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Vamos aprender a ler...

Quinta-feira, 30.10.08

A música costuma responder a todas as ansiedades. Pelos menos , às minhas.

 

Relendo o resultado da eleição, não só em Belém, mas em boa parte desse país, a canção de Roberto Mendes dá o toque no refrão. :  vamos aprender a ler...  

 

 

 

 

Maria Bethânia - Yá yá Massemba

 

 

 

"Que noite mais funda calunga
No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas
Compasso de um coração de pássaro
No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito
Káwo-kabiesile-káwo
Okê-arô-okê

Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar no seu terreiro
Êpa raio, machado e trovão
Êpa justiça de guerreiro

Ê semba ê ê samba ah
O batuque das ondas
Nas noites mais longas
Me ensinou a cantar

Ê semba ê ê samba ah
Dor é o lugar mais fundo
É o umbigo do mundo
É o fundo do mar
Ê semba ê ê samba ah
No balanço das ondas okê arô
Me ensinou a bater seu tambor
Ê semba ê ê samba ah
No escuro porão eu vi o clarão
Do giro do mundo

Que noite mais funda calunga
No porão de um navio negreiro
Que viagem mais longa candonga
Ouvindo o batuque das ondas
Compasso de um coração de pássaro
No fundo do cativeiro
É o semba do mundo calunga
Batendo samba em meu peito
Káwo-kabiesile-káwo
Okê-arô-okê

Quem me pariu foi o ventre de um navio
Quem me ouviu foi o vento no vazio
Do ventre escuro de um porão
Vou baixar no seu terreiro
Êpa raio, machado e trovão
Êpa justiça de guerreiro

Ê semba ê ê samba ah
Ê céu que cobriu nas noites de frio
Minha solidão

Ê semba ê ê samba ah
É oceano sem fim, sem amor, sem irmão
Ê káwo quero ser seu tambor

Ê semba ê ê samba ah
Eu faço a lua brilhar o esplendor e clarão
Luar de luanda em meu coração

Umbigo da cor, abrigo da dor,
A primeira umbigada é massemba yayá
Yayá massemba é o samba que dá

Ô aprender a ler
Pra ensinar meus camaradas
Vou aprender a ler
Pra ensinar meus camaradas
... prender a ler
Pra ensinar meus camaradas
Vou aprender a ler
Pra ensinar meus camaradas
Que noite mais funda calunga... "
 
(Massemba - Roberto Mendes)

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Adelina Braglia às 08:59

Ana é mais do que um nome.

Quarta-feira, 29.10.08

 

 

O texto é do Blog da Ana Diniz, aí ao lado. Eu não assino embaixo. Assino aqui. Logo na "cabeça".  Obrigada Ana. O rosto do rapaz ficou impresso na minha cabeça. E o silêncio da reportagem arranhou a minha consciência. Mais do que a morte da menina, confesso. Porque, como você bem esclareceu, ela foi morta por um criminoso com ou sem atenuantes. Ele foi espancado pelo  Estado, através dos seus agentes, que deveriam ser o melhor exemplo de combate à barbárie.

 

 

 

"A garota está morta, e o namorado – bem, o namorado está de cara inchada de tanto apanhar. Mas o repórter, o apresentador – ninguém fala nisso.

 


Durante e depois do caso, pessoas escreviam nos chats e comentavam na rua: “porque a polícia não usa um atirador de elite e mata ele logo?”

 


Essa pergunta é reveladora. Matar logo. Está ameaçando, deve ser morto. Mas deve?

 


Todas as pesquisas de opinião já feitas no Brasil são contra a pena de morte. Mas as pessoas pedem morte para criminosos – bandidos ou, como o rapaz, um criminoso eventual – com naturalidade: “porque a polícia não mata logo?”

