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Um rap para o Senador.

Domingo, 29.04.07

 

 

 

 


A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Mesmo que a lei nem chegue à votação na Câmara, isto é um péssimo indicativo.  É um indicativo de que se propõe a dupla criminalização da pobreza e no maior plenário da nação, isto pareceu "natural".

Os adolescentes pobres e, principalmente,  negros , que já nascem à margem da cidadania, seriam os primeiros e os que majoritariamente “inaugurariam” a nova lei. Os meninos de famílias quase-boas, têm a seu favor os bons advogados e a influência dos pais e parentes, como aqueles que mataram o índio Galdino, em Brasília.


Isto indica também o descompasso entre as causas e os efeitos da violência no Brasil.
A Frente Parlamentar da Criança e do Adolescente divulgou que menos de 10% dos delitos no Brasil são praticados por menores de 18 anos e destes, 1,9% são crimes contra a vida.

Na reunião da Comissão no Senado, o senador Eduardo Suplicy fez a defesa do seu voto, contrário á redução da maioridade penal e interpretou versos do rap Um homem na estrada, de Mano Brown. Nossos senadores, segundo o clip postado pelo Estadão, à exceção de Jefferson Peres, caíram na gargalhada. Para eles era constrangedora e risível a interpretação do senador.


Para mim, é constrangedor e nada risível ter uma Comissão de Justiça da qual o senador Antonio Carlos Magalhães faz parte.

Obrigada, senador Suplicy. É bom saber que você ainda luta, ainda acredita e ainda sonha.



Um homem na estrada recomeça sua vida.
Sua finalidade: a sua liberdade.
Que foi perdida, subtraída;
e quer provar a si mesmo que realmente mudou, que se recuperou e quer viver em paz, não olhar
para trás, dizer ao crime: nunca mais!
Pois sua infância não foi um mar de rosas, não.
Na Febem, lembranças dolorosas, então. Sim, ganhar dinheiro,ficar rico, enfim.
Muitos morreram sim, sonhando alto assim, me digam quem é feliz,quem não se desespera, vendo
nascer seu filho no berço da miséria.
Um lugar onde só tinham como atração, o bar, e o candomblé pra se tomar a benção.
Esse é o palco da história que por mim será contada.
...um homem na estrada.

Equilibrado num barranco um cômodo, mal acabado e sujo, porém, seu único lar, seu bem e seu
refúgio.
Um cheiro horrível de esgoto no quintal, por cima ou por baixo,se chover será fatal.
Um pedaço do inferno, aqui é onde eu estou.
Até o IBGE passou aqui e nunca mais voltou. Numerou os barracos,fez uma pá de perguntas.
Logo depois esqueceram, filhos da puta!
Acharam uma mina morta e estuprada, deviam estar com muita raiva.
"Mano, quanta paulada!".
Estava irreconhecível, o rosto desfigurado.
Deu meia noite e o corpo ainda estava lá, coberto com lençol,ressecado pelo sol, jogado.
O IML estava só dez horas atrasado.
Sim, ganhar dinheiro, ficar rico, enfim, quero que meu filho nem se lembre daqui, tenha uma vida
segura.
Não quero que ele cresça com um "oitão" na cintura e uma "PT" na cabeça.
E o resto da madrugada sem dormir, ele pensa
o que fazer para sair dessa situação.
Desempregado então.
Com má reputação.
Viveu na detenção.
Ninguém confia não.
...e a vida desse homem para sempre foi danificada.
Um homem na estrada...

Amanhece mais um dia e tudo é exatamente igual.
Calor insuportável, 28 graus.
Faltou água, ja é rotina, monotonia, não tem prazo pra voltar,hã! já fazem cinco dias.
São dez horas, e a rua está agitada, uma ambulância foi chamada com extrema urgência.
Loucura, violência exagerada. Estourou a própria mãe, estava embriagado.
Mas bem antes da ressaca ele foi julgado.
Arrastado pela rua o pobre do elemento, o inevitável linchamento, imaginem só!
Ele ficou bem feio, não tiveram dó.
Os ricos fazem campanha contra as drogas e falam sobre o poder destrutivo delas.
Por outro lado promovem e ganham muito dinheiro com o álcool que é vendido nas favelas.

