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Mangueira!

Terça-feira, 24.02.09

 

 

...sem Jamelão, mas sempre  Mangueira!

 

 

 

 Agenciaestado

 

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Tudo é carnaval...

Segunda-feira, 23.02.09

 

 

 

Solidariedade

 

por Tutty Vasques, Seção: Sociedade 00:02:47.
 
 

Luiza Brunet, a exuberância da mulher descasada em pessoa, ficou desse jeito depois que se separou do marido argentino.

 

 

O que mais a gente poderia dizer pra dar uma força a Marta Suplicy neste Carnaval?

 

 

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Adelina Braglia às 06:39

Milk. Ainda que tarde a igualdade.

Sábado, 21.02.09

 

 

 

 

 

Milk, a voz da igualdade, estréia no Brasil cercado de expectativa em torno da história de Harvey Milk, o primeiro parlamentar americano – num cargo equivalente ao dos nossos vereadores - a assumir publicamente sua homossexualidade, a morar com seu companheiro e a ser um ativista com mandato explícito contra a discriminação sexual, na década de 70, no século passado. Isso, no século passado, para que se perceba melhor sua coragem há 40 anos.
 
A luta de Milk incluia o direito dos homossexuais lecionarem nas escolas, um direito geral de cidadania, luta que às vezes ficou submersa pelos paetês e pelas gargantilhas cor-de-rosa que a imprensa destacava no movimento gay daquele período. E, ainda hoje.
 
A perseguição no trabalho, a discriminação na sociedade, e, muitas vezes, na família e na vizinhança, estão presentes e fazem vítimas todos os dias. Vítimas da crueldade física – é superior à média o índice de crimes cujas vítimas são homossexuais, sem esclarecimentos das polícias – e moral.
 
Harvey Milk foi assassinado em 1978, ao lado do prefeito de Nova York, George Moscone, também homossexual.. O motivo? Oficialmente um adversário estava enraivecido pela sua vitória eleitoral, em detrimento da própria derrota.
 
Os elogios a Sean Penn pelo desempenho como Milk asseguram que Penn revive sem imitar.
 
Minha reflexão é curta. Rasa. Direitos coletivos serão sempre frágeis enquanto direitos considerados hipocritamente como “seletivos” forem negados.
 
 

 

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Adelina Braglia às 20:52

Um dia qualquer.

Sábado, 21.02.09

 

 

 

Amortecidas pelo desconforto permanente, as pessoas viajam sem abrir as janelas do ônibus, ainda que a chuva tenha parado.
 
O abafamento mistura os cheiros de perfume barato, roupas molhadas e  suor do trabalho. Um cheiro insuportável de vida real.
 
Tento esconder-me nos pensamentos ou na paisagem úmida da janela. Mas uma criança senta-se ao meu lado e no colo da mãe, chora.
 
Seu choro é um misto de birra e sono. A mãe parece não ouvi-la, mais imersa do que eu nos próprios pensamentos.
 
Distraio--me agora imaginando onde e como moram. E ao dedicar-me a isso, o choro da criança é apenas a música de fundo de uma vida sem glórias.
 
Localizo-as- mãe e filha – numa das muitas ruas da periferia que conheço. Um beco sem asfalto, mal iluminado, onde o lixo dorme na entrada da rua.
 
Casas mistas, de alvenaria e madeira. Mais madeira do que alvenaria.
 
Quem sabe moram na baixada, onde a estiva tem por baixo a água suja,  o “chão de estrelas” do samba do tempo em que a favela era “lírica” para os bem postos na vida.
 
Deve haver quatro ou cinco cachorros pela rua e quando elas chegarem ele vão latir muito. Cães da rua latem por tudo e para todos. Quem sabe mais dois ou três garotos. Com fome. Esperando a mãe trazer a comida que faltou no almoço.
 
Mergulhada nesse texto, não vi quando desceram. E me senti muito mal. Como se de repente me apercebesse de que a minha solidariedade está tão nublada pelo hábito de conviver com o sofrimento alheio a ponto de transformá-lo em ficção.
 
 

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Antes que o tema volte pra mesa da sala...

