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Cadeira vazia, do Lupiscinio, era muito melhor...

Sexta-feira, 29.09.06

 

 

(Foto roubada no Bazar do Santos Passos)

 

“O senhor é candidato sob forte suspeita de uso de recursos públicos e de outros recursos que não se sabe a origem no processo eleitoral. Se for eleito e se comprovam essas suspeitas, renunciaria ao cargo? Diante disso, estamos votando no senhor ou no vice José Alencar?” (Cristovam Buarque).
 
 
“O que vai acontecer se Lula ganhar no primeiro turno? O que vai acontecer se descobrirmos depois que tinha dinheiro de campanha [no dossiêgate]? Outro impeachment? A renúncia dele? A democracia brasileira sobrevive a isso? Ou a gente apura isso nas próximas horas ou, por favor, vamos fazer, em nome da democracia brasileira, um segundo turno, para que o presidente possa debater com qualquer um de nós”. (Cristovam Buarque)
 
 
“Quero repudiar a ausência do presidente Lula. Ele tinha obrigação de descer do seu trono de corrupção, arrogância, e covardia política, para estar aqui, para responder ao povo. Ele não está aqui porque não tem autoridade moral para me enfrentar. Sabe que nasci como ele, de família simples, de Alagoas, nordestina como ele, mas não traí a minha classe de origem” (Heloisa Helena).
 
 
“O Lula, com sua ausência, mandou um recado aos brasileiros: ‘Não tô interessado na sua opinião, não preciso prestar contas para ninguém. Domingo, mande um recado pra ele. Mude de presidente. Não é possível acharmos que essas malas de dinheiro de corrupção é coisa normal. Não é normal. Não podemos perder nossa capacidade de indignação com o que está errado” (Geraldo Alckmin).
 
 
“De concreto, restou apenas uma impressão. Ela está boiando até agora nos estúdios da Globo e nos lares daqueles que tiveram a pachorra de se manter diante do vídeo até quase uma hora da madrugada: a impressão de que Lula, depois de quatro anos de mandato, acha que não deve nada aos eleitores. Muito menos explicações. Mas quem se importa? Pouca gente, indicam as pesquisas.”(Josias de Souza)
 
 

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Quem?

Quinta-feira, 28.09.06

 

Como pode a voz que vem das casas ser a da justiça
se os pátios estão desabrigados?
Como pode não ser um embusteiro aquele que ensina os famintos outras coisas que não a maneira de abolir a fome?
Quem não dá o pão ao faminto quer a violência.
Quem na canoa não tem lugar para os que se afogam
não tem compaixão.
Quem não sabe de ajuda, que cale.

 

(Bertold Brecht)

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Adelina Braglia às 20:21

Armadilha.

Quinta-feira, 28.09.06

 

Há um país submerso nas pesquisas eleitorais, que poucos conseguem ver e ouvir, mas que emerge no percentual de favoritismo do candidato-presidente.
 
Lula é o meu maior engano das últimas 3 décadas e disto eu não tenho dúvidas. Mas seu mandato serviu para jogar na cara do Brasil fictício, um Brasil real. A classe média vacilante vai pagar para aprender que o aliado não é o que está lá em cima, nos 2% da população brasileira que ganha acima de 20 salários mínimos, e parte dela tem tido sua exigências plenamente satisfeitas por este governo. Basta observar os lucros escorchantes do sistema financeiro neste 4 anos.
 
Aliás, esta é outra brincadeira. Entre os 2% de brasileiros que ganham acima de 20 salários mínimos estou eu e a família Setúbal, dona do Banco Itaú, e o Antonio Ermírio de Moraes, e os proprietários do Bradesco e o presidente da Cia. Vale do Rio Doce! Somos todos irmãos no pastiche nacional!
 
Mas, voltando ao que as pesquisas revelam, é que há um Brasil com fome, sedento por condições elementares de vida e ao que os programas sociais do governo Lula responderam. E isto permite ao candidato-presidente assumir seu discurso messiânico - que hoje eu já reputo de cínico. Mas, para os deserdados da cidadania não faz maior sentido como critério de julgamento privilegiar a falta de ética e/ou a roubalheira, que na verdade sempre foram convalidadas na ação política brasileira - e que o PT consolidou e qualificou como estratégia - o que choca mais pela história do partido do que pelos atos de esbulho ao patrimônio público, afinal tão corriqueiros nos mais de 100 anos de república.
 
Eu me engano na perspectiva de que meu não-voto me alivia a culpa pelo engodo. E apenas isto me faz dormir melhor. Não tenho expectativa melhor do que esta - dormir -neste momento. Mas me lembro de Ferreira Gullar e de parte do seu poema:
 
(...) O certo é que nesta jaula há os que têm e os que não têm
há os que têm tanto que sozinhos poderiam alimentar a cidade
e os que não têm nem para o almoço de hoje .
A estrela mente, o mar sofisma.
De fato, o homem está preso à vida e precisa viver
o homem tem fome e precisa comer
o homem tem filhos e precisa criá-los
Há muitas armadilhas no mundo e é preciso quebrá-las.