 


Circula na rede um conjunto de slides chamado “sequestro na China”, em que um “negociador” mata um sequestrador a sangue frio. Os comentários são entusiasmados.
Outras perguntas e afirmações: “cadê os direitos humanos da garota?”; “agora, o pessoal dos direitos humanos vai proteger o assassino”. “Cara inchada é pouco. Deviam era dar muito nele”.

 


Pena de morte após um processo judicial regular, não pode; a polícia matar, pode. O que existe por detrás dessa ambivalência?

 


Eu não tenho muitas ilusões sobre a nobreza do ser humano, mas acredito que ninguém quer voltar à barbárie. Então vou tratar dessas perguntas – e da cara inchada do rapaz.
A primeira confusão é quanto “ao pessoal dos direitos humanos”.

 

 

O principal antagonista deste “pessoal” é uma certa quantidade de policiais que acha simples e fácil justificar o que não faz culpando “esse pessoal”. Um dia destes, uma amiga minha sofreu um seqüestro relâmpago e, como sempre, a polícia acabou prendendo o menor “laranja”. O delegado mandou as vítimas (eram duas) procederem à identificação do preso cara a cara com ele; fez com que o menor fosse espancado; depois, despachou todos para a delegacia da criança e do adolescente, dizendo que “vou mandar, mas não vai adiantar, porque tem uma juíza aí que vive passando a mão na cabeça desses pivetes”.

 

 

Agora vamos ver o que o delegado tinha por obrigação fazer e não fez:
- ele não fez periciar o local do crime, nem o automóvel, nem os óculos que um dos ladrões deixou cair; aliás, ele sequer foi ao local;
- ele não relacionou testemunhas – havia mais de dez – para o inquérito;
- ele não ofereceu às vítimas o banco de imagens, para identificação dos bandidos adultos;
- ele não protegeu as vítimas de uma desforra futura, mas obrigou-as à situação de constrangimento;
- ele não mandou fazer e nem fez qualquer busca na sua jurisdição.

 


A culpa é da juíza que apenas quer que se cumpra a lei relativa aos menores? Quando um policial bate, ou manda bater num detido ou preso, está-se nivelando a ele, está respondendo com simples violência a violência cometida. Não há satisfação justa para a vítima, nisso: há, tão somente, barbárie. E nenhum trabalho profissional, policial. Saem da delegacia a vítima e o criminoso, mandados para outro lugar: pronto, livrou-se desses. Se os bandidos fossem presos, não haveria prova alguma contra eles, a não ser o depoimento das vítimas – que poderiam ou não identificá-los, porque o trauma de um seqüestro impede segurança na identificação. E isto graças à atuação do delegado – e não ao “pessoal dos direitos humanos”.

 


A segunda confusão é quanto a “atirador de elite”. Um tiro de precisão é algo tão difícil que, nas Olimpíadas, nos campeonatos de tiro ao alvo – com tranqüilidade, tempo para ajustar a mira, armas perfeitas, alvo delimitado, imóvel e perfeitamente visível – são raríssimos os campeões que conseguem os pontos máximos, ou seja, acertar na mosca em todos os tiros. Imagine-se numa situação de seqüestro, com o alvo movendo-se num local pouco iluminado e em condições de extrema tensão! A probabilidade de errar o alvo é alta demais para justificar o risco.

 


A terceira questão é quanto ao “mata ele, logo”. Afinal de contas, nós queremos uma polícia feita de assassinos a sangue frio? E para que? É bom lembrar que todo o excesso de poder conferido ao Estado, ou aos órgãos do Estado – entre os quais a polícia – volta-se contra quem o concedeu. Desde os tempos da guarda pretoriana de César – a primeira polícia organizada de que se tem notícia histórica. Polícia com ordem de matar acaba matando indiscriminadamente. Afinal, policial também erra – como qualquer um que não tenha nenhum controle sobre si.

 


A quarta questão é quanto aos direitos humanos da vítima. Será que ninguém vê que ela teve seus direitos violados pelo bandido, e não pela polícia? e que não é violando mais direitos humanos que se corrige a primeira violação? e que se a polícia fizer o que o bandido faz, está se igualando a ele, e deixando de ser um instrumento de justiça?