Empapuçado ele sai, vai dar um rolê.
Não acredita no que vê, não daquela maneira,
crianças, gatos, cachorros disputam palmo a palmo seu café damanhã na lateral da feira,
Molecada sem futuro, eu já consigo ver, só vão na escola pra comer,
Apenas nada mais, como é que vão aprender sem o incentivo de alguém, sem orgulho, sem respeito,
sem saúde e sem paz.
Um mano meu tava ganhando um dinheiro,
tinha comprado um carro,
até rolex tinha!
Foi fuzilado a queima roupa no colégio, abastecendo a playboyzada de farinha,
Ficou famoso, virou notícia, rendeu dinheiro aos jornais, hã!,cartaz à policia
Vinte anos de idade, alcançou os primeiros lugares... superstar do notícias populares!
Uma semana depois chegou o crack, gente rica por trás, diretoria.
Aqui, periferia, miséria de sobra.
Um salário por dia garante a mão-de-obra.
A clientela tem grana e compra bem, tudo em casa, costa quente de sócio.
A playboyzada muito louca até os ossos!
Vender droga por aqui, grande negócio.
Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim,
Quero um futuro melhor, não quero morrer assim,
num necrotério qualquer, um indigente, sem nome e sem nada,
o homem na estrada.

Assaltos na redondeza levantaram suspeitas,
logo acusaram a favela para variar,
E o boato que corre é que esse homem está, com o seu nome lá na lista dos suspeitos,
pregada na parede de um bar.

A noite chega e o clima estranho no ar,
e ele sem desconfiar de nada, vai dormir tranquilamente,
mas na calada cagüetaram seus antecedentes,
como se fosse uma doença incurável, no seu braço a tatuagem, DVC,uma passagem , 157 na lei...
do seu lado não tem mais ninguém.

A Justiça Criminal é implacável.
Tiram sua liberdade, família e moral.
Mesmo longe do sistema carcerário, te chamarão para sempre de expresidiário.
Não confio na polícia, raça do caralho.
Se eles me acham baleado na calçada, chutam minha cara e cospem em mim é..
eu sangraria até a morte...
Já era, um abraço!.
Por isso a minha segurança eu mesmo faço.

É madrugada, parece estar tudo normal.
Mas esse homem desperta, pressentindo o mal, muito cachorro latindo.
Ele acorda ouvindo barulho de carro e passos no quintal.
A vizinhança está calada e insegura, premeditando o final que já conhecem bem.
Na madrugada da favela não existem leis, talvez a lei do silêncio, a lei do cão talvez.
Vão invadir o seu barraco, é a polícia!
Vieram pra arregaçar, cheios de ódio e malícia, filhos da puta,comedores de carniça!
Já deram minha sentença e eu nem tava na "treta", não são poucos e já vieram muito loucos.
Matar na crocodilagem, não vão perder viagem, quinze caras lá fora, diversos calibres, e eu apenas
com uma "treze tiros" automática.
Sou eu mesmo e eu, meu deus e o meu orixá.
No primeiro barulho, eu vou atirar.
Se eles me pegam, meu filho fica sem ninguém, e o que elesquerem: mais um "pretinho" na febem.
Sim, ganhar dinheiro ficar rico enfim, a gente sonha a vida inteira e só acorda no fim, minha verdade
foi outra, não dá mais tempo pra nada... bang! bang! bang!

Homem mulato aparentando entre vinte e cinco e trinta anos é encontrado morto na estrada do
M'Boi Mirim sem número.
Tudo indica ter sido acerto de contas entre quadrilhas rivais.
Segundo a polícia, a vitíma tinha vasta ficha criminal."

(Um homem na estrada – Mano Brown)

 

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Ademar, Samartaime e Sotavento. E Santos Passos, filho adotivo.

Quarta-feira, 25.04.07

 

 

Eu não tinha aqui um cravo para vocês.

Mas, comemorem por mim.

Beijos.

 

 

 

 

 

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Tolerância 0,5.

Quarta-feira, 25.04.07

 

 

 

O número de jovens assassinados subiu 64% em dez anos - de 11,3 mil em 1994 para 18,6 mil em 2004.

