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E viva o arraial do Pavulagem!

Terça-feira, 26.06.07

 

 

 

 

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Aos trancos e barrancos...

Segunda-feira, 18.06.07

 

Faz algum tempo que já não sei responder  perguntas cujas respostas sabia na ponta da língua, no tempo em que eu me acreditava protagonista da história. Por esta lógica, assumi que sou uma coadjuvante que sequer decorou seu papel terciário, que esqueceu o texto e, quase sem exceções, considera os atores principais um bando de canastrões.
 
Ainda assim, do banco do meu ônibus – aliás, se fosse meu seria menos barulhento, sem aquele motor de caminhão madeireiro disfarçado sob uma carroceria – olho as pessoas que sobem e descem, sentam, levantam. São jovens, crianças, adultos e velhos. Velhos, sim, porque para ser politicamente correta e chama-los de “idosos” penso que a política deveria estar sendo correta para os que têm mais de 60 anos.
 
Velhos porque carcomidos pelas rugas, pelo sol, pela doença, pela falta de dinheiro, de perspectivas e de assentos no ônibus, porque todo mundo senta nos bancos “preferencialmente” reservados para eles e ainda disfarçam, olhando pela janelinha! E lembro da minha madrinha que dizia que devemos ter bons modos. Mas, em seguida lembro da Adriana Calcanhoto cantando ...” eu não gosto de bom senso..” e , touché, esqueço porque comecei a pensar nisto.
 
Mas,  acho melhor refazer a frase inicial. Eu ainda sei as minhas respostas, mas me inibo porque parece que elas não são adequadas às circunstâncias em que as perguntas são feitas! Ou seja, minhas respostas soam, no geral, esdrúxulas, extemporâneas.
Outro problema é que ultimamente, tangencio conversas escondendo minha sincera opinião, pois ao declará-la, temo ser alvo de linchamento!
 
Exemplo: vó, o que é favela?
 
E, se eu não pensar rapidamente que Bia ainda vai fazer 6 anos, sinto-me na obrigação de explicar que favela não é a ONU dos traficantes, etc. e tal. Que ali moram pessoas como ela e eu, que a favela não é composta por bandidos, assassinos e seqüestradores e daí, quando percebo isto tudo, não sei responder, porque me apavora dar a ela uma resposta  extensa demais que a faça perder o interesse ou uma resposta tão enxuta que, frente ao noticiário tão completo da Globo ela continue imaginando que a favela é o lugar onde se realiza o conclave das bruxas!
 
Outro exemplo?
 
Numa conversa que parecia ser sobre fidelidade e amor, fui derrotada por três a um, porque considerei uma hipocrisia o comparecimento da mulher do Renan Calheiros à audiência no senado. Ou melhor, achei a presença daquela mulher um escárnio, parecendo querer nos comover com a sua falsa grandeza, como a dizer que se ela, que era a traída,  perdoava o traidor, todos nós deveríamos fazer o mesmo, sugerindo que ali, no senado nacional, discutia-se uma questãozinha de alcova e não de corrupção do segundo mandatário do país.
Com isto,  meus interlocutores, que insistiam que aquilo era um gesto de amor e perdão, me olharam com a fúria com que os apedrejadores de Maria Madalena devem ter olhado para ela.
 
Resumindo: se antes me sentia aziaga, agora me sinto uma mulher de Plutão.
 
Isso, aquele planeta que, subitamente, perdeu sua condição no zodíaco!
 

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Aos vis, aos tolos e aos imbecis.

Sábado, 16.06.07
 
Senador Renan, ensine-me a ser cínica, impostora e canalha
e a ter sempre respostas como se fossem alternativas de vestibular,
e a continuar impávida pela vida,
sem responder pelos meus erros
que são irrelevantes  frente aos seus..
 
Presidente Lula, me ilumine, para que eu possa sempre,
com explicações reducionistas
esquivar-me das minhas responsabilidades,
culpando os brasileiros sem esperança,
a imprensa vendida e os ancestrais,
pois, a partir do que fizeram,
isentam-me de responder pelo que faço.
Ou não faço.
 