 


Matar e bater não resolve nada. Matar e bater somente piora tudo. Por acaso a cara inchada do rapaz vai suprir a falta de Eloá? Consolo teve a família, com certeza, com o bem que se gerou da morte da moça, com os transplantes de seus órgãos – nunca, com a cara inchada que a polícia ofereceu ao vídeo. Uma mãe transtornada pode até sentir-se melhor depois de bater, porque extravasou sua raiva; mas um espancamento feito por terceiro não fará com que se sinta melhor.

 


A quinta questão é quanto ao silêncio. Ele é cúmplice, e os jornalistas que exibem vídeos com um preso de cara inchada, sem comentários, alegando a pressão da opinião pública, tornam-se cúmplices da violência, e ajudam a piorar tudo. "

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Adelina Braglia às 13:01

O dia seguinte.

Quarta-feira, 29.10.08

 

 

O candidato mais recheado de processos foi o vencedor da nossa eleição. Belém será governada por mais quatro anos por um Prefeito que usou um diploma falso de médico-oftalmologista para receitar pacientes e que com esses "créditos universitários"  conquistou outro diploma de curso superior.  

 

Um Prefeito que responde a cinco ações civis públicas interpostas pelo Ministério Público Federal e que foi  re-eleito com o dobro de votos que recebeu no primeiro turno. Discursa hoje, legitimamente, como o homem reconduzido ao poder com a força do povo.

 

Simples. Democrático. E se alguém achar que democracia é uma porcaria, é bom lembrar que esse fenômeno é consequ~encia da  falta dela, que nos foi tirada por mais de três décadas.

 

Agora cabe a nós, os derrotados, duas opções: ir pra casa e cuidar  direito da própria vida, o que já é um bom começo. Ou, assumir  que a luta pela cidadania é cotidiana, é solidária e não tem trégua. Para que numa eleição qualquer, não sei quando, o voto reflita a consciência da mudança para frente e não a necessidade tão precariamente atendida ali atrás.

 

É assim.  Simplezinho.

 

 

 

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Adelina Braglia às 11:39

Retribuindo.

Segunda-feira, 27.10.08

 

 

Para o Francisco flanar pela cidade com Billie e outras "feras" .... 

 

 

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Um dia de domingo...

Quinta-feira, 23.10.08

 

Abaixo, a situação dos dois candidatos que se qualificaram para o segundo turno da eleição para Prefeito em Belém no próximo domingo.  Conforme se vê, concorrem também na Justiça Federal e Estadual. Não se sabe ainda quem chegará ao pódio primeiro. Nem lá, nem cá.
 
 
Quanto a mim,  sou de um tempo em que um processo por malversação de recursos públicos ou a fundamentada suspeita de falta de decoro público,  desqualificaria qualquer candidato. E, como continuo presa ao meu tempo, pelo menos naquilo que fez com que eu mantivesse a espinha ereta, a mente quieta e o coração tranqüilo, não recomendo nada.
 
 
Respeito as escolhas de quem, diferente de mim, acredita e, às vezes,  representa mais do que a sua própria decisão e talvez por isso, obrigue-se a optar entre as escolhas que, a bem da verdade, não fizeram. As duas candidaturas representam o que o eleitor de Belém escolheu no primeiro turno. Uma escolha contaminada por essa democracia re-nascida há pouco mais de duas décadas. Uma escolha de Pirro. Alguns segundo aquilo que avaliam ser suas necessidades e outros na defesa dos seus privilégios.
 
 
Não tenho obrigação nem prazer em fazer esta escolha. Sequer desejo sorte aos candidatos. Desejo que nossa cidade sobreviva a eles.
 
 
 
Dedico-lhes o poema de José Régio. É a minha melhor homenagem.
 