Quarta-feira, 18.02.09

 

Encoberta pela crise econômica e pelos debates que ela encerra, a PEC da redução da maioridade penal vai seguindo seu caminho no Congresso Nacional. Não demorará muito para entrar em votação.

Para ler, reler, discutir e refletir.

 

 

 

Aumentar a maioridade penal é consagrar o genocídio juvenil 

 

Não é nem coisa de se recorrer às estatísticas numa hora dessas. Se estivermos abertos a enxergar o que se passa ao nosso redor, facilmente compreenderemos que a proposta de redução da maioridade penal tem embutida em seu bojo o desejo de enterrar vivos os filhos e os netos da classe trabalhadora. O desejo de excluir. De se livrar dessa gente indesejável.  

Todos os que queremos saber, sabemos como são as condições carcerárias brasileiras. Os que queremos saber, sabemos que só os pobres vão para o sistema penitenciário. Os ricos não cumprem pena embora cometam crimes tão hediondos e cruéis quanto os pobres. No nosso país há até a vergonhosa “prisão especial”, um privilegio para criminosos que “têm o nível superior”, ou seja cursaram uma faculdade. Para estas pessoas há um tratamento especial... afinal, elas estudaram e por isso merecem uma pena mais leve, em ambiente digno deles.  

Recentemente, se fez toda uma onda sobre “crimes hediondos”. Será que queimar índio em Brasília não é crime hediondo? Ou matar pai e mãe numa casa chique nos Jardins de São Paulo não é crime hediondo? Ou matar a mulher por ciúme não é barbaridade? E o que é afogar colega calouro em piscina de universidade? E quanto a dar ordem para matar sem-terra que caminham em busca de resposta para suas reivindicações? E vender sentenças judiciais para livrar a cara de bandidos, não é crime hediondo?  

Como vivem hoje estes criminosos? Estão atrás das grades como certamente estariam se fossem pobres?  

Por tudo isso, podemos constatar que a proposta de redução da maioridade penal não tem como objetivo combater a violência. Tem como objetivo se livrar dos pobres. 

Os jornais do último final de semana de abril trouxeram dados sobre a maioridade penal no mundo. Isso funciona para fazer cabeça. A história mostra que os países menos desenvolvidos sempre buscaram imitar os mais desenvolvidos. Os da Europa Central, há 100 anos, queriam ser iguais aos do Norte. O Japão queria ser igual á Europa e a Europa Ocidental no pós-45 copiar os Estados Unidos.  

Aqui, na terrinha, já se desejou ser França. Hoje deseja-se ser EUA. Portanto, este argumento de que em outros países funciona assim ou assado, pega. Se nos Estados Unidos a idade penal varia de 7 a 14 anos, por que aqui tem-se de esperar até os 18? Esta vai ser a pergunta ouvida em tudo que é esquina. 

Os mesmos jornais que apontavam apenas Colômbia, Costa Rica, Equador e Venezuela com idade penal de 18 anos; não falavam que na França, por exemplo, a maioridade penal é de 18 anos e que na Inglaterra, a maioridade penal é de vinte e um anos para crimes comuns, de acordo com o advogado criminalista, Luiz Augusto Coutinho. (http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4218 

Agora, se quisermos nos ater às estatísticas, podemos citar artigo do desembargador Siro Darlan, no qual ele afirma que de acordo com “os índices oficiais não chegam a 2% os atos violentos atribuídos aos jovens, e que o Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro constatou que eles são agentes de violência num percentual de 9,8% contra 91,2% onde são vítimas.” (http://www.tj.rj.gov.br/, em 28.4.07). 

E só para terminar. Há mesmo países onde a maioridade penal seja de sete anos de idade. Será que este fato não nos deveria levar a uma reflexão profunda sobre o tipo de sociedade em que estamos inseridos? “Será que estamos todos cegos?”, como afirma o escritor português José Saramago, no filme Janela da Alma. “Nunca vivemos tanto a caverna de Platão como hoje. As imagens substituem a realidade. Estamos todos cegos da razão e da sensibilidade. Nos tornamos agressivos, egoístas, violentos, num mundo desigual e de sofrimento”. 