(No mundo há muitas armadilhas)

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Adelina Braglia às 02:13

Ilusão de ótica?

Sexta-feira, 22.09.06

Quando me ouves e não me  escutas,

quando me olhas e não me vês,

e se eu te abraço e não sentes meu abraço,

que nome dás a esta minha proximidade de ti?

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O dial do meu rádio.

Quarta-feira, 20.09.06

Atada a mim, carrego sintomas.

Atada a  ontem, a anteontem,

o dia de hoje me parece já vivido.

Mas, há música nova na minha cabeça.

Significa que hoje o repertório pode melhorar.

 

 

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Adelina Braglia às 11:59

"Carro de boi que não geme não é bom..."

Segunda-feira, 18.09.06

O carro de boi rangia a cada parada. Carro bom,  gemedor, como na música de Gilvan Chaves.

Eu já havia passado pelas bancas de doces caseiros - batata doce, batata roxa, abóbora em calda ou em pedaços -  olhado os bordados, as cestas de vime, as bonecas de pano.

Mais acima, no Parque da Água Branca, foi reproduzida a casa de pau-a-pique, onde a cozinheira fazia o café no fogão à lenha e a broa assada de milho (a cavaca). O cheiro do café torrado e moído entrou narina a dentro. Quase ouvi a voz do avô perguntando se eu queria um pedaço de queijo para molhar no café quente.

Eu, que nem preciso muito deste estímulo para lembrar das férias na casa da avó, sentei à sombra,  ouvi música caipira e fiz minha viagem. A estrada de ferro da Cia. Paulista, a estação de Rincão. O pai que sempre ia me buscar no final de janeiro.

A tia carinhosa, fazendo o pão da semana nas quintas-feiras. Eu ganhava sempre um pão pequeno, recém saído do forno, e cheio de manteiga. Os primos ficavam com inveja desta predileção, mas ser a neta mais velha era suficiente para a garantia de privilégios.

Privilégio era também levar o pequeno caldeirão com o almoço do avô. Amarrado fortemente com um pano de prato, para que a tampa não caísse, eu o levava para a roça que, certamente, era próxima à casa, mas na minha memória infantil, era um longo caminho, cheio de trilhas e flores amarelas. Ipês. E mangueiras! Mangas pelo chão, cheirosas.

O avô ensinava que não se devia desprezar as que estavam bicadas pelos passarinhos. Ele dizia que estas eram as mais doces e que bastava levá-las ao rio, lavar e comer. Enquanto ele almoçava, essa era a minha diversão.

Na volta, a avó sempre à porta da casa, me esperava com o suco. De limão. Dizia que era para espantar o calor. Em seguida, o meu almoço: arroz, feijão, um ôvo caipira com a gema mole. Às vezes, uma galinha cozida com muito quiabo e em ocasiões especiais, costelas de porco defumadas, assadas na brasa. Ou polenta com carne de porco frita.

Aos domingos, o sacrossanto macarrão caseiro, molho de tomates sem pele e sem sementes e um forte cheiro de mangericão. Nos domingos também os doces estavam disponíveis: compota de goiaba, doce de mamão verde, doce cremoso de banana. E doce de laranja da terra.

E até agora uma vontade imensa de afastar o tempo e voltar.

 

 

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Adelina Braglia às 19:14

A rainha da congada e os meninos de São Benedito.

Segunda-feira, 18.09.06

 

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Adelina Braglia às 12:10

São Paulo e seus santos.

Segunda-feira, 18.09.06

 

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 06:59

São Paulo.

Sexta-feira, 15.09.06

São Paulo é minha cidade natal. Deixei-a há 30 anos e fui aventurar minha fantasia pelo norte do Brasil, mas a ela retorno regularmente. E a cada volta, descubro coisas, remexo minhas memórias da infância e da adolescência, filtro sensações e sentimentos.

Desta vez descubro que a casa da mãe do Chico e do Paulo Caruso transformou-se num simpatico bar. São Bento, é o nome. Porém, a esquina da Aspicuelta com a Mourato Coelho perdeu com isto,  para mim, seu encanto. Aquela casa tinha um quê de resistência!

O metro avança em linhas verdes, azuis e vermelhas, mas os ônibus elétricos ainda dão pane no cruzamento da São Luiz  com a Ipiranga. E  perto do largo do Paissandú, ainda existe o terrível  e delicioso churrasco grego.

Olho São Paulo hoje com o afeto que não tinha pela cidade quando aqui vivia. E a cidade perece perceber que a idade me trouxe a condescendência que a juventude não me permitia ter.

 

 

 

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Adelina Braglia às 18:42

Brincando.

Sexta-feira, 08.09.06

 

Olho pra mim e vejo,

além do retângulo da máquina,

meu tempo preso no espelho.

É um passatempo brincar de aprisioná-lo.

Eu não consigo me apropriar do tempo.

Ele é que toma conta de mim.

Assim, brinco com ele

e o retenho no retângulo da máquina,

mas sei que me aprisiono com ele.

Tenho um vazio no peito,

uma tristeza nas mãos,

uma dor fininha cá dentro.

Vou parar de brincar com o tempo.

 

 

 

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