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Por quê eu faço um blog?

Quarta-feira, 25.06.08

 

 

Para chatear os imbecis
Para não ser aplaudido depois de seqüências dó de peito
Para viver a beira do abismo
Para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público
Para que conhecidos e desconhecidos se deliciem
Para que os justos e os bons ganhem dinheiro,
sobretudo eu mesmo
Porque, de outro jeito a vida não vale a pena
Para ver e mostrar o nunca visto
o bem e o mal, o feio e o bonito
Porque vi "Simão no Deserto"
Para insultar os arrogantes e poderosos quando ficam
como "Cachorros Dentro D'água" no escuro do cinema
Para ser lesado em meus direitos autorais.
 
Por quê você faz cinema?
Adriana Calcanhoto e Joaquim Pedro Andrade

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Eu e o blog, o blog e eu...

Terça-feira, 17.06.08

 

O blog já andava devagar, quase parando, e eu percebia que ele e eu nos distanciávamos dia após dia.
 
Às vezes parecia cansaço, às vezes preguiça. Mas nunca era por falta de assunto. E foi isso que me levou a pensar melhor hoje por que nos distanciamos meu blog e eu?
 
Domingo meu amigo Benedito Monteiro morreu. Cheguei a escrever sobre nossa amizade antiga, sobre a minha admiração permanente. Mas não consegui publicar. Tudo o que havia escrito parecia pouco, muito pouco.
 
Soube pelos jornais da morte de Jamelão. O grande Jamelão, que dizia que não era puxador de samba, porque puxador é  ladrão de carro. Ele era sambista!
 
Quem vai cantar a Mangueira? Quem vai escrever sobre o verdevagomundo amazônico com o amor do Bené?
 
Há duas semanas morreu a Ana Amélia. Uma menina luminosa, cheia de vigor e juventude. Um enfarte. Desses que a gente não lamenta quando atinge um crápula da política ou dos negócios, geralmente longevo e cansado de tanta maldade. Mas, enfarte em pleno vôo da vida? Não, não é aceitável.
 
Meu país parece um brinquedo de papel, o estado onde vivo parece uma colcha de retalhos de crochê.
 
No ônibus entram os vendedores de bombons, os acompanhantes de cegos, surdos, mudos e agora tem até um sanfoneiro, numa das linhas. Pela janela vejo a cidade suja, o calor que escalda homens e mulheres nas paradas de ônibus sem cobertura. A maioria no meio fio, pois que as calçadas são ocupadas pelos carros, pelo lixo ou pelos ambulantes. Nem sempre nessa ordem.
 
Tenho sim, motivos pessoais para não ser infeliz. Mas, sendo o que sou e como sou, acho que vou comprar uma venda, um tampa-ouvidos e fechar as narinas  e a boca, esta para não maldizer ter nascido fora do tempo e para não lamentar não me adequar ao tempo que me cabe.
 
É. O Travessia nunca foi um mero blog. É meu alter ego e já que o egomatriz não está ativo,  é justo que assim seja. Dias de silêncio. Como no poema de Sá de Miranda:
 
 
“Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?”
 
 
 

 

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Mas, temos que respirar...

Domingo, 08.06.08

 

 

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Adelina Braglia às 23:02

Brokeback exército.

Domingo, 08.06.08

 

 

 
 
O Movimento Nacional dos Direitos Humanos emitiu nota de repúdio contra prisão do sargento Laci Marinho de Araújo, sob a alegação de suposto crime de deserção. A Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA, presidida pela advogada Mary Cohen, ratifica o manifesto, que vai divulgado a seguir.

