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O retrocesso que pode virar avanço.

Sexta-feira, 30.03.07

 

 

 

Foto: capturada  de Samartaime, aí ao lado.

 

 

A destinação de cotas para negros nas Universidades brasileiras, pelas reações que provoca, é a ponta do iceberg do racismo e da intolerância. Acesa a luz vermelha que atinge diretamente os privilégios das classes A e B, agora, literalmente,  toca-se fogo na casa.

 

Já escrevi sobre isto aqui e no site da Afropress. Há três anos discuto, onde quer que me chamem, em defesa das cotas. Para dizer, sempre, que as cotas são um direito, consolidado numa política de ação afirmativa, discriminando positivamente quem é discriminado secularmente, negativamente.

 

A hipócrita sociedade brasileira sempre aceitou como fatalidade ou dom divino as cotas negativas imputadas à população negra: são os pretos e os pardos os menos alfabetizados, os mais pobres e o maior percentual entre os indigentes. São milhões de brasileiros que silenciosamente, há séculos, pagam com seu suor e trabalho os privilégios das camadas que têm acesso aos "benefícios" da república, recebendo em troca  o gueto como possibilidade de futuro. O gueto moderno, configurado nas moradias das favelas e dos bairros mais desassistidos das periferias, nos postos de trabalho mais frágeis, desestruturados e mal remunerados e, evidentemente, nos presídios.

 

Observe-se que somente em 2001  - e e aqui, louve-se Fernando Henrique Cardoso - em Durban, que Governo brasileiro assumiu pela primeira vez o racismo existente na sociedade "cordial". Ainda assim, isto foi resultado das pressões do movimento negro e da imposição de acordos internacionais, pois no andar da nossa carruagem a Casa Grande e a Senzala ainda seriam mostradas ao mundo como conviventes e harmoniosas!

 

Pois bem, agora, a turminha da Casa Grande resolveu tocar fogo, literalmente, na discussão! E, quem sabe agora, felizmente sem vítimas fatais - ainda - o Governo assuma que a ampliação do debate e a defesa das cotas como compromisso no combate à desigualdade é direito e não beneplácito governamental que pode ser retirado quando meninos de famílias quase boas se aborrecem!.

 

 

 

 

PF tem provas de que incêndio na Unb foi criminoso


Os primeiros indícios apontam para racismo e xenofobismo e já há dois suspeitos -

 

Vannildo Mendes

 

BRASÍLIA - A Polícia Federal já tem provas de que foi criminoso o incêndio ateado em três apartamentos habitados por alunos africanos na Casa do Estudante Universitário (Ceu), da Universidade de Brasília (UnB), na madrugada da última quarta-feira. O reitor classificou a ação de "atentado".

Os primeiros indícios apontam para racismo e xenofobismo (preconceito contra estrangeiros) e já há dois suspeitos, provavelmente alunos brasileiros da mesma universidade, que foram vistos no local momentos antes do incêndio.

No momento em que as portas dos apartamentos foram incendiadas, havia dez estudantes africanos dormindo. Os criminosos colocaram tijolos em volta das portas para dificultar a fuga e esvaziaram extintores, numa evidência de que o crime foi premeditado.

A seguir, jogaram combustível nas portas e atearam fogo. Dos extintores e da garrafa plástica, encontrada parcialmente preservada do lado de fora do imóvel, foram recolhidas impressões digitais, que estão sendo analisadas pela perícia técnica da PF. Ninguém se feriu por sorte, mas houve muito pânico.

Os depoimentos de oito testemunhas e dos primeiros suspeitos serão tomados nesta sexta-feira. O crime chocou os meios políticos e a comunidade Universitária.

Providências

Uma comissão de representantes do Congresso, da Secretaria Especial de Política de Proteção Racial (Seppir) e de órgãos de combate ao racismo reuniu-se nesta quinta-feira com o reitor da UnB, Timothy Mulholland, para cobrar providências.

Estiveram presentes ao encontro o ex-reitor da UnB, senador Cristovam Buarque (PDT-DF) e o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara e ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE).

