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Saúde, Ministra.

Segunda-feira, 27.04.09

 

A ministra Dilma Rousseff, cercada pela equipe  de especialistas do Hospital Sírio Libanês, sem disfarçar sua peculiar impaciência, anunciou que fez uma cirurgia para retirar um tumor linfático, etc. e tal. Os médicos garantiram o êxito da cirurgia e a excelente possibilidade de cura de 90%.
 
Correto o que a ministra fez, ao não deixar que se criasse expectativas errôneas ou se disseminasse mentiras sobre o seu estado de saúde. Porém, uma recomendação feita por ela – que era importante pelo seu exemplo, que todos fizessem exames de rotina ou coisa assim – que cabe bem e é simpática em atrizes que não tem compromisso direto com a estrutura de saúde pública no país, eu não consegui deglutir.
 
A “recomendação” da ministra, para um marciano que caiu ontem cá neste planeta, dará a impressão que o problema do nosso povo, no que se refere à própria saúde, é o ralaxamento, o descaso, ou algo semelhante. Não saberá, o nosso marciano que a moça que tentava ser afável entre seu autoritarismo e rasgos de  presunção de dona do caminho da verdade e da luz,  é diretamente responsável por apoiar a melhoria dos indicadores de saúde deste país. Nosso marciano não saberá que o Brasil é o campeão mundial de incidência de câncer de colo de útero, que vitima milhões de mulheres ano a ano.
 
Esta doença tem probabilidades ainda mais otimistas de cura do que a da ministra: a doença tem 94% de chances de cura quando diagnosticada cedo. E para disgnosticá-la cedo, basta um rotineiro exame anual: a colpocitologia.
 
Assim, cara ministra Dilma, desejando-lhe franca e rápida recuperação, confiando, eu também, na competência da  equipe  do Hospital Sírio Libanês que a assiste, solicito-lhe que na longa sobrevida que terá, que apóie, estimule e financie com recursos ordinários e extraordinários do seu Governo o combate ao câncer de colo uterino que vitima especialmente mulheres pobres deste Brasil. Após o aparelhamento dos postos de saúde, dos hospitais públicos e prontos socorros, aí sim, ministra, caberá seu tom aborrecido de recomendação.
 
Saúde, Ministra.

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Páscoa.

Domingo, 12.04.09

 

Apesar de ateu confesso meu pai comemorava a Páscoa como poucos cristãos.

 
O almoço era previamente organizado. Comida boa, farta e bonita. Os ovos de chocolate eram imprescindíveis. Na minha infância, o Natal era a Páscoa.

 
Curiosa com o que me parecia extremamente contraditório – a comemoração máxima dos católicos e sua descrença na igreja – perguntei a ele a razão daquela comemoração.

 
Contou-me o pai que, cuja infância paupérrima eu conhecia, que num domingo de Páscoa, quando tinha 6 ou 7 anos, amanheceram ele a avó com um único pedaço de pão amanhecido e nada mais. O avô já havia morrido – morreu com 21 anos meu avô – e eram apenas os dois. Dividiram o pão, sem ter como complementar a refeição. E desde esse dia ele jurou pra si que quando crescesse, casasse e tivesse filhos, a Páscoa seria sempre uma festa.

 
Eu segui a mesma trilha. O domingo de Páscoa é importante para mim. Não lembro, é verdade, do sentido da ressurreição, mas lembro sempre do pai. E penso quantas crianças passam o dia de hoje como ele o passou há quase cem anos.

 
E, apesar da alegria de fazer o almoço de Páscoa, de lembrá-lo sempre altivo e generoso, o chocolate deixa sempre um gosto doce amargo na boca.
 

 

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