Eles representam 28% da população e 38% das vítimas. A informação é do Jornal Nacional.”

 

http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1475659-EI306,00.html

 

 

Os resultados do Censo escolar indicam que cada vez menos jovens freqüentam as escolas,  a PNAD mostra que as oportunidades de ingresso para quem  busca do primeiro emprego são reduzidas.

 

E as estatísticas locais mostram que 70% dos clientes do sistema penitenciário no Pará são jovens de 18 a 24 anos.

 

E o MEC divulga estudos comprovando que os alunos de escola que têm computadores e os de escolas onde não há informatização, não apresentam diferenças de aprendizado.

 

E eu vejo nos ônibus os jovens entrarem com suas caixas de chicletes, balas, bombons, com uma névoa de desesperança – e às vezes de raiva – no olhar.

 

E, nas páginas policiais, as “quadrilhas” são compostas por meninos da idade do meu filho mais novo.

 

E, na Praça da República, no domingo, enquanto eu andava de mãos dadas com a minha neta, uma criança que mal andava corria da sua mãe,  um pouquinho menos criança do que ela, em farrapos, as duas, mas com um riso incrível no rosto, brincando de pega-pega.

 

E o Presidente da República lança mais um Programa Impacto, o PDE – Plano de Desenvolvimento da Educação. E, no fundo, nos culpa a todos pelo péssimo estado das nossas escolas e do ensino brasileiro. Solenemente diz que o rendimento escolar da criança e as condições de ensino da escola deveriam ser acompanhados pelos pais com mais rigor.

 

“Além de orientar as crianças em casa, é preciso que os pais freqüentem e ajudem a escola, acompanhem o resultado de seus filhos e, também, cobrem da escola o aprendizado de suas crianças”.

 

E eu fico com uma enorme vontade de mandar o presidente descer das tamancas e perder esse olhar de Messias quando verborragicamente parece ter esquecido o que viveu,  tal qual FHC que esqueceu o que escreveu.

 

Um ensino de boa qualidade e uma escola pública de excelência, Excelência, são obrigação e dever do estado, independente dos pais poderem ou não acompanhar o desempenho dos filhos. O pai que sai de casa às 5 da manhã e retorna às 10 da noite, ou porque trabalha a quilômetros de casa ou porque está desesperadamente procurando trabalhar nem que seja a quilômetros de casa, não pode ser responsabilizado por um país onde seu filho, com muita sorte - se não engrossar as estatísticas dos óbitos por morte violenta – vai subir amanhã no mesmo ônibus que eu e olhar com desencanto as águas da baía de Guajará pela janela.

 

Me poupe, Presidente, mesmo com esta próclise gramaticalmente incorreta.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Como um abraço trazido pelas águas.

Quarta-feira, 25.04.07

 

 

Recebido como um abraço, tão apertado que nem parece distante,

tão carinhoso como só um amigo infinito pode mandar:

 



Na cerca a flor
índiga luz
reluz orvalho

(eu, espantalho)

Nela, o novo.
Além, a vila
velha e o raro ovo
na mesa do povo.

Sobre o templo
a flor volátil
da manhã

 

(Índigo blue - Ademir Braz -25 de Abril de 2007 00:54 )

 

 

 

 

Pra decifrar, uma "palhinha":

 

 

(...)

 

Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão
Índigo blue, índigo blue
Índigo blusão

Sob o blusão e a camisa
Os músculos másculos dizem respeito
A quem por direito carrega
Essa Terra nos ombros com todo o respeito
E a deposita a cada dia
Num leito de nuvens suspenso no céu
Tornando-se seu abrigo
Seu guardião, seu amigo
Seu amante fiel

 

(Índigo blue - Gilberto Gil)

 

 

 

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Adelina Braglia às 07:14

A nossa vil tristeza.

Terça-feira, 24.04.07

 

O caos fundiário no estado do Pará já tem um rosário de vítimas, se considerarmos apenas os assassinatos que foram “contabilizados” a partir de estatísticas organizadas pela CPT – Comissão Pastoral da Terra, nas últimas três décadas. Mas, antes disto, a terra paraense acolheu seringueiros e castanheiros mortos e nunca contabilizados, nos acertos de conta nos barracões de aviamento.

