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Paciência...eu vou ter paciência.

Quarta-feira, 30.04.08

 

 

 

Aprendi desde criança
Que é melhor me calar
E dançar conforme a dança
Do que jamais ousar
 
Mas às vezes pressinto
Que não me enquadro na lei:
Minto sobre o que sinto
E esqueço tudo o que sei.
 
Só comigo ouso lutar,
Sem me poder vencer:
Tento afogar no mar
O fogo em que quero arder.
 
De dia caio minh'alma
Só à noite caio em mim
por isso me falta calma
e vivo inquieto assim.
 
(Canção da alma caiada – Antonio Cícero)
 

 

 

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Adelina Braglia às 08:50

Dia Nacional do Cinismo. Ou da Hipocrisia. Ou da Mentira 2.

Domingo, 27.04.08

 

 
Dia Nacional da Empregada Doméstica.
 
Eu não sabia que esse dia existia. Assim como não sabia que já inventaram o Dia da Avó (25 de julho!), este, certamente, festejado pelo comércio, por impingir compras em mais uma data “comemorativa”.
 
A notícia mostra parte da realidade das empregadas domésticas no Brasil, das “escravas modernas”, que só na década de 70 tiveram algum direito trabalhista reconhecido.
 
A analogia me levou à discussão candente neste momento aqui no Pará, sobre a conceituação de trabalho escravo ou trabalho em condições análogas à escravidão que os que praticam a má-fé como religião argumentam que não está muito bem definido, pois estas condições variam de região para região do país, etc. e tal. Lamento informa-los que o Código Penal vale para todo o território nacional e é muito claro nessa definição!
 
Numa audiência pública na Assembléia Legislativa, convocada pelo deputado Arnaldo Jordy, do PPS – ferrenho combatente desta forma terrível de servidão – uma pessoa justificou o fato de não haver alojamentos nas fazendas porque os trabalhadores locais “preferem dormir em redes”. Certamente, se avançassem na discussão destes quesitos, ela diria também que não há necessidade de fornecer alimentação ou implantar refeitórios, porque os trabalhadores da região apreciam peixe e carne de caça. Daí que se dirijam ao rio ou às matas e supram sua alimentação, pois não?
 
Condição de trabalho escravo ou “em condições análogas à escravidão” ainda se aplica às empregadas domésticas em muitas casas desta Belém do Grão Pará. São meninas trazidas do interior “para estudar” e submetidas a jornadas extensas de 12 ou 14 horas de trabalho, dormindo nos quartinhos onde é também o depósito de vassouras e baldes da casa, comendo muitas vezes a sobra da refeição da Casa Grande. Sem direito à escola, é óbvio.
 
Penso que o grande problema brasileiro está enraizado na colonial cordialidade com que matamos e homenageamos. Ou vice-versa.
 
Não falta muito e algum cínico instituirá o “Dia do Trabalhador Escravo”.
 
Música, maestro!
 

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Adelina Braglia às 20:59

Para as Manuelas... no 25 de abril..antes que ele termine...

Sexta-feira, 25.04.08

 

 

 

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A canção dos canalhas.

Sexta-feira, 25.04.08

 

Há alguns anos, quando a fúria do Governo Collor nos embalou para a modernidade, um velho amigo dizia que a grande dificuldade naquele momento para a nossa geração é que não tínhamos mais um grande canalha para combater: estávamos cercados por pequenos canalhas.
 
Hoje pela  manhã, minha irmã e eu conversávamos sobre a desconfortável conclusão que não tínhamos mais prazer em trabalhar, porque nós éramos do tempo em que trabalho era sobrevivência, mas  era  missão, tesão, sonho, engajamento. E eu reconheci que essa era uma visão enganosa do trabalho, mas que não tinha mais vida útil nem intenção para modificar esse conceito.
 
À tarde li as notícias do dia, uma passada rápida pelas páginas on-line dos jornalões. Os pequenos canalhas não têm nenhum pejo em relação ao trabalho!
 
 
Uma canção para  esse tempo.
 
 
 

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Adelina Braglia às 21:46

Revisão de texto.

Sexta-feira, 18.04.08

 

Ontem conversava sobre o mal estar de estar no mundo. Não era conversa fiada. Nem afiada. Nem era conversa. 
 
Durante muito tempo nomeei esse mal estar de tédio, intolerância, arrogância, frustração e sei lá mais o quê. A presunçosa mania de nomear tudo.
 
Percebo que não há alegria em achar o nome certo. Nada a comemorar. A não ser poder nomear uma sensação...rsrsrs...
 
Há alguns anos aprendi a oração da serenidade.
 
Deus, concedei-me serenidade para aceitar o que eu não posso modificar.
Coragem para modificar o que eu posso.
E sabedoria para perceber a diferença.
 