Mulholland anunciou punição exemplar para os autores do crime, que serão expulsos se forem alunos e uma série de medidas para conter o xenofobismo e o racismo na instituição, pioneira na implantação de cotas raciais para negros em seus cursos. A UnB decretou o dia 28 de março como dia da igualdade racial para lembrar a data da agressão.

Mediante acordos internacionais, a UnB tem cerca de 400 estudantes estrangeiros, dos quais 23 vivem na Céu. Entre esses, 20 são oriundos de países africanos.

Provocações

Antes do incêndio, a comunidade africana já vinha sendo provocada com frases xenófobas pintadas nos muros da universidade, hostilidades e até brigas. As portas dos apartamentos incendiadas haviam sido pintadas com cruzes vermelhas e o símbolo da organização racista norte-americana Ku Klux Klan (KKK).

O reitor informou que tomou conhecimento de uma escaramuça entre brasileiros e africanos há seis mese,s mas não imaginou que a situação fosse chegar a esse ponto.

As principais testemunhas, Luis Melo Co e Adilton Fernandes Indi, ambos oriundos da Guiné-Bissau, moradores dos apartamentos 106 e 112, fizeram um relato dramático do atentado.

Na representação entregue à Seppir, à PF e ao Itamaraty e demais autoridades, eles dizem que os africanos residentes foram vítimas de violenta tentativa de homicídio e pedem "garantias mínimas" de vida ao Estado brasileiro. Relatam também que as hostilidades são antigas e relatam que, além das frases pichadas, desconhecidos haviam jogados pedras nos imóveis.

Um dos trechos da representação, à qual o Estado teve acesso, faz o seguinte relato:

Atearam fogo às portas dos nossos apartamentos covardemente enquanto dormíamos, não tivemos chance de defesa e por pouco uma tragédia de maiores proporções não aconteceu. Tivemos que saltar pela janela e chamar os seguranças para tentar controlar o fogo.

Nossas companheiras do apartamento 207 do segundo piso, que também foram alvo da violência injustificável, quase se lançaram pela janela. Curiosamente os extintores estavam todos esvaziados

http://estadao.com.br/ultimas/nacional/noticias/2007/mar/29/399.htm

Atualizando:

Polícia Federal já tem os nomes de três suspeitos
Por: Redação - Fonte: Afropress: Foto: Assessoria de Comunicação Social da UnB - 29/3/2007

Brasília - As Polícias Federal e Civil de Brasília já tem os nomes de três suspeitos do atentado praticado contra estudantes africanos da Universidade de Brasília (UnB), na madrugada de quarta-feira (28/03). Os três são estudantes da Universidade, vizinhos dos africanos na Casa do Estudante Universitário, no Bloco B, na Asa Norte.
Os nomes estão sendo mantidos, por enquanto, em sigilo para não atrapalhar as investigações e também porque é possível que haja outros envolvidos na gangue racista que atacou os africanos, enquanto dormiam.
Ontem, o estudante Adilson Fernandes Indi, da Guiné Bissau, contou a Afropress os momentos de pânico e terror que viveu com colegas, ao perceber que as portas dos apartamentos tinham sido incendiadas.
“Foi tudo espontâneo pra mim. Ninguém esperava. Estávamos dormindo, quando de repente ouvi a explosão. Eu acordei porque estava com sono leve. Vi chamas na porta toda e a fumaça invadiu a sala onde eu dormia”, contou.
Ele disse que a primeira providência foi chamar os colegas para dar o aviso de que tinham botado fogo nos apartamentos. “Eu pulei a janela, chamei o segurança. Foi uma coisa permitida e bem feita porque eles tinham desativado os extintores. Depois chegou a Polícia e os bombeiros”, acrescentou.
Indi e mais 16 colegas, da Guiné Bissau, da Nigéria e do Senegal estão alojados provisoriamente em um hotel da Asa Norte, cujo nome não foi revelado por razões de segurança. As despesas estão sendo bancadas pela Universidade, segundo garantiu o reitor Timothy Mullholand, mas eles não sabem até quando vão ficar.
Apesar de todos ainda estarem chocados com a violência, Indi, aluno do Curso de Sociologia, disse que ninguém pensa em desistir. “Agente tem um objetivo. Alguns estão em fase final. Só voltamos ao final do curso”, acrescentou. Ele disse que os colegas já tranqüilizaram os familiares nos seus países e agradeceu a solidariedade. “A solidariedade foi muito grande de colegas da Faculdade e dos movimentos estudantis negros. Nos deram grande apoio”.
Suspeitos
Os criminosos racistas que praticaram o atentado na Casa do Estudante Universitário são, muito provavelmente, vizinhos dos estudantes porque os dois seguranças que trabalham no prédio, não viram movimento de ninguém estranho.
As suspeitas recaem sobre um grupo de alunos que, em outras oportunidades, já havia hostilizado os africanos, com comentários racistas. A reitoria da UnB tinha conhecimento de que o grupo costumava fazer comentários de caráter racista e xenófobo contra a presença dos africanos na UnB e nos alojamentos da Casa do Estudante.

