é 86% maior que o do Pará, o que não é pouca coisa. E os resultados disso não podem ser negligenciados, embora isso não signifique que o Amazonas é um mar de rosa. Mas significa que o Pará está bem mais empobrecido que o Amazonas.
 
Não espanta, assim, a desenvoltura do governo do Amazonas em certos temas, inclusive os relacionados ao desenvolvimento sustentável. Vis-à-vis, enquanto o Amazonas tem a seu dispor um elenco de soluções para seus problemas, o Pará tem um elenco de problemas a desafiar soluções, cada vez mais impossíveis enquanto se mantiver essas relações adversas (baixa receita pública per capita e baixo PIB per capita).
 
Para agravar essas comparações adversas ao Pará, este tem ainda a seu desfavor um modelo neoextrativista centrado em minérios destinados ao mercado externo, que gera escassos efeitos econômicos internos - e abundantes efeitos social e ambientalmente adversos - enquanto no Amazonas nem mesmo a extração de madeira produz os mesmos efeitos adversos e o gás de Urucú é em boa parte destinado ao mercado interno e isso gera efeitos econômicos positivos.
 
Também por isso não espanta que sucessivos governos paraenses não consigam encontrar soluções para os graves problemas do Pará e que estes dados aqui mostrados sejam cuidadosamente evitados por todos os candidados, nas épocas eleitorais, e pelos governantes, depois delas.
 
O resultado disso tudo é que os paraenses nos tornamos prisioneiros da nostalgia e da esperança, renovadas a cada dois anos nas eleições gerais e municipais, quando o marketing eleitoral nos oferece soluções. Mágicas, pois não enfrentam o problema do raquitismo da receita pública e da pobreza do PIB per capita. Não por acaso temos um marketing político muito bem sucedido e premiado. E o orçamento apenas da Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado (62,7 milhões de reais) representa quase 0,6% da despesa pública total (a Constituição do Estado limita esses gastos ao máximo de 1% da respectiva dotação orçamentária de cada Poder).
 
Ao que parecem indicar esses números, romper com a nostalgia e com a esperança - e com a apatia - é o primeiro passo a dar se quisermos mesmo começar a resolver os problemas nossos, sem precisar esticar olhos compridos para o vizinho Amazonas, com ele aprendendo a transformar problemas em soluções.
 

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Adelina Braglia às 04:44

Axé, Pará! Axé, Simão Jatene!

Segunda-feira, 14.12.09

 

 

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Adelina Braglia às 08:23

Doces ou travessuras? Petróleo ou panetone?

Sábado, 12.12.09

 

No dia 15 de novembro passado, o Governo do Pará, através da sua agência de notícias, brindou-nos com a seguinte informação (em péssima redação):
 
‘Ajudar o Governo do Pará a elevar sua receita orçamentária em R$ 200 milhões e a reduzir suas despesas correntes em R$ 74 milhões em um período de até 12 meses. Isso, sem elevar a carga tributária e sem alterar qualitativa ou quantitativamente os serviços prestados à população. Esses são os principais objetivos do Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP), idealizado e desenvolvido pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) cuja meta é modernizar a gestão e eficiência, otimizando a produtividade de empresas e órgãos públicos de maneira sustentável.
 
O MBC é uma ONG, legalizadíssima e registradíssima no Ministério da Justiça,  presidida pelo competentíssimo (sem ironia) empresário Jorge Gerdau Johannpeter.
 
Em julho, passado, no 7º Congresso Internacional Brasil Competitivo reuniram-se representantes de diferentes estados brasileiros num debate que teve como pano de fundo quais os desafios da gestão pública para o Brasil.
 
Estavam presentes os governadores Eduardo Campos (PE), Jaques Wagner (BA), José Roberto Arruda (DF), Marcelo Déda (SE) e Paulo Hartung (ES),  além de Erik Camarano, Secretário do Governo do Rio Grande do Sul que representou a atual governadora Yeda Crusius, unindo o PSB, o PT e o PSDB nesta “cruzada”.  
 
O MBC foi a ONG beneficiária  do maior contrato privado da Petrobrás, em 2008: 16 milhões.
 
Estamos no bom caminho. Ou achamos petróleo ou abrimos uma fábrica de panetones.
Talvez a suposta antecipação de receita da VALE para o Governo do Pará, para cobrir o caixa para pagamento dos salários de dezembro e 13º, deve ter sido uma primeira sugestão deste choque de gestão. Ou é criatividade local?

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Adelina Braglia às 09:18

Perguntas pra Yemanjá.

Terça-feira, 08.12.09

 

Um poema de Geir Campos retrata a nossa trajetória republicana, ainda que não sejamos uma República. Nem uma democracia.
 
Jamais, em nenhum momento da nossa história houve um governo que obedecesse a simplória definição de governo da maioria, ou do povo para o povo. Os bandos se repartem entre os que acham que sabem o que o povo deseja e necessita e os que estão se lixando pra isso.
 
Amanheci  hoje lamentando profundamente todas as mortes dos patriotas que julgavam estar fazendo a história avançar. De Zumbi a Carlos Lamarca. De José Montenegro de Lima a Gabriel Pimenta. De Paulo Fontelles e João Carlos Batista. Lamento também a morte silenciosa e abandonada de Carolina de Jesus.
 
Achamos que a democracia foi conquistada porque nossos irmãos, filhos, maridos, irmãs e companheiras não morrem mais nos porões da ditadura. Ou porque não há nenhum general de plantão. Não há mais Herzogs e parece que isso nos basta.
 
A mim, não. Estivessem vivos ou vivido um tempo além do assassinato, e estaríamos melhor., Detesto heróis. Talvez tanto quanto assassinos.
 
Alguns de nós até acham que milhões de analfabetos, de famintos, de brasileiros aquém de qualquer conceito de cidadania ou de civilidade são uns ingratos! Não reconhecem nosso heroísmo! Não cultuam nossas biografias, nem nos homenageiam nas praças com estátuas de corpo inteiro ou bustos. Mas parecem esquecer-se de que a política mais “altaneira” ainda se faz nos versos de Geir.
 
Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
 
 
Não haverá jamais o tempo dos frutos doces? Ou tratos impossíveis de serem cumpridos porque nunca foram feitos? Quando a gente exausta poderá ser apenas gente?
 
Quando será a hora de cuspir?
 
Saravá, Yemanjá.

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Adelina Braglia às 12:53


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