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Pro Juca.

Quarta-feira, 28.02.07

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Adelina Braglia às 21:24

Uma tocha na parede do túnel.

Terça-feira, 27.02.07

 

Quando a gente só olha o umbigo, perde de vista as imagens ao nosso redor.
Irritada que ando com o engodo do PAC (aliás, crescimento acelerado é doença combatida com dieta especial!) não atentei para a importância da nomeação do Paulo Nogueira Batista Jr como representante do Brasil no FMI.


O que chamou minha atenção foi o artigo do José Carlos Assis, do qual destaco um parágrafo:


É claro que uma instituição pesada como o Fundo, com sua larga burocracia e seus grandes tentáculos de informação estendidos sobre a economia internacional, acabará por encontrar um novo papel no mundo, que não seja apenas o de guardião de uma ortodoxia monetária e fiscal que só continua sendo aplicada por países fracassados. Nesse contexto, é muito importante que um social-desenvolvimentista como Paulo Nogueira seja nosso representante nele. Em algum momento, haverá de se iniciar uma discussão séria sobre ordem financeira internacional. Nesse momento, é importante que quem falará pelo Brasil não seja um desses ventríloquos dos interesses da banca privada internacional.”

(http://www.desempregozero.org.br/editoriais/social_fmi.php)



Mas, fui á caça aqui na minha biblioteca virtual de um artigo escrito pelo Paulo Nogueira em 2004, na Folha de São Paulo, onde ele destaca a importância das alianças “terceiromundistas”, ao comentar a visita do Presidente Lula a Índia.



Com a lucidez que lhe é qualidade permanente, Paulo Nogueira afirma:



“ Descontados os arroubos retóricos, normais em discursos presidenciais, Lula tem razão em frisar o caráter estratégico da parceria com a Índia. Ela constitui um dos principais elementos de uma política que busca fortalecer os laços econômicos e políticos com diferentes regiões do mundo, intensificar as relações Sul-Sul e atuar em conjunto com outros países em desenvolvimento para tornar os organismos internacionais mais representativos e mais independentes dos países desenvolvidos.

(...)

Não se trata obviamente de deixar em segundo plano as relações com os países desenvolvidos. Basta lembrar que os países da União Européia e os Estados Unidos responderam em 2003 por 25% e 23% das nossas exportações de mercadorias, respectivamente. O que se pretende é diversificar ainda mais a estrutura geográfica do comércio exterior brasileiro e usar as alianças com outros países em desenvolvimento, especialmente os de grande porte, para fazer valer os nossos interesses em negociações como as da OMC, da Alca e outras.

(...)
A dimensão bilateral talvez não seja a mais importante no nosso relacionamento com a Índia. Os indianos têm forte tradição de atuação independente nos organismos multilaterais. Nos anos 80, antes da derrocada que começou no final do governo Sarney e continuou nos governos seguintes, o Brasil e a Índia formaram uma importante aliança no Gatt (o antecessor da OMC), com o intuito de impedir que a rodada Uruguai beneficiasse de modo desproporcional os países desenvolvidos, contemplando temas do seu interesse e excluindo os de interesse de países em desenvolvimento. A defecção do Brasil, que acabou cedendo às pressões dos EUA e de outros países desenvolvidos, deixou a Índia praticamente isolada. Isso contribuiu para que os resultados finais da Rodada Uruguai, que desembocou na criação da OMC, fossem basicamente desfavoráveis para os países em desenvolvimento.”


Quanto a mim, é sempre bom lembrar que há lamparinas, e às vezes uma luminosa tocha, nos túneis.

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Sábado com Lobão.

Sábado, 24.02.07

 





Eu me lembro de você ter falado
Alguma coisa sobre mim
E logo hoje, tudo isso vem à tona
E me parece cair como uma luva

Agora, num dia em que eu choro
Eu tô chovendo muito mais do que lá fora
Lá fora é só água caindo
Enquanto aqui dentro, cai a chuva

E quanto ao que você me disse
Eu me lembro sorrindo
Vendo você tão séria
Tentar me enquadrar, se sou isso
Ou se sou aquilo

E acabar indignada, me achando totalmente impossível
E talvez seja apenas isso:
Chovendo por dentro
Impossível por fora

Eu me lembro de você descontrolada
Tentando se explicar
Como é que a gente pode ser tanta coisa indefinível
Tanta coisa diferente

Sem saber que a beleza de tudo
É a certeza de nada
E que o talvez torne a vida um pouco mais atraente

E talvez, a chuva, o cinza, 
o medo, a vida, sejam como eu

Ou talvez , porque você esteja de repente,
assistindo muita televisão

E como um deus que não se vence nunca 
o seu olhar não consegue perceber

como uma chuva, uma tristeza, podem ser uma beleza 
e o frio, uma delicada forma
de calor

 

(Uma Delicada Forma de Calor)

 

 

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Adelina Braglia às 16:50

Assine!