 

 

 

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A dormir.

Quarta-feira, 28.03.07

 

A chuva hoje lavou Belém boa parte da noite.
Os loucos das ruas estavam soltos,  não sei se liberados pela chuva
ou pela lua escondida nas nuvens.
Eu não tenho sono. Ele dribla meu cansaço.
Releio notícias, colo-as ali embaixo, no post que antecede este.
Penso que tenho um trabalho a fazer e poderia aproveitar a falta de sono,
etc. etc. etc.
Mas o que me falta é sono, enquanto sobra cansaço
e por isto não quero fazer meu trabalho.
Fazer o Blog é uma total imodéstia.
Gosto mais de expor o fígado do que o coração,
mas, ele sempre vem, aos pedaços.
Acho que faço disto um exercício psicanalítico (desculpe, Ana):
espalho aqui meus pedaços  na esperança de juntá-los, um dia,
numa foto 3 x 4.
E, de repente, veio uma saudade mesclada, de pai e mãe,
da avó que fazia compotas e parecia com isto
ter todo o controle sobre a dor e o prazer.
Uma imagem atravessa rápido este discurso  e é a visão de um pasto,
enorme,
onde uma vez,  ainda menina,
andando atrás de macaúbas pra levar pra mãe,
espetei o pé numa folha da palmeira,
correndo de um boi chamado Pingo de Ouro.
Não, pra caber tudo isto, não dá pra ser 3 x 4.
Vamos lá, a dormir.

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Adelina Braglia às 05:46

A surdez republicana, ou Fala, Francelino, 2!

Quarta-feira, 28.03.07

 

Está desde o dia 23 no Blog do Mino Carta. E estava antes na Carta Capital. E logo a seguir, entrou no Blog do Paulo Henrique Amorim.
 E até o momento, nenhum desmentido, nenhuma resposta.

 

 
" 23/03/2007 18:25

O nosso BC

Falar de república não é do apreço da elite nativa. A palavra republicano causa-lhe engulhos, a ela e aos seus escribas. Nesta edição, CartaCapital esclarece que os senhores “não gostam de ser ensinados que a vida republicana supõe a interdependência dos poderes, a precedência do interesse coletivo sobre as conveniências individuais, a impessoalidade da gestão da coisa publica, a publicidade dos atos praticados pela administração e a obediência da burocracia à lei e às decisões judiciais”. Tratam com desprezo os princípios republicanos, os donos do poder. Por exemplo, o senhor Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, e sua equipe de astrônomos. Revela Márcia Pinheiro na CartaCapital, já nas bancas de São Paulo, que entre quinta 15 de março e sexta 16 dois diretores do BC encontraram-se sigilosamente com executivos de instituições financeiras para discutir assuntos que lhes dizem respeito e, salvo melhor juízo, a nós todos. Os astrônomos em questão são o diretor da Política Econômica e Estudos Especiais do BC, Mario Mesquita, e o diretor da Política Monetária, Rodrigo Azevedo. Meirelles também compareceu, mas não falou. Houve três reuniões em São Paulo e um ano Rio de Janeiro, “nas sedes regionais do banco, prédios públicos”, anota conscienciosamente Márcia Pinheiro. A qual encontra no episodio a enésima prova de como no Brasil publico e privado confundem-se indissoluvelmente. Não é o que acontece nos paises onde os princípios republicanos vigoram e onde o Banco Central é entidade institucional, destinada a servir o Estado e a Nação, e não este ou aquele governo. Nada disso por aqui. E ainda nos damos ares de país democrático. Porta-voz do Fed, o BC dos Estados Unidos, consultado em Nova York por CartaCapital sobre a possibilidade de encontros secretos entre gente do banco e gente do mercado no gênero daqueles ocorridos no fim da semana passada no Rio e em São Paulo, não escondeu seu espanto. Como de hábito, pergunto aos meus botões: será que o presidente Lula e o ministro Mantega vão ficar espantados? Será que a mídia nativa, com as habituais, raríssimas exceções (em primeiro lugar Paulo Henrique Amorim e sua Conversa Afiada) vão repercutir as revelações de Marcia Pinheiro?"
 