 
Ministra Marta, diga como é que a gente faz pra conviver décadas com alguém
e nada absorver daquilo que é bom, ético e conseqüente,
para eu poder usar,
- ao contrário do que a senhora fez ao conviver com o senador seu ex-marido -
e não ser contaminada pela legião de pequenos canalhas que circula neste país.
 
 
PS: sinceramente, estou sem coragem de escrever “amém”.
 
 
 

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Adelina Braglia às 11:47

Corrente do bem.

Sexta-feira, 15.06.07
Minha ex-professora, e depois grande amiga, está nesta noite na UTI, recuperando-se de uma cirurgia que desejamos que extirpe o tumor que quer cegá-la.
 
Ela e eu, passados 40 anos, cultivamos por charme e pirraça uma única divergência, sobre a blusa de bolinhas – como afirmo eu e que ela retruca que nunca vestiu roupa semelhante – que ela usava na primeira aula de português que deu para a minha turma de segundo ano clássico. 
 
A partir daquela aula, movida pelo brilho do seu olhar, guiada pelo seu sotaque baianíssimo e orquestrada pelo seu caminhar de um lado ao outro da sala, eu aprendi mais do que literatura ou gramática portuguesa. Aprendi a gostar de escrever. Aprendi a ouvir poetas e estrelas. Aprendi a ouvir as pessoas.
 
Diz ela que eu era ótima aluna de redação. Não tenho memória disto e sempre me foi conveniente acreditar que ela fala a verdade. Mas, acho que os grandes ensinamentos vieram mesmo das tardes ou noites na cozinha da sua casa, desde que os seus filhos eram pequenos e eu não pretendia ter nenhum.
 
As conversas prosseguiram por quarenta anos, mesmo com a distancia geográfica que nos mantém afastadas há quase trinta! Porém, nas idas a São Paulo, as longas conversas na cozinha se repetem, movidas a café ou a batida de maracujá, sustentadas pela pizza que meu eterno chefe, seu marido, providencia, enquanto os nossos filhos cresceram e os netos chegaram.
 
Sua clareza, sua objetividade e seus olhos, às vezes cheios d´água, são o que o tumor quer lhe roubar. Dela e de nós, suas alunas, seu marido, seus filhos, filha, noras, genro, netos, irmãos, cunhados, sobrinhos e uma legião de amigos.
 
Caramba! Somos tantos a pedir por ela e por nós,  Santo Ambrósio!
 
Não nos deixe mais tristes e pobres de amigos. Transforme nossa esperança de hoje numa barreira santa capaz de protege-la.  Ela merece. E nós, também.
 
Amém.
 
 
 

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Adelina Braglia às 23:05

Olha o "desvoto" aí, gente!!!!

Terça-feira, 12.06.07

 

 

 
O “desvoto” – retirar o voto dado, exigir o cumprimento dos compromissos de campanha e comprovado comportamento ético, etc e tal - jamais chegará por aqui.
 
Mas, um cidadão português utilizou-se de anúncio em jornal, identificando-se inclusive com seu número de registro de eleitor, para pedir desculpas pelo voto dado.
 
Penso em fazer o mesmo. Mas, tenho um pequeno problema: ou priorizo o cargo eletivo ou vendo alguma coisa para pagar o anúncio para desculpar-me por vários votos!
 
 
 

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Adelina Braglia às 07:01

É hoje!