 
 
Cântico negro
 
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
 
 
Nossos candidatos:
 
DUCIOMAR COSTA
No TRF da 1ª Região ou na Justiça Federal do Pará:
Ação Civil Pública (improbidade administrativa) 2006.39.00.004985-7
Execução Fiscal 00.00.27680-4
Inquérito (crimes de responsabilidade) 2008.39.00.006118-3
Ação Civil Pública (improbidade administrativa) 2008.39.00.006047-6
Ação Penal 2006.01.00.036879-9
No TJ-PA:
Ação por improbidade administrativa 2008.1.008616-3
Execução 1992.1.002508-2
Ação Ordinária 2001.1.030807-5
Execução Fiscal 2001.1.035591-6
Ação Popular 2005.1.031434-3
Em 2ª instância:
Queixa crime 200530001960
 
JOSÉ PRIANTE
No TRF da 1ª Região ou na Justiça Federal do Pará:

Execução Fiscal 2001.39.00.009456-8
Execução Fiscal 2001.39.00.011251-1
Execução Fiscal 2001.39.00.010126-9

No TJPA:

Indenização por Danos Morais 2006.1.064357-7
 
 
 
PS: no site que divulga essas informações,  os candidatos não apresentaram justificativas. (www.congressoemfoco.ig.com.br)
 
 

 

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Adelina Braglia às 16:03

Tocando em frente.

Domingo, 19.10.08

 

O professor Sérgio Sapucahy foi meu vizinho. Ele e Oledir foram os melhores vizinhos e amigos que eu poderia ter, na chegada a Belém.
 
Um homem afável. Gentil. Inteligente. Tímido. O contraponto da figura desabrida que se tem dos cariocas. Mas gostava muito de um bom samba.
 
Lima Barreto era seu autor predileto.
 
Refratário a cargos e a conchavos. Leal. Sempre. À família, aos amigos, aos colegas e aos alunos.
 
O Professor Sérgio Sapucahy morreu. Deve estar agora conversando com Lima. Ouvindo um bom samba. E abençoando sua família, seus amigos, seus colegas e seus alunos.
 
Lembrei dessa música enquanto sentia muita saudade das conversas que não vamos mais ter. Uma música que nos manda tocar em frente. Ainda que o caminho fique cada vez mais árduo sem os amigos. Mas porque o verso diz
 
 
"... Todo mundo ama um dia, todo mundo chora,
Um dia a gente chega, e no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz,
E ser feliz..."  (Almir Satter)

 E ele foi capaz. Suavemente.
 

 Maria Bethania - Tocando em frente
 

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Adelina Braglia às 19:24

.. ou desocupa a moita!

Segunda-feira, 13.10.08

 

Minha vida, depois das caixas finalmente desmanchadas, transformou-se em seis prateleiras e uma pequena estante. Não, não é só isso. Há dois filhos e uma neta, herdeiros diretos desta herança... rsrsrs...
 
Nos papéis e pastas – algumas que apenas empilhei, sem vontade de abrir nem de jogá-las fora - algumas coisas interessantes: agendas! Desde 1977. E alguns cadernos de anotações. Meu filho, grande gozador, perguntou se eu estava pensando em escrever minha autobiografia. De bate pronto, respondi: a minha não, mas há pedaços de história destes 30 anos de Pará que talvez valha a pena recuperar.
 
É isso. A expressão mágica é: valer a pena. Sei: Fernando Pessoa já disse que tudo vale a pena se a alma não é pequena. Mas, o que significa resgatar pedaços de história se eu vou olhá-la sempre com os meus olhos? Não tenho documentos, que possam servir à história. Tenho tão poucos que nem sei se referendam o que eu “acho”.E assim, há anos dou volta em volta do umbigo.
 