 

 

* Cláudia Santiago é jornalista da CUT/RJ e integra a coordenação do Núcleo Piratininga de Comunicação.
 

 

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Adelina Braglia às 14:29

Pará, terra de direitos (*).

Domingo, 15.02.09

 

 

 

 
 
O balanço é da Ouvidoria do Sistema de Segurança Pública (SSP) do Pará: em 2008 foram registradas cerca de 800 denúncias de violações dos direitos humanos praticados por policiais militares, com destaque para casos de tortura, prevaricação, abuso de autoridade e execuções sumárias. São 38 casos de homicídios e 75 de tortura. Entre as vítimas, como era de se esperar, jovens e adolescentes pobres das periferias da capital e das principais cidades do interior. É esta juventude cada vez mais criminalizada que virou o alvo predileto da brutalidade policial, de um lado, e de outro, caiu nas malhas da crescente atuação das quadrilhas de narcotraficantes.
Em janeiro, sob o impacto de uma política de maior endurecimento das ações da PM, houve um notável crescimento das ocorrências, com mais mortes sendo agregadas à essa estatística sangrenta.
Nada como uma lufada de realidade para turbar as oníricas imagens da propaganda oficial.
 
Postado por Aldenor Jr
(Página Crítica, aí ao lado)
 
(*) slogan do governo do estado do Pará
 
 
 
 
 

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Adelina Braglia às 08:25

Max Martins: 1926-2009.

Terça-feira, 10.02.09

 

 

 

Saltimbanco 

 

O não mais espumoso vinho dos abismos
O cauterizado testemunho de um instante de beleza:
O ritmo do oceano
O palco
e a metade da cama para o falso poema
O saltimbanco

Ou o sangramento
da perda de um deus a cada assalto
O cadafalso
O semidestroçado frêmito de um destino cego de antemão
O não mais aceito rito do ofício O ofício:
esta rasura do corpo sendo esquecido
O esquecimento
O desabitado segredo das palavras.

 

 

 

O escritor e poeta Max Martins, paraense, morreu ontem.

 

Estamos mais pobres.

 

 

(Foto e poema: Cult Pará, aí ao lado)

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Adelina Braglia às 16:48

Um dia, eu vou.

Domingo, 08.02.09

 

 

Nunca fui entusiasta do Brasil varonil. Aqui, sobre as florestas, praias, clima maravilhoso, solo fértil, etc e tal, sempre pairou a enorme sombra de homens, mulheres e crianças sem direito à vida. Vida, aquela coisa que se imagina traga embutida a dignidade de viver. Brasileiros e brasileiras – homenagem a Sir Ney, novíssimo presidente do Senado - filhos de um país estruturado na escravidão e cevado até nossos dias na discriminação racial, econômica, social, de gênero.
 
Dom Lula delicia-se com o que os brasileiros e brasileiras pensam que ele é: o salvador da pátria.  Tenho certeza que hoje orgulha-se de ter desmentido Patativa do Assaré: a esmola não mata mais de vergonha o cidadão. E de ter traquinado sua enorme popularidade entre extremos: Bolsa Família para a boiada e lucros estratosféricos para os banqueiros. O andar de cima e o porão estão gostosamente satisfeitos. E eu, cá no meio, ainda que usufruindo dos meus privilégios de ter sobrevido ao primeiro ano de vida, de ter estudado até o terceiro grau, de jamais ter estado desempregada, de ter como pagar mensalmente meu aluguel, a comida, a roupa que visto, a INTERNET a que tenho acesso diário, não quero mais compor a boiada nacional.
 
Irmão da Guatemala, da Suazilândia, da República Centro-Africana, Serra Leoa, Botsuana, Lesoto, Namíbia, em concentração de renda, para “resolver” filosoficamente a questão, dividimo-nos em miseráveis, muito pobres, quase-pobres, pobres, a classe média (rsrsrs...que esta não quer perder seu lugar), quase-ricos, ricos e muito ricos. Esta é a verdadeira escola de samba da avenida brasileira.  Mas nada disso oculta o que somos: um país onde a passagem de séculos apenas piora a concentração da riqueza pois no século XVIII, 10% mais ricos concentravam 68% e em 2008,  10% detém 73,4%.
 