 

A “novidade” é que nos últimos trinta e sete anos, as instituições públicas chamaram para si a missão de ordenar a ocupação da terra. E o que conseguiram foi legalizar a desordem fundiária e propiciar que em determinadas regiões se sobreponham “títulos”, grilagens e ocupações efetivas que se plotadas no chão, transformam-se em edifícios de cinco andares.

 

O Governo Federal, sob cuja jurisdição está cerca de 70% das terras paraenses – somadas as que pertencem ao INCRA, IBAMA, FUNAI, as áreas de fronteira e áreas militares – no geral se “faz de morta”. Em 1997, por exemplo, o INCRA detinha cerca de um milhão de hectares de terra em estoque no Pará, consideradas as áreas arrecadadas e não destinadas, das quais a instituição não tinha a menor idéia se estavam ou não ocupadas e em que condições. No órgão terras estadual – ITERPA – a situação é a mesma.

 

Ao lado da já hoje dispersa atividade garimpeira, predatória por princípio, prevalece hoje a exploração madeireira, majoritariamente irresponsável e ilegal. A omissão do Estado, que não destina e disciplina áreas para a atividade e que não fiscaliza, transformou uma atividade econômica, que poderia ser importante fonte de trabalho e renda, em atividade criminosa, onde as ocorrências de trabalho desregulamentado e semi-escravo são flagrantes, isto pra não bater na velha tecla do desflorestamento.

 

E quando o Brasil que se acha o único, aquele que fica abaixo da linha do Equador, e que se “revolta” com a nossa ignomínia, irresponsabilidade, alto grau de corrupção e incompetência – sim, porque é assim que nos olham – nos perdemos entre a perplexidade e a revolta, sonhamos com o recuo para frente e nos albergamos sob o tapete de névoa verde chamado Amazônia, assumindo que somos os únicos responsáveis pela nossa vil tristeza.

 

 

 

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Adelina Braglia às 11:26

"... na cova do lobo não há ateus..." (*)

Sábado, 21.04.07

...ou, "o bom cabrito não berra"...

 

"(...) A indicação do filósofo Roberto Mangabeira Unger (PRB) para ministro-chefe da Secretaria de Ações de Longo Prazo serviu para engrossar ainda mais o coro das críticas ao comportamento de Lula.

Em conversas reservadas, petistas diziam que o presidente alega ter cobertor curto para abrigar os companheiros, mas "quando quer, ele dá um jeito". Mangabeira foi um dos mais ácidos críticos do presidente. Em 2005, definiu o governo do PT como "o mais corrupto da história" e chegou a defender o impeachment (...)"

(Agência Estado)

 

SEALOPRA - sigla perfeita para a nova Secretaria, sugerida por um comentarista no Blog do Mino.

(*) provérbio húngaro, citado pela Cris no comentário do post anterior.

 

 

 

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Professor Mangabeira e seu livre pensar.

Sábado, 21.04.07

 

 

Do Blog do Mino (aí ao lado), o texto que me fez compreender a origem do meu desconforto pelo convite e pela provável aceitação de Mangabeira Unger para um lustroso e ainda não definido cargo no governo Lula.

 

Quando li a matéria pensei exatamente o que um comentarista do Blog havia já postado: que um ministério do "livre pensar" deveria ser entregue ao Millôr!

 

 

 