Uma vez – acho que já escrevi isso por aqui – minha amiga Annez, que recebia muitas cartas minhas nos primeiros dez anos quando vim para cá, disse que eu deveria escrever um livro. Um livro que mostrasse aos sulistas - ela é uma mineira paulista..rsrsrs.. - que há um olhar de fora e um olhar de dentro. À época brinquei com ela que o título eu já tinha: “Morangos no tucupi”. Mas, quando falei sério com ela sobre isso, dei a mesma justificativa que continua a me inibir de contar a minha versão ou jogar fora o que guardei.
 
As cartas são centenas. Os irmãos e os amigos que ao longo dessas três décadas respondiam as minhas aflições de enxergar e querer ver mais do que meus olhos viam. Rita e Oswaldo mandavam junto com a carta, a VEJA – isso antes da Rita exilar-se na Ilha do Bananal... rsrsrs.... Nas cartas, fazem referência a isso ser uma forma de eu saber que o mundo continuava girando. E a VEJA no final dos anos 70, informava alguma coisa. Não era essa nojenta copydesk do status quo.
 
As cartas eu não vou jogar fora. Mas vou arruma-las. E reler as que ainda não reli. Falam do tempo em que uma adelina acreditava mais e melhor do que acredita hoje. E eu gostei de reencontrá-la.
 
Não. Não se preocupem. Esse post não é um teste para saber quantos amigos viriam aqui dizer: escreve. Minha vaidade e presunção já diminuíram o suficiente para este post ser apenas uma anotação para eu cuidar desta decisão: ou escreve ou joga tudo fora!
 
Vamos ver se funciona.
 
A calhar: Bruce Springsteen, Born to run, 1975.
 
 

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Acabou o Círio! Mas, o re-Círio virá...

Segunda-feira, 13.10.08

 

 
 
O título não é sarcástico. É que quem ainda não deu os três nozinhos na fita de Nossa Senhora de Nazaré, ainda tem tempo. Tem sim.

 

 

"(...) Volto a Geisel. A prova de sua mediocridade, da sua incapacidade de perceber o alcance do desenho golberiano, está em um livrão de derrubar criados-mudos, fluvial entrevista concedida a um grupo de professores do CEPEDOC. Saído anos atrás. Quem deseja saber quem foi aquele ditador de plantão deve lê-lo. Geisel não liga a mínima para a tal distensão. Enaltece, isso sim, os feitos econômicos do seu governo e sobre o tema gasta largamente seu verbo de chefe de quartel. Pois é, logo no início do seu mandato, viu no Brasil uma ilha de prosperidade, em meio ao mar da depressão global. Foi ali, no entanto, que deu os primeiros passos a desgraça econômica brasileira, destinada a durar décadas, de recuos irresistíveis. Neste exato instante, Geisel e sua tola crença me voltam à memória."
 
(Blog do Mino, aí ao lado) 

 

 
 
Parece que o italiano está fazendo comparações. Parece. E o Ministro Mantega, também. Parece que está.
 
  
"Mantega: 'tsunami financeiro' pesa sobre os mais pobres 
 
WASHINGTON - "Não temos mais ilusão. Os países em desenvolvimento serão afetados pela desaceleração global", afirmou hoje o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em discurso no Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial, em Washington. Por isso, o ministro avalia que, apesar das emergências deflagradas pela crise financeira internacional, erradicar a pobreza tem de ser prioridade. "Para evitar sérias conseqüências, o mundo em desenvolvimento precisa de um choque contracíclico", diz o comunicado divulgado depois da reunião realizada hoje durante o Encontro Anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (...).

 

  
(Estadão, hoje)

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Adelina Braglia às 08:42

Outros quilombos.