 Quando descobri que “rezava” a oração ao contrário - quis mudar o que não podia, não modifiquei o que podia e nunca percebi a diferença –não achei que redescobrira a pólvora. Mas sabia que teria que rever alguns conceitos:
 
Os idiotas não são mais felizes. São apenas idiotas.
 
As crianças não são ingênuas. São crianças, lapidando os defeitos e a malícia  para chegarem a ser adultos.
 
Os canalhas o são por origem. Não há justificativas sociológicas, nem patológicas, para a canalhice.
 
A política não é uma “arte”.  Faltam-lhe valores estéticos como beleza e harmonia. Além de morais.
 

 

 

 

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Adelina Braglia às 22:33

Uma voz paraense muito bonita...

Segunda-feira, 14.04.08

 

 

...com cenários inadequados.

 

A não ser que árvores, rios, montanhas sirvam para dizer que tudo continua no mesmo lugar...

 

 

 

Ainda assim, vale ouvir.

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 08:48

Nada como uma calma manhã de domingo....

Domingo, 13.04.08

 

 

"...Satisfeito com os indicadores econômicos de que o pobre está comendo mais, Lula promete:
 
“Depois da  “inflação boa”, vem aí a gostosa.”
 
 
(Tutty Vasquez)
 

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Adelina Braglia às 06:54

Desafios.

Quinta-feira, 10.04.08

 

 

Recebi o desafio da Pilantra 
 Já respondi e repasso para vocês.
 1 – A crônica do valente Parintis, de Ewelson Soares Pinto. Devorei o romance. Quando o comprei, na livraria do aeroporto, mergulhei nele e consegui perder o vôo na sala de embarque.
 2 – A consciência de Zeno – Ítalo Svevo. Adoro especialmente o esforço do personagem em parar de fumar....
 3 – Rumo ao farol – Virgínia Woolf. Seus pais lembram os meus. Ao contrário.
 4 – Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marques. Conheci tantos José Arcádio e tantas Macondo que jamais vou me separar deste guia da humanidade latino-americana!
 5 – Quase memória – Carlos Heitor Cony. Gosto tanto que tenho dois...
 Que ninguém me atire pedras, mas não consegui terminar Ulysses e não o tenho na estante. Não pretendo ter nunca.
 
O desafio é apontar cinco autores ou obras literárias preferidas e indicar um livro ou autor que merece apodrecer na estante. Ou ficar fora dela.
 Divirtam-se.
  
Ana Diniz  
Ademir Braz 
Blog do Alencar 
Cris Moreno    
Flanar

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Mente, mente, mente...

Quarta-feira, 09.04.08

 

A implosão da mentira

Affonso Romano de Sant'Anna

Fragmento 1

               Mentiram-me.Mentiram-me ontem
               e hoje mentem novamente. Mentem
               de corpo e alma, completamente.
               E mentem de maneira tão pungente
               que acho que mentem sinceramente.

               Mentem, sobretudo, impune/mente.
               Não mentem tristes. Alegremente
               mentem. Mentem tão nacional/mente
               que acham que mentindo história afora
               vão enganar a morte eterna/mente.

               Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
               falam. E desfilam de tal modo nuas
               que mesmo um cego pode ver
               a verdade em trapos pelas ruas.

               Sei que a verdade é difícil
               e para alguns é cara e escura.
               Mas não se chega à verdade
               pela mentira, nem à democracia
               pela ditadura.

Fragmento 2

               Evidente/mente a crer
               nos que me mentem
               uma flor nasceu em Hiroshima
               e em Auschwitz havia um circo
               permanente.

               Mentem. Mentem caricatural-
               mente.
               Mentem como a careca
               mente ao pente,
               mentem como a dentadura
               mente ao dente,
               mentem como a carroça
               à besta em frente,
               mentem como a doença
               ao doente,
               mentem clara/mente
               como o espelho transparente.
               Mentem deslavadamente,
               como nenhuma lavadeira mente
               ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
               com a cara limpa e nas mãos
               o sangue quente. Mentem
               ardente/mente como um doente
               em seus instantes de febre.Mentem
               fabulosa/mente como o caçador que quer passar
               gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
               a caça é que caça o caçador
               com a armadilha.
               E assim cada qual
               mente industrial?mente,
               mente partidária?mente,
               mente incivil?mente,
               mente tropical?mente,
               mente incontinente?mente,
               mente hereditária?mente,
               mente, mente, mente.
               E de tanto mentir tão brava/mente
               constroem um país
               de mentira
                                       —diária/mente.

Fragmento 3

               Mentem no passado. E no presente
               passam a mentira a limpo. E no futuro
               mentem novamente.
               Mentem fazendo o sol girar
               em torno à terra medieval/mente.
               Por isto, desta vez, não é Galileu
               quem mente.
               mas o tribunal que o julga
               herege/mente.
               Mentem como se Colombo partindo
                do Ocidente para o Oriente
               pudesse descobrir de mentira
               um continente.