"19/04/2007 20:23

Larga distância

Corre o rumor de que o professor Mangabeira Unger, da Universidade de Harvard, seria candidato do presidente Lula para um cargo inédito, conquanto relevante. Dizem tratar-se de um ministério cuja denominação há de ser ainda encontrada. Algo assim como o ministério do livre-pensar, ou do futuro. Altamente estratégico. Mangabeira é figura de grande cultura, é inegável, e até integra a Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos. Não entenderia, porém, a escolha do presidente à luz de outras razões. Em primeiro lugar porque Mangabeira militou ativamente na vanguarda do exército neo-udenista e tucanizado que tanto se empenhou para levar às cordas o governo no final do primeiro mandato de Lula. E, se possível, atirá-lo fora do ringue ao sabor de swings e uppercuts. De fato, em textos candentes, Mangabeira, do alto do seu saber jurídico, advogou o impeachment do presidente. Conheço-o há muito tempo, desde quando me remetia dos Estados Unidos cartapacios manuscritos de leitura nem sempre fácil. Tive com ele relacionamento próximo mais recentemente, quando funcionou com advisor (é a palavra certa) de Ciro Gomes candidato à presidência, no ocaso do governo de Fernando Henrique Cardoso. Tinha bastante consideração por ele, embora nem sempre entendesse suas falas por causa do sotaque de Massachusetts que o caracteriza e que cultiva com indisfarçável desvelo. Dos baixios da minha ingenuidade descobri tardiamente a sua ligação com Daniel Dantas, o banqueiro orelhudo, da qual cuidara de jamais me falar. Fez trabalhos importantes para Dantas, pagos regiamente com os dólares da Brasil Telecom, e o hospeda quando o banqueiro vai aos EUA. Essa situação ensombreceu meu espírito e me sugeriu manter de Mangabeira larga distância."

 

 

 


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Coando café.

Sábado, 21.04.07

 

Nunca fui uma mulher notívaga.

 

Já fui uma jovem mulher que gostava da noite,

como se o descanso ou o prazer ou o lazer se originassem  da ausência do sol.

 

Hoje não. Tenho sono mais cedo do que terminam os shows,

não consigo conversar e ouvir uma música alta

que me impede de entender o que dizem ao meu lado.

E mesmo se há silêncio em volta e a conversa vai muito boa,

bocejo depois da meia-noite.

 

Na verdade,  o foco da minha esperança mudou para o amanhecer.

 

Se o dia anterior sugou minha energia,

aniquilou minha vontade,

escondeu meu desejo - aquele que nunca sei qual é! - debaixo do tapete,

o amanhecer começa sempre com o nível da bateria perto do normal,

com a vontade abanando o rabo pra dizer que está ali,

e o desejo indefinido fazendo um ruído insistente embaixo do tapete,

para que eu me aperceba dele também.

 

Mesmo nos dias chuvosos, que felizmente começam a rarear,

acordar é para mim um ato de renascer,

de sacudir a cabeça - literalmente -

e espirrar a melancolia pra fora do corpo.

 

E  de olhar o jornal e de novo me irritar com tanta hipocrisia

nas propostas que reinventam a roda, mas a fazem quadrada,

e saber que enquanto ela dá solavancos até reaqdquirir a forma arredondada,

há mais sofrimento e mais dor para os que não são "cidadãos de primeira classe",

os cerca de 70% do povo brasileiro.

 

E enquanto o café escorre do coador para o bule

 - eita palavra antiga! - me encho de energia

e concluo que  a cafeína merece estudos complementares

e acredito em mim, e na humanidade

e no meu amor.

 

E retiro, todas as manhãs, o tapete de cima do indefinido desejo,

para que ele respire.

 

 

 

 

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Contra-luz.

Sexta-feira, 20.04.07

 

 

 

 

Os meus olhos têm vícios feios,
e por isso não conseguem mais abrir-se para novas visões.
 
É como se ao olhar, eu deduzisse.
Como faço com as pessoas,
com as palavras
e com os sentimentos.
 
Com isto perco a chance de enxergar novas formas nas antigas visões.
E de identificar melhor formas indefinidas ou vultos,
já que me acostumei com formas indefinidas e vultos.
 
Ou de perceber que mudaram as velhas pessoas.
 
Ou de admitir que os sentimentos são mutáveis
e que não adianta catalogá-los.
 
 
 
 
 

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Aviso aos meus navegantes...

Sexta-feira, 20.04.07

 

Como o tal azar jamais anda desacompanhado, hoje roubaram meu celular e, se não bastasse, um virus ou sei lá o que, me fez perder todo meu arquivo no computador. O celular já era, mas o micro está saneado!

Assim, como sem vocês eu sou quase ninguém,  "please", colaborem. Mandem mensagem pro meu e-mail, para que eu recupere meu precioso cadastro. E mandem o telefone também!

Beijos.

 

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