É evidente o ato discriminatório que vitimou o sargento do Exército, Laci Marinho de Araújo, preso no último dia 3, em São Paulo, pela Polícia do Exército. A prisão do sargento Laci ocorreu sob a alegação de suposto crime de deserção.
Na realidade, o que houve foi uma retaliação por parte do Exército brasileiro, já que o militar assumira publicamente sua opção sexual em entrevista concedida à revista Época.
Na reportagem, o sargento Laci revelou ter um relacionamento de 10 anos com o também militar Fernando Alcântara de Figueiredo.
O Movimento Nacional de Direitos Humanos não pode deixar de manifestar o seu repúdio à atitude do comando do Exército Brasileiro.
O conselheiro nacional do MNDH, Renato Simões, representante do Regional São Paulo, integrou a delegação do Conselho Estadual dos Diretos da Pessoa Humana (CONDEPE/SP) que visitou - momentos após a prisão - o sargento Laci de Araújo e seu companheiro, sargento Fernando Alcântara, no Hospital Militar do Cambuci, em SP.
Foi possível constatar o trauma psicológico sofrido por ambos a partir da inusitada prisão - de caráter claramente homofóbico - realizada nas dependências da Rede TV pela Polícia do Exército.
Dizer quer as regras disciplinares do Exército autorizam procedimentos deste porte é escamotear a questão e pedir à sociedade brasileira que ignore o direto à livre orientação sexual do cidadão brasileiro (art. 5º, caput e art. 3º, inciso IV da Constituição Federal).
Não é a primeira vez que esta questão surge nas fileiras das Forças Armadas brasileira e não é a primeira vez que o acontecimento é manipulado e abafado.
O MNDH entende que já é tempo de as instituições nacionais abrirem debate sobre este e outros temas candentes, que perpassam todo e qualquer segmento da sociedade nacional.
É necessário que a defesa do militar seja feita e os danos sejam reparados, tanto no aspecto moral quanto material.
O Condepe/SP apresentou um rol de requerimentos ao Ministro da Justiça, a fim de obter providências que minimizem o mal causado e se ofereçam condições de integral tratamento e readaptação do sargento Laci às suas funções.
O MNDH reafirma sua perplexidade frente ao ato arbitrário e de pronto vai acompanhar o desdobramento do caso do sargento Laci:
 
* Solicitando a designação de um advogado junto à Defensoria Pública da União;
* Solicitando acompanhar e visitar o sargento Laci desde a sua chegada e durante toda sua permanência em Brasília;
* Solicitando a constituição de junta médica pelo Conselho Federal de Medicina para emitir parecer alternativo com relação à saúde do militar;
* Encaminhando Nota de Repúdio a ser divulgada na Conferência GLBT e a ser encaminhada ao Ministro da Defesa protestando contra a discriminação da qual foram vítimas os dois militares brasileiros.

Movimento Nacional de Direitos Humanos.
Brasília - 5 de junho de 2008
 
(Espaço aberto)
 
 

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Adelina Braglia às 21:11

Deixa o índio nú...

Quarta-feira, 04.06.08

 

 

  Para o Sérgio.

  

Na semana passada, fotos mostraram povos indígenas que iem na fronteira Brasil-Perú. Ainda isolados,  mereceram manchetes. Como se fossem uma nova espécie de girafa descoberta na floresta.

 

Sérgio lembrou de Borzeguim. Perfeita lembrança. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

"... Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar
Deixa a anta cruzar o ribeirão
Deixa o índio vivo no sertão
Deixa o índio vivo nu
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa, deixa
Escuta o mato crescendo em paz
Escuta o mato crescendo
Escuta o mato
Escuta
Escuta o vento cantando no arvoredo
Passarim passarão no passaredo
Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus é fruta do mato
Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
O jacu já tá velho na fruteira
O lagarto teiú tá na soleira
Uirassu foi rever a cordilheira
Gavião grande é bicho sem fronteira
Cutucurim
Gavião-zão
Gavião-ão
Caapora do mato é capitão
Ele é dono da mata e do sertão
Caapora do mato é guardião
É vigia da mata e do sertão
(Yauaretê, Jaguaretê)
Deixa a onça viva na floresta
Deixa o peixe n'água que é uma festa
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa
Deixa
Dizem que o sertão vai virar mar
Diz que o mar vai virar sertão
Deixa o índio
Dizem que o mar vai virar sertão
Diz que o sertão vai virar mar
Deixa o índio
Deixa
Deixa"
 

 

(Borzeguim - Tom Jobim)

 

 

Foto: Edvaldo Magalhães.

 

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Ainda a doce cana, ou "o Príncipe do Etanol".

Quarta-feira, 04.06.08

 

 

 

 
 
Lula compra mais dois aviões e decide que tem a solução para os problemas do mundo. Sua equipe aproveita: desenha a cruzada do etanol, para consumo interno, naturalmente, que lá fora os senhores do mundo se limitam a recebê-lo educadamente, de olho no quintal que mais rende dinheiro para quem já tem, e marcar a próxima conferência.
 
Celso Amorim reforça a cruzada marqueteira, afirmando que ninguém pode ensinar o Lula a combater a fome. Tem razão duas vezes: primeiro, porque ninguém pode ensinar nada ao Lula, visto que o aprendizado é uma decisão do aluno. Segundo, porque Lula soube como ninguém matar a própria fome de poder – e, pelo que se diz, sua família está em condições de passar a caviar até à quinta geração.
 
Isto é a mão direita, e Lula é religioso: como diz a Bíblia que a mão direita não deve saber o que faz a esquerda, a outra mão de Lula desenha uma Previdência literalmente nivelada por baixo, pelo mínimo, e acena generosamente para os bancos e seus planos. Estes, gratíssimos, dão nota 10 para o Brasil: no mundo inteiro, em todo o mundo, nenhum banco ganha tanto dinheiro e tem tanta folga de controle. Afinal de contas, quando um banco brasileiro está prestes a falir, o banco central paga, o dono vai para a Europa e some, ou então fica desfilando por aí, respondendo a processos intermináveis até que morra ou passe da idade de ser preso.
 
