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Desfazendo o tempo.

Quinta-feira, 31.08.06

Tento hoje não deixar as horas escorrerem entre os dedos,

mas a presunção de ser e de fazer me cega.

Cobram-me. Todos.

Mas quem me cobra mais e mais, até a exaustão,

é o rosto cansado que vejo no espelho,

velho conhecido de tantas travessias,

mas que sorria antes,

mesmo que a margem não estivesse à vista,

e que  não tinha medo de se afogar.

O que me cobra o tempo que me desfaz

é eu não saber fazer o tempo

de amar,

de ser quem eu não sei mais,

de abraçar sem pressa.

O comprimido volta a minha bolsa.

Penso, com ele, que vou encontrar o que não posso ou que não quero.

Pondero-me com o Pondera!

Feia rima. Tola solução.

 

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O tiro pela culatra, ou a saída pelas janelas!

Sábado, 26.08.06

Este périplo atrás da truculência e da voracidade com que a Cia. Vale do Rio Doce atravessa o estado do Pará na região onde estão situadas comunidades quilombolas, impõe uma revisão na nossa capacidade de enxergarmos através dos seus tubos do mineroduto, das suas máquinas potentes que sugam igarapés para fazer testes de vazamento, e não ouvirmos os seus eficazes negociadores que são trocados por outros de falas macias, mas que têm o mesmo desprezo, o mesmo desconhecimento do modo de viver dessas comunidades tradicionais. Ouvi-los sem olhar através deles é sermos enganados com as antigas miçangas com que se adoçou os "selvagens" há séculos atrás.

Para a empresa, as pessoas, suas vilas e casas, suas pequenas capelas, sua vida aparentemente "sem sentido" são acidentes de trajeto. Reconheço até que esforçam-se seus representantes para disfarçar a irritabilidade de estarem atrasando seus megaobjetivos tendo que andar pelas casas, ouvir o populacho, etc. e tal.

Curioso é observar como seus representantes ficam desestabilizados se no dito trajeto dos seus tubos e de suas linhas de transmissão, encontrarem castanheiras! Pimba! Desviam-se delas, alteram o trajeto, prometem suspender a linha acima da copa das árvores, pois vá que o Greenpeace ou congênere denuncie uma única derrubada e aí os sócios estrangeiros vão passar noites insones e pressionar a empresa  a ser mais "civilizada", ou "politicamente correta" ou seja lá que diabo for!

A mesma "ternura"  não vem à tona, quando se trata de "indenizar" plantios, casas, roçados, açaizais nativos. Aí as quantias são estipuladas, sem que ninguém conheça os parâmetros. As conversas são individualizadas, a discórdia se instala, e quem ainda "não recebeu" passa a sentir-se como um idiota. Recebe mais quem demonstra resistência maior ao valor estipulado!

Atropela-se os modos e as leis. Mas, todo jacaré tem seu dia de lagartixa: ontem, ouvindo Dona Francisca - que muito brava discordou do fato do marido  ter aceito a indenização proposta, que ela recusa a acatar. - eu ri muito. Como ela e o companheiro são casados em cartório - coisa certamente inimaginada pela empresa que pudesse ocorrer entre o povinho - ela recusou-se a concordar com a passagem do mineroduto em suas terras. E a lei protege sua rebeldia!

Ri com Dona Francisca me contando a sua história e sei que ela criou para a CVRD uma crise diplomática!  Expliquei-lhe que ela está dentro da lei e que não se intimide com nenhuma crise de autoritarismo da empresa. Disse-lhe que negocie o que considera justo e que se não houver acordo que ela venha buscar assistência jurídica que certamente lhe garantirá seu direito à indenização justa.

O documento proposto aos ocupantes quilombolas, por ocasião da instalação do mineroduto, é o contraditório de todas as conversas anteriores. Sem jamais mencionar nessas reuniões, das quais participei, que estaria comprando direitos de servidão, foi isto que a empresa colocou nos "contratos".

Neles a CVRD diz que a partir daquele termo "irretratável, irrevogável" etc..., ela tem a servidão definitiva para todas as obras necessárias à construção do mineroduto. É evidente que numa das cláusulas ela informa que caso necessite de mais áreas, fará a competente indenização! Afinal, neste aspecto, seus sátrapas andam pelas comundades com as sacolinhas de dinheiro vivo!