Quinta-feira, 22.02.07

 

No Brasil, “ (...) 27% de jovens brasileiros entre 15 e 25 anos não trabalham nem estudam, por conta de uma política monetária depressiva. São milhões. Alguns se conformam à dependência de pais e parentes, mas se apenas uma pequena proporção deles cai na malha do crime a sociedade inteira está em risco (...)”

“ (...) A criminalidade é produto direto das condições sociais da população. E as condições sociais são decorrência direta da economia política a que temos sido submetidos. Diante das tragédias recorrentes, é comum ouvir as pessoas dizerem que não podemos esperar pela solução da crise social, e que algo urgente tem que ser feito no plano do combate direto à criminalidade. Aliás, essa é a linguagem da classe dominante, a quem interessa manter o status quo econômico, sobretudo as políticas de restrição monetária e fiscal por trás dos altos índices de desemprego e subemprego.
Alguns “especialistas” alegam que o problema criminal é de impunidade. Outros, que denota uma indiferença dos governantes, que agiriam de forma diferente caso as tragédias envolvessem seus filhos. É um raciocínio ingênuo e superficial. Os criminosos de nossas metrópoles estão sujeitos a regras punitivas muito rigorosas. De fato, a maioria deles morre antes dos 25 anos, em confrontos com a polícia ou com outros bandidos. Para estes, já vigora plenamente no país a pena de morte. Por outro lado, as condições carcerárias, quando caem presos, são simplesmente brutalizadoras (...)”

http://www.desempregozero.org.br/editoriais/helio_central.php


A maioria dos jovens brasileiros nasce condenada à pena de morte em vida: morrem de AIDS, morrem em confrontos com traficantes, gangs e policiais, não sei se nesta ordem.
Pretendem agora, com a redução da maioridade penal, tolher-lhes mais ainda a vida.
Leia o texto abaixo e participe:



" A Casa da Juventude demonstra sua posição contrária à redução da maioridade penal, através de uma carta redigida pelo diretor da instituição, Pe. Geraldo Marcos Labarrère Nascimento, e enviada ao Senador Demóstenes Torres, relator da PEC que analisa a Emenda Constitucional de Redução da Maioridade Penal.
Enviamos o documento e pedimos o apoio das instituições para encaminhá-lo ao Senador Demóstenes Torres ( demostenes.torres@senador.gov.br ), e divulgá-lo para toda a sociedade. Toda e qualquer tipo de manifestação no sentido de ampliar a discussão e se manifestar contra a redução da maioridade penal é bem vinda. Essa causa precisa da participação e empenho urgente de todos/as nós."

Leia a carta: http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=26401

 




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Adelina Braglia às 14:57

Oração da quaresma... (*)

Quinta-feira, 22.02.07

 

Livrai-me São Benedito e Santo Ambrósio
daqueles que embrulham argumentos com papel rosa
e escondem no pacote a verde bílis da humanidade.


Livrai-me São Benedito e Santo Ambrósio
dos que se utilizam das palavras arrebanhadas fora de contextos
que, se somadas àquelas de um contexto espúrio,
parecem defender uma boa causa!


Livrai-me São Benedito e Santo Ambrósio
dos bem intencionados sem informações,
e dos tolos e dos crédulos bem informados porque o são por ser mais cômodo.


Livrai-me São Benedito e Santo Ambrósio
dos fascistas de “boas” causas,
dos nazistas de causas “boas”,
dos “patriotas” sem causa.


Livrai-me São Benedito e Santo Ambrósio
da minha impaciência para o florescer do ódio sob todas as suas formas,
e dêem-me a tolerância necessária para combate-lo,
por mais disfarçadas que sejam as embalagens que o guardam.

 


(*) a propósito da Carta Aberta do Forum Mestiço (http://geocities.com/fusaoracial/carta_a_cnbb.htm)

 

 


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Adelina Braglia às 12:10

Mangueira!

Segunda-feira, 19.02.07

 

 

Sem Jamelão e sem Beth Carvalho. Mas, é a MANGUEIRA!!!!

 

 

Foto: agenciaestado

 

 

 

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Adelina Braglia às 10:55

Verde de Lorca para uma travessia torta....

Segunda-feira, 19.02.07

 

Mudança de cores.

Mudança de humores? Não sei.

Percebo apenas a vontade de mudar as cores.

A travessia deixa de ser azul.  Agora é verde.