Os xeques árabes devem babar de inveja: o Corão proíbe juros, ou melhor, proíbe a manipulação do dinheiro. Eles têm que usar artifícios para ter rendimentos de capital, ou jogar o dinheiro nas bolsas infiéis. Recentemente, num desses emirados, o xeque foi despachado para casa, devidamente desafortunado, porque cometeu crimes semelhantes aos do Delúbio e do Zé Dirceu. E ele era um dos donos do dinheiro...
 
Mas os xeques salgam os preços do petróleo, enquanto montam usinas de dessalinização da água e previnem o futuro. Os Estados Unidos já iniciaram as pesquisas da qualidade da água, prevendo que usarão brevemente suas reservas. O leviano Brasil não se importa: a maior bacia hidrográfica do planeta está sendo contaminada de forma atroz, e ninguém nem toma conhecimento. Literalmente: não há qualquer pesquisa a respeito.
E toma cruzada marqueteira repetindo o Grande Brasil da ditadura, que repete a França Profunda francesa, que repete o New Deal americano, que repete o Império onde o sol nunca se põe, da Inglaterra, que repete um livrinho amaldiçoado, mas seguido à risca, desde que foi escrito: o Príncipe.
 
Pois que deve o príncipe buscar motivos externos quando a situação interna piora, fazer uma guerra para se desviar das crises intestinas, montar uma cruzada se o governo estiver difícil. Mesmo que seja a cruzada das crianças para libertar Jerusalém, ou a do etanol para salvar o mundo
 
(ANA DINIZ, jornalista)

 

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Adelina Braglia às 06:20

A doce cana-de-açúcar...

Segunda-feira, 02.06.08

 

 

Palavras do Presidente Lula:
 
 
"Todo mundo sabe que o trabalho na cana é duro. Como é duro o trabalho de um balconista que fica atendendo a gente atrás do balcãozinho das seis da manhã à meia-noite."
 
"Não é mais duro do que o trabalho em uma mina de carvão que foi a base de desenvolvimento da Europa. Pegue um facãozinho e passe um dia cortando cana e desça numa mina a noventa metros de profundidade para explodir dinamite, para você ver o que é melhor."
 
 
Palavras de pesquisadores, fiscais e médicos do Ministério do trabalho:
 
“...a expectativa de vida de um trabalhador cortando 12 toneladas de cana por dia é de dez a 12 anos, menor que a expectativa de vida de um trabalhador escravo do fim do século XIX, que era de 12 a 15 anos. Mais do que dez safras cortando cana, o trabalhador está incapacitado para o trabalho: está com lordose e uma série de doenças decorrentes do trabalho. A única expectativa que ele tem é pedir a aposentadoria.”
 
“...trabalhadores morreram de exaustão nos últimos dois anos durante o corte da cana, uma atividade tão desgastante que exige preparo físico de atleta!
 
“Na última safra, o Brasil colheu 378 milhões de toneladas e liderou o ranking mundial dos produtores e exportadores de cana de açúcar. Um negócio que rendeu R$ 24 bilhões para a economia. Mas que teve um preço alto, segundo o Ministério Público do Trabalho: nesse período, 13 trabalhadores morreram durante o corte da cana.”
  
“O trabalhador tem que ficar curvado, abraçar a cana, dar um único golpe em 5 ou mais canas, cortar o ponteiro e jogar a cana no monte. Então ele faz um conjunto de exercícios e movimentos de tal forma que segundo os cálculos para cada tonelada de cana ele dá 970 golpes. Então se ele corta 10 toneladas ele dá 9.700 golpes e para cortar 10 toneladas de cana ele anda 8 Km por dia" ....
 
“No final da década de 90, a produtividade deu novo salto. O assalariado precisa cortar no mínimo 10 toneladas para se manter empregado. A média agora é de 12 toneladas/homem/dia, o dobro dos anos 80, o quádruplo dos anos 50, usando sempre o mesmo podão.”

”Um trabalhador que corta 12 toneladas de cana no dia percorre um talhão de 400 metros, o que totaliza um retângulo 3.400 m2. Como ele desfecha cerca de 50 golpes de podão por feixe de cana, totaliza 366.300 golpes no dia, e 36.360 flexões de perna. Caminha 8.800 metros pelo eito, em 800 trajetos, levando nas mãos cerca de15 kg, por uma distância de 1,5 a 3 metros, até completar as 12 toneladas.”
 
 

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