Mas o que interessa é entender porque a truculência transborda do documento que, presumo, será derrubado em qualquer instância judicial. Deduzo eu:  a empresa é tão segura do seu poder, das suas variadas formas de pressão - política, econômica, direta ou indireta - que desta vez, vacilou!  O hábito do cachimbo entortou mesmo a sua boca!

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O ABC e a ABC.

Sexta-feira, 25.08.06

De volta ao blog e de volta a Belém. A volta ao blog foi demorada graças a uma impossibilidade inexplicável desde sábado, quando minha senha e meu login não estavam sendo aceitos pelo SAPO!!! Trocas de e-mail, respostas mecênicas, até que agora, ao chegar de viagem, a boa surpresa: entrei!

A volta a Belém depois de um tour de force por áreas onde o futuro arrepia o presente, configurado - o futuro - num extenso mineroduto da CVRD que levará a bauxita de Paragominas até Barcarena, onde uma linha de transmissão, colocada para as comunidades como uma necessidade do Projeto Bauxita, parece na verdade que favorecerá a mais nova associação patrocinada pelo governo Lula para o progresso do Brasil, um estranho "abc" - aço Brasil China!

Quem sabe este nome deixou tão nostálgico o nosso presidente, oriundo de outro ABC. E com isto ele poderá acrescentar ao seu curriculum governamental mais um fato do qual não sabe nada. Afinal, ele também não deve saber que a CVRD para instalar seu mineroduto de 237 km, atravessa 7 municípios paraenses e, no município do Moju, atropela  4 comunidades remanescentes de quilombos (São Bernardino, Santa Luzia, Centro Ouro e Santa Maria do Traquateua´+ 

Eu também não sei muita coisa, mas o que vejo por ali há meses é suficiente para saber que vamos ajustar os rumos para um ajuste de contas mais eficaz.

Fui. De novo. Mais uma viagem amanhã e depois será mais fácil fechar o quebra cabeças.

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Adelina Braglia às 00:14

Sincretismo pro Santos Passos.

Sexta-feira, 18.08.06

Taí, SP.

Lembrei desta foto, do altar da capela da comunidade remanescente de quilombos de Porto Alegre, município de Cametá, Pará.

As fitas de muitas cores que entrelaçam os santos, dando-lhes a graça dos orixás, as flores de plástico, os castiçais que esperam as velas do dia da festa ou da missa. Misturam-se aí a fé, a crença,  o Cristo cruxificado, mas a sua dor é suavizada pela fita cor-de-rosa que envolve e sustenta seu corpo, certamente para aliviar-lhe o peso da nossa tão humana condição de pecadores.

Um abraço pra você.

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A benção, mestre Quintana!

Sexta-feira, 18.08.06

Se tu me amas,
ama-me baixinho.

Não o grites de cima dos telhados,
deixa em paz os passarinhos.

Deixa em paz a mim!

Se me queres,
enfim,

tem de ser bem devagarinho,
amada,

que a vida é breve,
e o amor
mais breve ainda.

(Bilhete - Mario Quintana)

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Adelina Braglia às 02:10

Frações de mim.

Quinta-feira, 17.08.06

Uma, se sente mal por tantas coisas.

Outra, se sente  bem por quase nada.

Uma, chora tanto por tão pouco,

e a outra empareda o coração.

Uma pede colo e se apavora, outra oferece a mão pra conduzir.

Uma olha o mar e pede bóias,

e a outra se põe a nadar mesmo que engasgue.

Uma resiste à poesia concreta, outra tem horror às rimas pobres.

Nisto somos muito parecidas!

Uma me olha de dentro do espelho,

e a outra me ignora se olho de cá pra lá.

Uma pede abraços, outra afasta o corpo.

 Uma ri tão fácil, é tão segura!

A outra se encouraça na timidez.

Uma tem coragem e certezas, outra tem medos e vacilações.

Uma mora comigo há tanto tempo,

e a outra às vezes vem me visitar.

Uma vai embora e eu comemoro,

a outra insiste em não me abandonar.

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Adelina Braglia às 01:39

As bóias estão ao largo!