26/03/2007 16:00h  
MÍDIA FINGE QUE NÃO VÊ ESCÂNDALO DO BC
Já que estamos em pleno "caos aéreo" e o barulho dos motores dos aviões não ensurdece a mídia conservadora, bem que ela podia ouvir "o clamor das ruas": o escândalo provocado pela reunião secreta do presidente do Banco Central e dois de seus ilustres diretores com 80 (*) economistas de instituições financeiras para "entregar o ouro" sobre as premissas da política monetária (e cambial) do país.
Não há uma única, mísera linha na mídia conservadora sobre a reportagem da Carta Capital que foi para as bancas na sexta-feira.
Nada. Como diria Eça de Querioz, falam mais do "Bei de Tunis" do que sobre o escândalo. Como diz o Mino Carta, é "um silêncio ensurdecedor".  
(Clique aqui para ir ao Blog do MINO).
 (*) Será que nenhuma instituição financeira que não tenha sido convidada para a reunião secreta vai entrar na Justiça e exigir equidade? Secreta, então, também quero!!!
 Penso seriamente em fazer isso. A PHA Comunicação e Serviços é uma instituição financeira sólida, lucrativa, que paga todos os seus impostos, e tem entre seus múltiplos produtos oferecer aos internautas do iG análises financeiras profundas e bem-humoradas. Vou consultar meu advogado – ilustre – sobre a possibilidade de entrar com essa ação contra os "cientistas", ou "astrônomos", como diz o Mino, do Banco Central.  
Vamos supor uma situação diferente. Digamos que a revista (?) Veja tivesse publicado reportagem sobre uma reunião secreta do Ministro do Trabalho com 80 lideres sindicais sobre o índice que o Presidente Lula já tinha escolhido para reajustar o salário mínimo e qual a estratégia política que os sindicatos deveriam adotar para apoiar a decisão do Presidente da República. Imaginem! Quantas CPIs o Estadão, a Folha, o Globo, o Jornal Nacional, os deputados Jose Carlos Aleluia, ACM Neto, e os Senadores Heráclito Fortes e Artur Virgilio já teriam pedido? Qual seria o titulo do próximo artigo do Farol de Alexandria? "A volta da República Sindicalista!" E a Miriam Leitão no Bom Dia Brasil: "Jango não faria pior!!! Basta!!! Isso é uma ameaça à biomassa amazônica!!! Ta vendo no que dá o etanol? Dá nessas coisas!!!"

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Adelina Braglia às 05:10

Fala, Francelino!

Segunda-feira, 26.03.07

 

"Cozinha" de escola na área rural de Baião, Pará, Brasil.

 

Francelino Pereira, ex- deputado federal e depois senador, medíocre parlamentar que, como muitos,  floresceu na ditadura, acabou ficando famoso ao pronunciar a célebre frase: “Que país é este”, como se nada tivesse a ver com o longo período de desconstrução do país.

 

Hoje lembrei da frase ao ler matéria no Estadão que informa que professores da rede pública que fazem cursos de capacitação não conseguem que seus alunos tenham melhor desempenho do que aqueles que são alunos de professores que não têm formação continuada.

 

Junte-se a isto a informação de que nos últimos anos jovens deixam de freqüentar a escola.