Um Brasil onde o instituto oficial de pesquisa (IPEA) informa que “... Na contramão do equilíbrio fiscal pretendido por qualquer nação civilizada, no Brasil os pobres chegam a pagar 44,5% a mais de impostos do que os ricos (...) O economista (Márcio Pochmann) sugere que os ricos tenham uma tributação exclusiva, para conter esse regime de desigualdade, por meio de uma reforma tributária que calcule a contribuição de cada brasileiro conforme sua classe social.”
 
Mas, a reforma tributária e a reforma política não são prioridades no país da popularidade e nem o foram quando éramos o arremêdo da Sorbonne. Ao invés disto, o Supremo Tribunal Federal coonesta que esses mesmos ricos serão sempre abençoados pelas letras e alíneas da Justiça e os pobres serão vítimas do seu “rigor”.
 
Ah! não vou embora apenas porque não posso. Ainda. Mas quero ir, já que aqui minha alma vive à deriva da paz. Assim, canto para mim, no Brasil de 2009, a mesma canção de 1973. Sem reparos. Porque o cálice continua tinto de sangue. Não mais das torturas da ditadura, mas do sangue feito em suor pelo trabalho mal remunerado ou pelas mortes prematuras da desnutrição infantil ou da insana violência urbana. Porque continua ser muito difícil acordar calada por ser inútil falar entre surdos. E porque a força bruta da miséria e da ignorância remanescem. Sempre. E, porque acredito que o mundo não é pequeno.
 
 
 
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada pra a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa

De muito gorda a porca já não anda
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, pai, abrir a porta
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade
Mesmo calado o peito, resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade

Talvez o mundo não seja pequeno
Nem seja a vida um fato consumado
Quero inventar o meu próprio pecado
Quero morrer do meu próprio veneno
Quero perder de vez tua cabeça
Minha cabeça perder teu juízo
Quero cheirar fumaça de óleo diesel
Me embriagar até que alguém me esqueça.
 
 
 
 
(Cálice – Chico Buarque e Gilberto Gil)

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A volta do velho senhor.

Terça-feira, 03.02.09

 

"Nenhum senador – nenhum – foi à tribuna do Senado para defender a candidatura do senador José Sarney (PMDB) à presidência da Casa.
As ausências dos votantes em Sarney (acima na foto da Agência Senado, cumprimentando seu adversário Tião Viana) foi tão notória, tão constrangedora, tão visível, tão clamorosa que o senador Cristovam Buarque não desperdiçou a oportunidade de fazer uma ironia: “Daqui a pouco, vou pedir para falar em defesa do senador, porque seus aliados não comparecem para defender sua candidatura."
Ninguém se iluda: a vergonha impediu que senadores assomassem à tribuna para defender a candidatura Sarney.
Vergonha por quê?
Por estarem apoiando Sarney, ora essa.
Porque o apoio a Sarney suscita mesmo vergonha. Ou vergonhas.
Sarney representa um Brasil do passado.
Representa o caciquismo despido de quaisquer veleidades intelectuais.
Representa o baronato que impera nas políticas provincianas.
Representa as circunstâncias aliadas aos interesses – ou os interesses às circunstâncias, como vocês queiram – que menos se afinam aos interesses do País.
Representa o coronelismo nada esclarecido – ou esclarecido à custa da lábia, da lisura, da demagogia renitente e resistente.
Representa a submissão do Congresso ao Palácio do Planalto. E sob Sarney, o Congresso seria subserviente a quem estivesse no Palácio do Planalto – qualquer um.
Sarney é tudo isso.
O Senado, pela maioria de seus membros, sentiu-se envergonhado de externar claramente, sem peias, sem constrangimentos, seu apoio a Sarney.
Mas apoiou Sarney no refúgio aconchegante da votação secreta, no refúgio aconchegante do silêncio.
José Sarney, presidente do Senado da República.
O Senado merece o Sarney que tem.
O Brasil, não.
Não merece nem Sarney, nem este Senado que o elegeu seu presidente."

 

(Do Blog Espaço Aberto, lincado ao lado)

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