Quarta-feira, 16.08.06

Pronto! Repus os links. Minhas "bóias" virtuais estão a postos para facilitar a travessia.

Bom seria se a vida permitisse também lincar e deslincar tudo com tamanha simplicidade!

Fui.

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Gooooooooooooooooooooooool!

Quarta-feira, 16.08.06

Cá estamos de roupa nova,  mas perdi os links e não tenho a menor idéia de como fazer para recuperá-los! Mas, vou tentar, prometo! Especialmente porque sem samartaime, sotavento, santospassos e abnóxio, eu me sinto como uma náufraga nesta bendita travessia!

Beijos.

 

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Na marca do penalty....

Terça-feira, 15.08.06

Chagamos aos 98,4% de ocupação do espaço e decidi que não vou curtir esta ansiedade até chegar aos 100%. Assim, confiando no que diz o talentoso sapo, vou fazer a migração para os novos blogs, com a garantia de que será mantido o mesmo endereço.

Vamos lá! Que Santo Ambrósio me ajude!

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Adelina Braglia às 22:38

Peixe e crocodilo.

Segunda-feira, 14.08.06

(...) "No comunicado ao povo cubano, Fidel diz que sua saúde "melhorou consideravelmente". Mas ressalva que "afirmar que o período de recuperação será curto e sem riscos seria absolutamente incorreto e peço a todos vocês para permanecerem otimistas, mas ficarem preparados para enfrentar notícias adversas". http://www.estado.com.br/editorias/2006/08/14/int-1.93.9.20060814.12.1.xml

Ao ler esta notícia, lembrei-me imediatamente da morte de Tancredo Neves. Da farsa montada em torno da sua morte, da indignidade da montagem de uma foto onde Tancredo, sustentado num sofá, refletia a morte nos olhos. E os falsos boletins médicos do Hospítal de Base de Brasília, sobre sua magnífica recuperação. E tudo isto era para garantir a transição pacífica da elite militar para a elite civil!

A foto de Fidel é real e nem mesmo o nosso jornalão conservador duvida disto. E a clareza da advertência dele sobre a concreta possibilidade da morte, faz toda a diferença.

Há um Brasil ficcional, com ilhas de satisfação e direitos garantidos em meio a um arquipélago de pobreza e desigualdades. E há uma Ilha onde a guerra sem tiros mais cruel do planeta - o bloqueio econômico imposto pelos EUA - não destruiu seu lider e seu povo.

Ando intolerante sim, e reconheço que parte desta intolerância é fruto das minhas frustrações e fantasias sobre um Brasil justo e decente. Mas não é só isto que explica esta certeza de que  partido em bandas e entregue a bandos este país jamais será uma nação.

Não tenho mais equilíbrio para confrontar-me com a miséria e a pauperização de cada geração que nasce desfavorecida no país onde a concentração de renda é das mais indignas do mundo e achar que isso é um processo histórico e pronto.

Canso, às vezes, da minha persistência em andar e andar e dizer que há que organizar-se e exercer a cidadania como direito de nascimento, num país onde nascer é privilégio de quem "escapa" da morte se a mãe tiver acesso ao atendimento precário do pré-natal, ou se o recém-nascido sobreviver à desnutrição da primeira infância.

Não suporto ver jovens e adolescentes sem chance de disputar o futuro, pois para eles o futuro já nasceu ontem, morto, na pobreza dos avós e dos pais, na ignorância atávica nascida e mantida pela falta de escolas e de ensino de qualidade.

Talvez por isso, a música da minha cabeça hoje seja a Bandeira, do Zeca Baleiro:

"Eu não quero ver você cuspindo ódio
eu não quero ver você fumando ópio para sarar a dor.
Eu não quero ver você chorar veneno,
não quero beber o teu café pequeno,
eu não quero isso seja lá o que isso for.
Eu não quero aquele,
eu não quero aquilo.
Peixe na boca do crocodilo,
braço da Vênus de Milo acenando tchau...(...)"

Não sei, sinceramente, se consigo seguir a recomendação da música. Mas vou em frente, viajando hoje para retornar amanhã, depois de repetir, mais uma vez, que a vida pode ser melhor do que ela é.

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Adelina Braglia às 08:09


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