E a cor nova começa com um pedacinho de  Lorca.

   

 

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.

(...)

 

(Romance sonâmbulo- Federico Garcia Lorca)

 

 

 

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Adelina Braglia às 00:22

Para Bia.

Sexta-feira, 16.02.07

 

 

A foto foi incidental. Mas, ao olhá-la, deu mesmo vontade de esconder a Bia das facetas cínicas, hipócritas, maldosamente subjetivas que vêm da vida que vem pela tela da TV.

 

Mas, não posso. Posso apenas insistir em abraçá-la sempre, beijá-la muito, pegar sua mão e sair passeando, vez em quando, e responder com a sinceridade possível - aquela que não antecipe a dor que virá - a todas as suas perguntas.

 

E cantarolar Gonzaguinha, para que ela aprenda o estribilho,  e confie que ...

 

"..a vida devia ser bem melhor, e será,

mas isso não impede que eu repita

é bonita, é bonita, é bonita..."

 

 

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Adelina Braglia às 20:41

A mesma moeda e suas faces...

Segunda-feira, 12.02.07

 

 

 

Há 4 dias a mídia e segmentos expressivos da sociedade se mobilizam protestando contra a morte violenta de uma criança de 6 anos,  no Rio de Janeiro. A criança foi estupidamente arrastada por quilometros, em plena via pública, por 4 ou 5 jovens que acabavam de roubar o carro de sua mãe. O menino ficou preso ao cinto de segurança, pelo lado de fora da porta, quando tentava sair do carro.

 

Há 4 dias, coincidentemente,  fiz esta foto,  na calçada de uma das mais importantes avenidas de São Paulo, a Ipiranga, em frente ao paredão de um dos mais importantes conglomerados financeiros do Brasil, o Bradesco. As pessoas passam e nem se impressionam mais com o que  vêem. Os meninos  na calçada, têm,  talvez, 6 anos, o menor e 12 ou 14, o outro.

 

No calor da dor de familiares e dos que tomaram conhecimento da morte do menino no Rio, movimentam-se todos para exigir mudanças na lei, para garantir a redução da idade penal, tendo em vista o aumento do número de crimes cometidos por adolescentes. Propõem que sejam presos e sujeitos às penalidades com o rigor dos adultos, a partir dos 16 anos. Alguns já propõem, inclusive, a redução para 14 anos de idade. Políticos oportunistas aproveitam-se disto e saem lépidos a propor alterações na constituição.

 

Nestes mesmos dias foram destaque nos noticiários da TV,  tanto em São Paulo quanto no Rio, cenas de violência contra adolescentes revistados por policiais em operações de rua. Pancadas, murros no estômado, socos na cabeça. Não vi protestos.

 

Para estes casos, a mesma indiferença que atinge os meninos dormindo  nas calçadas. Ou a falta de propostas. Não vi passeatas, faixas ou interrupções de jogos de futebol pelas crianças e pelos adolescentes que morrem nos confrontos de gangs ou entre estas e as milícias privadas que "cuidam" das favelas. Parece que, nestes casos,  assimilamos a  violência como instituição pública e privada! 

 

Talvez eu tente, mais tarde, juntar  as informações recentes da péssima qualidade das nossas escolas públicas, da desvalorização crescente dos professores destas escolas,  cada vez mais mal remunerados, da evasão dos adolescentes dessas mesmas escolas que nada ensinam e nada oferecem, da inóspita vida nas periferias das cidades, nas favelas e cortiços, que fazem com que as crianças prefiram os riscos das ruas à violência do seu entorno, para entender melhor que país é este.

 

Talvez, precipitadamente, precise deixar aqui uma única impressão que me aflige quando ouço falar em redução da idade penal, sempre que um crime bárbaro cometido por jovens chega à mídia -  e é maior a repercussão quanto mais as vítimas sejam das camadas médias ou mais abastadas da nossa cínica sociedade -   penso num corpo corroído pelo câncer. E que a cura que se propõe,  é a amputaçaõ dos dedos.

 

 

Atualizado hoje (16.02.07) com o poema postado pela irmã nos comentários:

 
Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

 

(Nada é impossível de mudar - Bertold Brecht)

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Um bom fim de semana com a verve de Mário Quintana!

Sexta-feira, 09.02.07

 

O pior dos problemas da gente é que ninguém tem nada com isso.
 
 
Se eu amo o meu semelhante? Sim. Mas onde encontrar o meu semelhante?
 
 
Mas que susto não irão levar essas velhas carolas se Deus existe mesmo...
 
 
O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro.
 
 
(Mário Quintana – Caderno H )

 

 

 

 

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