               Mentem desde Cabral, em calmaria,
               viajando pelo avesso, iludindo a corrente
               em curso, transformando a história do país
               num acidente de percurso.

Fragmento 4

               Tanta mentira assim industriada
               me faz partir para o deserto
               penitente/mente, ou me exilar
               com Mozart musical/mente em harpas
               e oboés, como um solista vegetal
               que absorve a vida indiferente.

               Penso nos animais que nunca mentem.
               mesmo se têm um caçador à sua frente.
               Penso nos pássaros
               cuja verdade do canto nos toca
               matinalmente.
               Penso nas flores
               cuja verdade das cores escorre no mel
               silvestremente.

               Penso no sol que morre diariamente
               jorrando luz, embora
               tenha a noite pela frente.

Fragmento 5

               Página branca onde escrevo. Único espaço
               de verdade que me resta. Onde transcrevo
               o arroubo, a esperança, e onde tarde
               ou cedo deposito meu espanto e medo.
               Para tanta mentira só mesmo um poema
               explosivo-conotativo
               onde o advérbio e o adjetivo não mentem
               ao substantivo
               e a rima rebenta a frase
               numa explosão da verdade.

               E a mentira repulsiva
               se não explode pra fora
               pra dentro explode
implosiva.

Este poema, que foi enviado ao Releituras pelo autor, foi publicado em diversos jornais em 1980. Apesar do tempo decorrido, face aos acontecimentos políticos que vimos assistindo nesses últimos tempos, ele permanece atualíssimo.

Segundo
 
Affonso Romano de Sant'Anna, foi publicado também em várias antologias, como "A Poesia Possível", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1987, "mas os leitores a toda hora pendem cópias", afirma o poeta.
 (www.releituras.com)

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Desista, Santo Ambrósio.

Quarta-feira, 09.04.08

 

A incivilidade é nossa marca registrada. Incivilidade como a define Mestre Aurélio: indelicadeza, descortesia.
 
Além das triviais grosserias – fechar os olhos nos ônibus para “não ver” o idoso ou a moça com o bebê no colo para não lhes ceder o lugar - há o tropeçar nas pessoas, a quem não se pede desculpas. Há o jogar o papel na calçada ou atirar pela janela do carro ou do ônibus a lata de refrigerante ou o papel do picolé. Quando não um coco verde!
 
A desumanidade também se agita entre nossas modernas “virtudes”. Revestida, às vezes, de requintes de crueldade, de fúria.
 
Desumanidade no sentido de estarmos perdendo a noção do bem e do mal, que deveria nos diferenciar dos bichos. Fúria, aquela que fere indiscriminadamente, com ou sem causas.
 
Hoje cedo observei minha gata “conhecendo” uma gatinha pequenina. Juliana – a minha – aproximou-se devagar de Jolie, cheirou-a, olhou-a, sentiu a outra. Isso. Sentiu, com seus instintos, e provavelmente um registro rápido avisou-a que “aquilo” era um indefeso filhote. Nenhuma rispidez, nenhuma agressão.
 
Automaticamente lembrei do caso da menina assassinada em São Paulo, na semana passada. Jogada do sexto andar, com sinais de asfixia anteriores à queda. Quem a matou foi uma pessoa adulta. Que independente dos motivos ou da doença emocional que tiver, não a conheceu, não a sentiu, não a protegeu.
 
E outras crianças vivendo como mortas para o futuro, para a realização de desejos, sem afeto, sem teto, sem perdão.
 
Entre gatos e homens, entre filhotes e mulheres, cava-se um fosso onde a inversão de valores e sentimentos é cada vez mais assustadora.
 
Valei-nos, Santo Ambrósio!
 
Ou melhor, desista de nós.
 
BLESS THE BEASTS AND THE CHILDREN  

Abençoe as feras e as crianças
Pois nesse mundo eles não tem voz
Eles não tem escolha
Abençoe as feras e as crianças
Pois o mundo não poderá ser
Um mundo que eles vêem
Ilumine seus caminhos ... 
Quando a escuridão os cercar
Dê-lhes amor
Faça o brilhar ao redor deles
Abençoe as feras e as crianças
Dê-lhes proteção para as tempestades
Mantenha-os salvos
Mantenha-os aquecidos
Ilumine seus caminhos ... 
Quando a escuridão os cercar
Dê-lhes amor
Faça o brilhar ao redor deles
Abençoe as feras e as crianças
Dê-lhes proteção para as tempestades
Mantenha-os salvos
Mantenha-os aquecidos

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Adelina Braglia às 10:20


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