 

Só falta responsabilizar agora os professores e os alunos, pois para sabermos que país é este, alguém há de ser culpado e, como sempre, desde os tempos de Francelino, não são os que causam os problemas! Culpados devem ser os alunos que “fogem” de uma escola desvinculada da sua realidade e os professores, incapazes de transmitir  conhecimentos suficientemente atraentes para manter os meninos lá dentro!

 

Na matéria, há uma opinião para levar a sério. É a da Professora Maria Lucia de Almeida, do Centro do Professorado Paulista, que afirma que quem pensa os cursos está fora da sala de aula, longe do contexto que envolve alunos e professores.

 

E, ao invés de discutirmos o que fazer para que essa conexão óbvia ocorra – realidade do entorno e dos protagonistas e adequação destes fatores ao programa de capacitação -  percebe-se um avanço da economicamente interessante e atraente “educação à distância”.

 

Aliás, proponho a alteração de nome desta modalidade, pois educação à distancia é aquela que praticamos secularmente: distante da realidade, distante dos objetivos comuns da comunidade, distante da dignidade que requer exercer a função de professor.  Sugiro “educação volátil”. Aquela que se desmancha no ar.

 

 

 

 

PS: pelo andar da carruagem, isso vai dar uma série: Fala, Francelino 2, 3, 4, 5.....

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Um abraço pra Cris, com o poema de Moçambique.

Segunda-feira, 26.03.07

 

No meu país
a (in) competência doentia
mutila-nos o sorriso
e nós teimosamente arranjamos muletas e sorrimos
deitados à sombra da esperança
esculpida pela nossa paciência.
Coragem, gente, pois galopa célere o instante
em que sorriremos sem muletas!

 

(Sorrisos mutilados – Carlos Zimba )

 

 

Abração, Cris Moreno.

Sair do fosso e caminhar sem muletas, ainda é a meta.

Mesmo que não seja célere,

mesmo com o sorriso mutilado.

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Arroz doce com rúcula e alface.

Domingo, 25.03.07

 

Eu gosto de doce de abóbora com coco e de arroz doce com muita canela.

 

Gosto de água quente para tomar banho, independente da temperatura ambiente.

 

Gosto de massas. Todas. E de molho de tomates, no máximo com manjericão.

 

Gosto de vinho, mas já gostei muito de vodka.

 

Não gosto da minha vida como está. Não gosto do tempo em que vivo, muito aquém do que sonhei que iria construir.

 

Ainda gosto da Bethânia, mas Gal já não me emociona.

Caetano faz muito tempo que desgosto, desde Circuladô de Fulô, seu último disco que me deu prazer ouvir.

 

Mas, ainda amo Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro. E Aldir Blanc.

E a voz da Nana sempre me dá prazer.

Mas gosto dos mais jovens: Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto, Ceumar. E Renato Braz. Grande garoto.

 

Sinto, às vezes, uma secura no coração.

Toda vez que sinto isso lembro de Adélia Prado,

e não sei explicar porque, já que ela é a poeta do coração molhado de amor por tudo.

Mas, o poema que vem à cabeça é de Eugénio de Andrade:

 

 

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

 

 

Gosto tanto de caqui, fruta macia, e os compro em cada esquina onde os encontro!

 

Gosto de polenta com carne moída, salada de rúcula, alface e tomate.

Com muito azeite, limão, alho e sal.

 

E ultimamente, tenho gostado muito de ficar sozinha.

Redescobrindo que, na verdade, não sou muito de companhia.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Meio copo de ódio.

Quinta-feira, 22.03.07

 

O recado musical do meu inconsciente costuma ser cifrado demais pra minha capacidade de devora-lo! Mas algumas vezes, eu consigo.

 

Agora, por exemplo, ouço, de novo, porque recorrente dentro da minha cabeça, o Zeca Baleiro cantando “... eu não quero ouvir você curtindo ódio...” e este recado me parece tão claro que poderia ter sido enviado pelas boas almas do paraíso!

 

A minha velha “cordialidade”, típica dos que querem romper o cerco pelas beiradas, a formação católica que rejeitei mas que deixou sequelas e que faz com que seja feio sentir ódio,  não tinha permitido que eu usasse a palavra certa para identificar este sentimento que me toma há meses e que eu chamo de cansaço, desanimo, intolerância. Mas, a palavra certa é ódio. Palavra e sentimento, forte, denso.