Sexta-feira, 10.10.08
Sol do Tanganica 
Que esquentou Zanzibá 
Fez Tanzânia unida 
Fez cantar e acordar 
Mais um brasileiro 
Pra essa libertação 
Fim do cativeiro 
Sem promessa 
E co´a mão 

De puxar carroça 
Gatilho, arrastão 
Boto o pé na roça 
Brota filho-irmão 

Boca, braço e perna 
Povo inteiro se uniu 
Fim da vida eterna 
Começo do Brasil 

Oh guarânia-pátria 
de Sepé Tiarajú 
Oh meu camarada 
Da guiné do Congu 

Luta por Mulumba 
Zanga por Zumbi 
Junta com Juruna 
Tua terra tá aqui

(Taiguara - 0 Sol da Tanzânia)




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Adelina Braglia às 14:08

De volta ao começo?

Sexta-feira, 10.10.08

 

 

 

Ao transcrever o trecho da notícia abaixo tenho duas motivações: a demonstração de que a solidariedade não é um bem extinto, quando os quilombolas, ainda que vivendo em área insuficiente para a sua sobrevivência física e cultural, protegem os pequenos proprietários à volta.

 
"Com danças de reisado e um almoço com feijão tropeiro, os quilombolas da Comunidade de Povoado Tabacaria, em Alagoas, comemoraram ontem o recebimento de uma cópia do documento em que o governo federal reconhece e declara como território deles uma área de 410 hectares. As 89 famílias do lugar viviam até agora num pequeno lote de 1 hectare.

Diretores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) foram até a comunidade, na zona rural do município de Palmeira dos Índios. O próximo passo será a desapropriação das áreas declaradas como parte do quilombo: três fazendas de médio porte dedicadas à criação de gado.

Embora a região seja dominada por minifúndios, os quilombolas pediram que nenhum pequeno proprietário fosse desapropriado. "É gente trabalhadora e pobre como a gente", disseram em documento enviado ao Incra. " (Agenciaestado)
 
A outra motivação é tentar motivar – gostaram ? – as almas da banda boa da bacia deste mundo a atentarem ao golpe na titulação de terras quilombolas, montado no Congresso pela ADIN patrocinada pelo Democratas e apoiado por segmentos retrógrados do próprio INCRA. A inconstitucionalidade do Decreto 4887, de 2003, que é o que esta ADIN questiona, é um golpe..
 
O direito dos remanescentes de quilombos de terem suas terras ocupadas ancestralmente regularizadas nas disposições transitórias da Constituição de 1988, foi uma conquista. Conquista fundada na crueldade  da “libertação” de 1888. Que atirou a senzala porta a fora da Casa Grande, sem instrução, sem terra, sem trabalho.

A escravidão dos “irmãos do norte” quando legalmente finda, destinou a cada um uma mula e 40 acres de terra (não por acaso é esse o nome da produtora de Spike Lee). Aqui destinamos a eles e aos seus remanescentes, a rua. E séculos de inferioridade social.
 
As cotas positivas para os negros, hoje tão combatidas, jamais  foram contestadas quando são negativas: a maior cota entre os analfabetos, entre os que recebem menores salários nas mesmas funções (e a qui a mulher negra é campeã), entre os pobres e os indigentes. Isso sempre pareceu natural, como o sol ou a chuva.
 
No estado do Pará são mais de 300 comunidades já arroladas, 40 terras tituladas, beneficiando mais de 100 comunidades. A diferença entre título e número de comunidades é porque o título quilombola é coletivo, mantendo historicamente a convivência entre famílias e agregados.
 
Até 2006, o Pará tinha o único programa estadual de apoio a quilombolas, tendo se tornado o estado campeão em titulações e contribui para que o estado respondesse, até dezembro daquele, ano a 50% das terras tituladas em todo o Brasil.  O Programa hoje está reduzido em importância, tamanho, carece de orçamento próprio e tem um fraco desempenho, em que pese o esforço de setores do Instituto de Terras do Pará em mantê-lo vivo.
 
O direito à terra para os remanescentes de quilombos não é reforma agrária. É direito conquistado na Constituição e referendado pelo Brasil na Convenção 169 da OIT.
 
É direito de reparação. E não pode ser descaracterizado.

 

 

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Adelina Braglia às 09:10


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