Terça-feira, 12.06.07
Dai-me, Senhor, assistência técnica
para eu falar aos namorados do Brasil.
Será que namorado algum escuta alguém?
Adianta falar a namorados?
E será que tenho coisas a dizer-lhes
que eles não saibam, eles que transformam
a sabedoria universal em divino esquecimento?
Adianta-lhes, Senhor, saber alguma coisa,
quando perdem os olhos
para toda paisagem ,
perdem os ouvidos
para toda melodia
e só vêem, só escutam
melodia e paisagem de sua própria fabricação?
Cegos, surdos, mudos - felizes! - são os namorados
enquanto namorados. Antes, depois
são gente como a gente, no pedestre dia-a-dia.
Mas quem foi namorado sabe que outra vez
voltará à sublime invalidez
que é signo de perfeição interior.
Namorado é o ser fora do tempo,
fora de obrigação e CPF,
ISS, IFP, PASEP,INPS.
Os códigos, desarmados, retrocedem
de sua porta, as multas envergonham-se
de alvejá-lo, as guerras, os tratados
internacionais encolhem o rabo
diante dele, em volta dele. O tempo,
afiando sem pausa a sua foice,
espera que o namorado desnamore
para sempre.
Mas nascem todo dia namorados
novos, renovados, inovantes,
e ninguém ganha ou perde essa batalha.
Pois namorar é destino dos humanos,
destino que regula
nossa dor, nossa doação, nosso inferno gozoso.
E quem vive, atenção:
cumpra sua obrigação de namorar,
sob pena de viver apenas na aparência.
De ser o seu cadáver itinerante.
De não ser. De estar, e nem estar.
O problema, Senhor, é como aprender, como exercer
a arte de namorar, que audiovisual nenhum ensina,
e vai além de toda universidade.
Quem aprendeu não ensina. Quem ensina não sabe.
E o namorado só aprende, sem sentir que aprendeu,
por obra e graça de sua namorada.
A mulher antes e depois da Bíblia
é pois enciclopédia natural
ciência infusa, inconciente, infensa a testes,
fulgurante no simples manifestar-se, chegado o momento.
Há que aprender com as mulheres
as finezas finíssimas do namoro.
O homem nasce ignorante, vive ignorante, às vezes morre
três vezes ignorante de seu coração
e da maneira de usá-lo.
Só a mulher (como explicar?)
entende certas coisas
que não são para entender. São para aspirar
como essência, ou nem assim. Elas aspiram
o segredo do mundo.
Há homens que se cansam depressa de namorar,
outros que são infiéis à namorada.
Pobre de quem não aprendeu direito,
ai de quem nunca estará maduro para aprender,
triste de quem não merecia, não merece namorar.
Pois namorar não é só juntar duas atrações
no velho estilo ou no moderno estilo,
com arrepios, murmúrios, silêncios,
caminhadas, jantares, gravações,
fins-de-semana, o carro à toda ou a 80,
lancha, piscina, dia-dos-namorados,
foto colorida, filme adoidado,,
rápido motel onde os espelhos
não guardam beijo e alma de ninguém.
Namorar é o sentido absoluto
que se esconde no gesto muito simples,
não intencional, nunca previsto,
e dá ao gesto a cor do amanhecer,
para ficar durando, perdurando,
som de cristal na concha
ou no infinito.
Namorar é além do beijo e da sintaxe,
não depende de estado ou condição.
Ser duplicado, ser complexo,
que em si mesmo se mira e se desdobra,
o namorado, a namorada
não são aquelas mesmas criaturas
que cruzamos na rua.
São outras, são estrelas remotíssimas,
fora de qualquer sistema ou situação.
A limitação terrestre, que os persegue,
tenta cobrar (inveja)
o terrível imposto de passagem:
"Depressa! Corre! Vai acabar! Vai fenecer!
Vai corromper-se tudo em flor esmigalhada
na sola dos sapatos..."
Ou senão:
"Desiste! Foge! Esquece!"
E os fracos esquecem. Os tímidos desistem.
Fogem os covardes.
Que importa? A cada hora nascem
outros namorados para a novidade
da antiga experiência.
E inauguram cada manhã
(namoramor)
o velho, velho mundo renovado.
 
(Aos namorados do Brasil  - Carlos Drummond de Andrade)

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Axé, Brasil!

Segunda-feira, 11.06.07

 

 

 

Destas casas
nada sobrou
senão alguns
pedaços de muro

De quantos
me foram próximos
nada sobrou
nem tanto

No coração porém
nenhuma cruz me falta

É o meu coração
a região mais destroçada

(San Martino del Carso - Giuseppe Ungaretti)

 

 

 

PS: não se faz política com o coração.

Mas, só pra esclarecer, nunca fiz política.

Apenas amei as minhas fantasias coletivas.

 

 

 



 

 

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Uma "palhinha".