 

É ódio o que sinto quando vejo que, a cada geração, o empobrecimento é maior. É ódio o sentimento que brota quando sinto o cheiro imundo das valas das baixadas da Estrada Nova, onde crianças de 0 a 4 anos morrem afogadas – isso, afogadas! – e compõem estatísticas de mortandande em Belém. Ou em Recife. Ou no Jardim Ângela, em São Paulo!

 

É ódio o que me faz chorar – e não a velha e boa comiseração ou compaixão – quando vejo nas calçadas da cidade jovens da idade do meu filho, jogados pelo chão, entupidos de drogas, maltrapilhos, sujos, dormindo para esquecer a vida  infértil que lhes está destinada.

 

Não, não é nada produtivo o ódio. Mas, é com ele que olho as estatísticas adredemente falseadas: “reforma-se” o cálculo do PIB e, subitamente, a partir do início do democrático governo Lula, o PIB cresceu mais do que calculado! Delfim Neto, na ditadura, não conseguiu ser melhor do que isto!

 

Se o PIB cresceu mais nos últimos 4 anos do que sabíamos antes, então há de ser por preguiça ou vagabundagem que neste mesmo período os jovens deixaram de freqüentar a escola, que adultos não podem comprovar experiência profissional quando a têm, porque trabalharam sempre sem carteira assinada nos últimos 15 anos, incluindo os 4 do atual presidente!

 

É terrível reler um artigo de José Luiz Fiori, de 1994, quando ele analisou os "moedeiros falsos” e observar que depois de década e meia, estamos apenas  cumprindo as mesmas metas:

 

“(...)  o Plano Real não foi concebido para eleger FHC, foi FHC que foi concebido para viabilizar no Brasil a coalizão de poder capaz de dar sustentação e permanência ao programa de estabilização do FMI, e dar viabilidade política ao que falta ser feito das reformas preconizadas pelo Banco Mundial (...)”

 

 

E percebe-se que Lula  cumpre a terceira etapa, revestido de messianismo e da arrogância que disto decorre:

 

“(...) a formação prévia de uma coalizão de poder suficientemente forte para aproveitar as condições favoráveis e assumir, por um longo período de tempo, o controle de governos sustentados por sólidas maiorias parlamentares. Esta, sim, uma condição considerada indispensável para poder transmitir "credibilidade" aos atores que realmente interessam, neste caso: os "analistas de risco" das grandes empresas de consultoria financeira, responsáveis, em última instância, pela direção em que se movem os capitais "globalizados(...)"

 

Só mais um comentário: a nossa “coalizão de poder suficientemente forte” ou “sólida maioria parlamentar” se sustenta no aprimoramento da compra da fidelidade nas votações no Congresso, com a partilha do saque dos Ministérios entre os aliados, sujeitando-se o Presidente até mesmo à  recente palhaçada da indicação do ex-quase-futuro Ministro da Agricultura e recorrendo agora, ao que se lê, a Reinhold Stephanes,  ex-quase-futuro democrata do PFL e agora peemedebista desde criancinha!

 

E faz sentido a “trilogia” presidencial dos últimos 7 dias: os ministros são heróis, os usineiros são heróis e Collor é um ilustre senador.

Tinha razão o Velho: que farsa é a história quando se repete, e se repete, e se repete.

 

 

Atualizando: que alívio ler o post do Blog do Mino. Meu ódio pareceu menos intempestivo...rsrsrs...

http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/2007_03.html#post_18803364

 

 

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Adelina Braglia às 12:55

Dia Internacional de Combate ao Racismo.

Quarta-feira, 21.03.07

 

 

"(...) Uma outra questão diz respeito aos privilégios. Nós, brancos(as), temos que admitir que só se acaba com o racismo se estivermos dispostos a terminar com muitos privilégios que temos pelo simples fato de sermos brancos(as), pois a outra face do preconceito racial são os privilégios que desfrutamos como brancos (por exemplo, um homem branco ganha mais que um homem negro, mesmo que desempenhe a mesma função).

