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Pra fechar a segunda-feira.

Segunda-feira, 31.07.06

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossege

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

(Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade)

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Adelina Braglia às 22:56

Apenas uma segunda-feira...

Segunda-feira, 31.07.06

planos.JPG



Eu não quero abraços mornos,

sorrisos educados,

cordiais e formais apertos de mão.

Que se danem a civilidade e os bons costumes!

Que me deixem ser, de vez em quando,

irritadiça, mal humorada, comum.

Eu quero transpirar a agonia dos dias passando

sem que eu possa sorve-los, um a um,

como se comesse gomos de tangerina.

Eu não quero a mormacenta agonia das horas

gastas em coisas que me convenço tão importantes

quanto a mudança do mundo!

E nem quero aceitar que minhas horas gastas em fim tão nobre

me fazem ser mais ineficaz

quanto a sorridente vizinha ao lado

que é feliz, muito feliz,

comprando cheiro-verde à porta de casa!

Eu quero o abraço do pai,

a repreensão da mãe,

o colo da madrinha,

qualquer destas coisas que me devolvam o sentimento

de que comer chocolates

- ah! Mestre Pessoa –

aliviava toda a dor.

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Adelina Braglia às 08:16

Coretos e bandas.

Domingo, 30.07.06

coretoeflores.JPG


Havia um tempo em que os coretos abrigavam as bandinhas militares e aquela música enchia meus ouvidos, onde quer que eu estivesse. Era comum em São Paulo as bandas tocarem nas praças e eu as "perseguia" embevecida.


Ainda hoje, os hinos nacionais me comovem, o desfile da semana da pátria me emociona e de nada adianta eu ficar irritada com esta patriotada! Há um sentimento que vem da infância, da banda, da parada militar, como se tudo aquilo fizesse o mundo girar no sentido certo!


E hoje, quando vi o coreto de manhã, senti uma saudade enorme do tempo em que bastava uma banda tocar pra eu me sentir segura.

Caramba! Que senhora insegura me descubro a cada dia que passa!

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Adelina Braglia às 21:32

E um aceno no domingo de sol...

Domingo, 30.07.06
acenodomingo.jpg

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Adelina Braglia às 15:54

Sorvetes também...

Domingo, 30.07.06
sorvetetambem.jpg

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Adelina Braglia às 15:48

Bolhas na praça.

Domingo, 30.07.06

bolhasnapraca.JPG


Confirmada a previsibilidade da vida, fizemos bolhas de sabão na praça....


 

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Adelina Braglia às 15:46

Doce mentira.

Sábado, 29.07.06

biadorme.jpg



Beatriz chega e diz: tudo bem, vó? E quando eu respondo – tudo bem Bia, e você? – seus olhos se enchem de lágrimas e ela pergunta quando eu vou morrer.


Sem saber muito bem como explicar que isto não tem previsão, digo que vai demorar um pouco e que ainda vamos fazer muitas coisas juntas.


A tranquilidade que transparece em seu rosto apaga a feiúra da minha mentira sobre a previsibilidade da vida.


 

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"Só dói..." 4 - Sobre o Brasil "cordial".

Sábado, 29.07.06
" Há tempos vinha me perguntando a que se devia a escolha do Brasil para chefiar uma missão de paz no Haiti. Interpretei como reconhecimento internacional de uma real expertise. Afinal o Brasil é um país que sabe “cuidar de negros” tanto que, vivendo eles, no Brasil, em condições assemelhadas às de seus irmão haitianos, comporiam, pacificamente, a democracia racial brasileira que tantos decantaram e que, se perdeu credibilidade no plano interno, ainda tem ressonância na visão internacional sobre as relações raciais no Brasil.

No entanto, um breve comentário feito por Eliane Catanhede em artigo sobre a ocupação do Exército dos morros cariocas obriga à inversão da suposta lógica, que me parecia subjacente à nossa presença militar naquele país, pois ele adiciona elementos inusitados à ocupação, que iriam além da idéia mais corrente de que esta missão poderia fortalecer a candidatura do Brasil a uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. A colunista afirma, sobre a ocupação das favelas, que “a preparação da ação estava, inclusive, nos cálculos e planos estratégicos do próprio envio de soldados para o Haiti (...). Entre outros objetivos, está o de treinamento para atuar em conflitos envolvendo civis, como é o típico caso do Rio”.

Ao contrário de minha intuição inicial, da perspectiva colocada por Catanhede, o Haiti não é um ponto de exportação de técnicas disciplinares e de biopolítica desenvolvidas pelas instituições brasileiras sobre as populações negras, que poderiam ser aplicadas em negros haitianos, mas um campo de treinamento para o nosso Exército, de táticas de intervenção e contenção de conflitos urbanos.(...)"

Sueli Carneiro
Doutora em educação pela USP e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra

http://www.geledes.org.br/colunas.html

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Adelina Braglia às 10:27

"Só dói..." 3

Sábado, 29.07.06

"Sangue


“O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado.” (1º João 1:7)


Parece que os políticos evangélicos fizeram uma interpretação nada ortodoxa desse texto bíblico."

( ver nota em http://www.band.com.br/primeirojornal/conteudo.asp?ID=16537&CNL=1)


(nota roubada no Bazar de Idéias, do Santos Passos: http://santospassos.blogspot.com/. )

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Adelina Braglia às 07:55

"Só dói..." 2

Sábado, 29.07.06

Nota 1

" Um relatório do Conselho Indigenista Missionário de Mato Grosso (Cimi-MT) mostra que a morosidade na demarcação das terras provocará a extinção dos povos indígenas. Entre os problemas resultantes dessa estagnação estão as constantes invasões, extração ilegal de diversos recursos naturais, principalmente a madeira, desmatamento e poluição de rios. As irregularidades provocam ainda isolamento e confinamento dos índios."


Nota 2

" O Ministério da Justiça pediu ontem à Controladoria-Geral da União (CGU) que investigue a autenticidade do documento com a lista das viagens do presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Mércio Pereira Gomes, para o Rio, os Estados Unidos e Europa.


O Estado divulgou ontem dois relatórios que indicam a emissão de 235 passagens, num valor total de R$ 252 mil, em nome de Mércio, de setembro de 2003 a maio deste ano. Foram emitidos 118 bilhetes para o Rio, 16 ao exterior e apenas 12 para Estados da região Norte, onde vive a maioria dos índios."


www.amazonia.org.br/noticias/

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Adelina Braglia às 07:39


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