Segunda-feira, 11.06.07

 

 

Hélio Santos

Foto: Afropress

 

 

 
O jornal O Estado de São Paulo promoveu um debate entre o professor Hélio Santos, destacado militante do movimento negro e Demétrio Magnoli, geógrafo e atual porta-voz dos que combatem políticas de ações afirmativas para negros, especialmente a política de cotas nas universidades.
O debate está postado no site da Afropress - aí ao lado e no link abaixo - mas este trecho merece destaque, quando Hélio Santos rebate o argumento de Magnoli sobre as políticas de discriminação positiva para os negros provocarem a divisão do povo brasileiro!
 
 
" Você e seus parceiros falam no perigo das divisões. Mas, na minha opinião, mais perigosas do isso são as exclusões. Há pouco tempo um empresário do sul, bem branco, contou que teve que afastar uma de suas funcionárias, responsável pelo recrutamente de meninas que trabalhavam como digitadoras. Ele fez isso depois de constatar que tinha 30 funcionárias e nenhuma era negra. Ou seja: as cotas de 100% para os brancos estão aí desde sempre e ninguém contesta.
O Brasil, portanto, já está bem dividido. As políticas de ação afirmativa buscam recuperar prejuízos históricos, que podem ser calculados em real ou dólar. Todos os estudos, não importa qual seja o instituto de pesquisa, identificam muito bem os pretos e os pardos situados em posições muito abaixo da população branca; todos mostram que negros trabalhando na mesma região e com a mesma escolaridade percebem menos que os brancos.
Quanto ao fato de os negros terem sido escravizados com a ajuda de outros negros, insisto: é irrelevante. Na história, todos os povos escravizaram a si próprios.
O problema real é outro. Enquanto o negro era objeto de pesquisas, para os acadêmicos estava ótimo. Deixou de ser assim quando disse: também quero estar nessa universidade, construí este país por 354 anos e quero minha parte, quero mostrar que tenho talento não só no futebol.
Nossos jogadores de futebol são elogiados no mundo inteiro. Por quê? Porque é a única área dessa sociedade onde não há discriminação. Ali, o branco que tiver talento vai em frente. E o negro, também. E ninguém aqui há de confundir futebol com algo que não requer inteligência. Para jogar tem que ter criatividade, senso de antecipação, velocidade de raciocínio... Quem joga bola pode pilotar Boeing, ser chefe de redação."
 
 
 
 
 

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Adelina Braglia às 09:22

As cores da liberdade.

Domingo, 10.06.07

 

Três milhões e meio de pessoas foram às ruas em São Paulo, na Parada Gay.

 

Pai e filha também.

 

O arco-íris é bonito.

 

São as cores da liberdade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Fotos: Agência Folha.

 

 

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 23:45

E porque hoje é mesmo sábado....

Sábado, 09.06.07

 

 
 
Talvez por esta presunção de ter privilégios numa sociedade injusta, não consegui dar continuidade ao ensino religioso e perdi a minha fé logo no começo desta caminhada.
 
 
Creio que a presunção é responsável também pela desconfiança com que vejo a astrologia, as sinas, os fados e os destinos. Surpreendo-me, no entanto, muitas noites, rezando a oração do Santo Anjo - que Rosa, carinhosamente, ensinou aos meus filhos quando eram pequenos – e faço isto pensando que é o melhor, para protegê-los de mim e do mundo.
 
 
Desprezo a suntuosidade, considero a riqueza, sob suas diversas formas, um roubo – herança, apropriação do trabalho alheio, ou roubo mesmo -  e acredito, como Lulu Santos, que toda  forma de amor vale a pena. Mas isto não faz de mim uma pessoa melhor do que gostaria de ser.
 
 
Desisti de acreditar no futuro que nunca chegou e lembro que éramos muito felizes na década de 50, quando a industrialização parecia vir sanar todos os nossos males e podíamos expor sem remorsos nosso egocentrismo na música popular brasileira, olhando o barquinho e nos ufanando do mar de Copacabana.
 
 
Olho a Bia aqui ao lado e penso que jamais direi a ela desta minha amargura. E porque esta é uma linda tarde de sábado, vamos tomar sorvete, que o tempo dela é curto para tanta alegria.
 

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Adelina Braglia às 15:31


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