Podemos até dizer, e admitir, que sejam “privilégios históricos” e que não lutamos por eles, mas não é possível acabar com o racismo sem mexer, por exemplo, nos mecanismos de concentração de riquezas (os beneficiados pela concentração de todas as formas de riqueza somos nós, brancos). A estrutura social, cultural, política e econômica levou e leva a isso.

Está na hora de sociedade e Estado enfrentarem o racismo com toda a radicalidade e por todos os meios. Só assim, conseguiremos realmente ser a nação brasileira (...)"

www.dialogoscontraoracismo.org.br

 


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Caramba, Presidente!

Terça-feira, 20.03.07

Foto: Agenciaestado

 

Há menos de uma semana, o Presidente Lula chamou seus ministros de heróis, por aceitarem o parco salário de servidor público do primeiro escalão, privando-se de salários mais "confortáveis" na empresa privada.

 

Hoje, chama os usineiros de "heróis"!

 

Isso, eles mesmos, que só plantam financiados, só produzem subsidiados, que, na sua maioria, oferecem aos seus trabalhadores - os famosos bóias-frias - péssimas condições de trabalho.

 

No andor da Vossa carruagem, Presidente, em breve Cecílio Rêgo Almeida será condecorado com a Ordem do Mérito da Grilagem!

 

Caramba! 

 

 

 

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Depois do auto-retrato, a auto-crítica.

Terça-feira, 20.03.07

 

Um comentário meu, ontem, no blog Quinta Emenda (aí ao lado), no post Plano de Vôo, valeu-me um merecido puxão de orelhas de outro comentarista.

Respondi, o mais sinceramente que pude, mas eu não me convenci, embora Francisco Rocha Junior, o comentarista, tenha sido um cavalheiro. Parecia faltar alguma coisa que mesmo sem saber, eu intuía que não havia dito. E hoje, lá veio o bordão que aqui segue.

Não me convenci, porque meus argumentos estavam centrados apenas na minha experiência, e dela sempre quero fazer um manual de bom comportamento para os poderosos de plantão.

E, se me vanglorio de ter sido democrática na minha pífia e curta gestão como vereadora e vice-prefeita, e depois como gestora de um programa de governo, olho os resultados, ou aquilo que restou da minha interferência e sinto um nó imenso na garganta. Especialmente no que respeita aos mandatos eletivos.

Não, não há remorso. Não é esse o problema. Cada minuto dos 15 anos vividos lá, valeram o aprendizado, as dores e as alegrias de tê-los vivido, quer em situações adversas nos momentos de fúria dos adversários, quer na felicidade de termos avançado, ainda que pouco, frente aos muitos recuos.

Não saberia fazer nada diferente do que fiz. Mas sei hoje que poderia ter sido menos compassiva com a aparente fragilidade do outro – sintoma de arrogância - ou então ter sido menos presunçosa ao achar que eu ia à frente e, como o caminho era o da Luz, os outros seguiriam comigo. E assim foi, até o momento em que mudei subitamente o meu caminho e as pessoas que lá ficaram optaram por seguir por onde bem achavam que era melhor. E sobrevivem muito bem sem meu farol de milha.

Não sobrou muita coisa, daquilo que eram os “meus” desejos. À minha revelia, sou um nome de rua e de uma sala- biblioteca, e vez em quando – muito raramente - pairo no céu da cidade, como cadáver insepulto.

Como já purguei muito as dores da auto-crítica, preciso reafirmar, para uma completa explicação, o que descobri há dois anos: meu esquerdismo era uma embalagem exigida pelo momento histórico, pelo movimento que floresceria, independente da minha intervenção. Mas essa camisa de força me cabia mal, pois me faltava a consistência necessária para assumir a liderança, e ainda assim, eu a assumi.

Aqui residiu o erro principal. O que me movia – e me move até hoje – é a compaixão pelo sofrimento do outro e a consciência dos meus privilégios num país terrível como este, onde ao nascer já está definido se você será cidadão de primeira ou de segunda classe. Só isto me mobiliza. Apenas isto. Sem enfeites e sem teorias.

E compaixão cada um a exerce como quer, sem que isto lhe dê o direito de construir manuais de postura.

Desculpe, Francisco, mas faltava este pedaço.

 

 

 

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