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Inventário.

Terça-feira, 28.02.06

O que me apetece?


Sorvete de abacaxi,


mamão maduro, gelado,


cortado em pedaços.


E abacate com açúcar e limão.


O que me apetece?


Um riso solto,


uma mão que afaga,


que faz cócegas na alma


e dá vontade de tudo.


O que me apetece?


Vodka com coca-cola,


Campari com água tônica,


vinho tinto à temperatura ambiente,


vinho branco bem gelado.


O que me apetece?


Uma cama grande e quente,


um cafuné promissor


de uma boa noite em claro.


O que me apetece?


Peixe grelhado,


bolo de fubá,


café expresso.


O que me apetece?


Músicas, sempre.


Um bom artigo acadêmico, às vezes.


Poesias com freqüência.


Uma boa conversa quando a companhia é boa,


e aí vale qualquer assunto,


até mesmo discordar sobre o que queremos


desse Brasil católico,


adventista,


macumbeiro,


protestante,


mandingueiro,


infeliz.


O que me apetece?


Minha neta, meus filhos,


meus irmãos, meus amigos.


Meus companheiros de jornada no trabalho.


Meu país.


Meu amor.


O que me aborrece?


Chuva fina,


dia nublado,


conversa chata,


gente mesquinha,


biografias.


O que me angustia?


Crianças com fome,


adultos sem sonhos,


velhos sozinhos,


amigos morrerem.


Nada nessa ordem,


mas com essa precisão.

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A democracia racial brasileira: documento 5.

Segunda-feira, 27.02.06

" Sistema educacional é incapaz de reduzir as desigualdades entre negros e brancos


O estudo, de Sergei Soares e Rafael Guerreiro Osório, está no livro “Os mecanismos de discriminação racial nas escolas brasileiras” e investiga os fatores que geram as diferenças educacionais entre negros e brancos com uma nova abordagem. Eles acompanham a trajetória escolar dos que nasceram em 1980 e entraram na escola por volta de 1987. Essa espécie de “documentário” permite ver que em 1987 a proporção de negros que ainda não sabiam ler e escrever era maior que a dos brancos. O texto diz ainda que “a razão entre a chance de um negro não saber ler e escrever e a de um branco, que é de 3,2 em 1987, vai crescendo e chega a 4,6 em 1992.”

O impacto do trabalho precoce também é importante para a análise das desigualdades. Os números mostram que no início da trajetória educacional, entre 1992 e 1995, a conjunção do trabalho com o estudo atingia mais os negros que os brancos. A diferença só se reduz a partir de 1996, e se inverte em 2001. Segundo os autores, uma interpretação possível é a de que o trabalho infantil atinge mais os negros e “a maior estabilidade das trajetórias educacionais dos brancos favorece seu ingresso no mercado de trabalho no início da fase adulta da vida”.

No final da trajetória educacional, os membros do grupo analisado estão com 23 anos e os dados são os de 2003, que mostram que 5% dos brancos haviam completado o ensino superior, enquanto apenas 1% dos negros estavam na mesma situação. Ou seja, “a chance de se encontrar um branco nascido em 1980 que em 2003 tinha concluído um curso superior era cinco vezes maior que a de se encontrar um negro”.

Essas e outras constatações estão no livro Os mecanismos de discriminação racial nas escolas brasileiras</a>."

www.ipea.gov.br


 

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Adelina Braglia às 22:55

Valei-me, Santo Ambrósio!

Segunda-feira, 27.02.06

Vivendo num país onde a informação é sempre manipulada a favor de interesses minoritários e poderosos, fica muito difícil compreender o que dizem as pesquisas eleitorais. Mas fico sempre curiosa e busco compreende-las.

O Datafolha divulgou ontem com estardalhaço, que a subida do presidente Lula nas pesquisas deve-se exclusivamente aos programas sociais, especialmente o Bolsa-família , embora haja o Auxílioe-gás, o Bolsa-escola, o Bolsa-alimentação, e os vales-quanto-pesam-a-pobreza.

Sempre me irritei quando se dá dinheiro aos ricos e se chama a isso de “financiamento”. Quando é a vez dos pobres, chama-se de “clientelismo”. Assim, não é aqui que a minha dúvida reside, até porque, todo programa redistributivo no país mais concentrador de renda do mundo, é bem vindo.

O que me incomoda é não ter a clareza de que esses programas são efetiva prioridade do governo, não apenas como medidas compensatórias, mas acompanhados de ações  para uma mudança estrutural. Ou seja, quando se observa os investimentos em ações e programas que realmente poderiam começar a mudar o Brasil – reforma agrária, políticas de emprego, saúde e educação – o quadro é, no mínimo, duvidoso.

Já tratei disso anteriormente e conservo minhas dúvidas. Lembro ter destacado recentemente que o investimento do BNDS nos ditos programas sociais em 2005 foi menor do que o gasto do governo com o pagamento de serviços da administração pública, tipo xerox, etc.

Enquanto isso o Santander após a compra do BANESPA – política de privatização dos governos Collor/FHC – é escolhido o melhor banco do mundo, o Itaú obtém seu maior lucro na década, e os ricos, coincidentemente, também aumentam a proporção de votos em Lula.

Os adversários do governo, esses  estão perdidos como cegos em tiroteio. Inventam e reinventam  críticas, chacotas e alguns argumentos, mas que se esvaem porque estão tão atarantados com a reação popular, espantados porque o populacho se deixa convencer pelas bolsas-pobreza, como se eles, o tucanato em geral, os pefelistas todos, os peemedebistas, pepistas, e quejandos, nada tivessem a ver com o agravamento da miséria enquanto comandaram o país.

Como estou numa fase altamente egocêntrica, será que Santo Ambrósio me ajeita um exílio?

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Adelina Braglia às 09:32

Flores pra Heloísa.

Sábado, 25.02.06

heloisa.JPG


Heloísa faz aniversário no dia 29 de fevereiro.

Poderia usufruir desse privilégio, e contar a idade a cada ano bissexto.

Seria mais jovem do que ainda é.

Heloísa tem olhos grandes, claros, atentos.

Voz potente, que disfarça a mulher carinhosa que ela é.

Beijo, Helô. Feliz aniversário antecipado, no meio do Carnaval.


 

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Adelina Braglia às 13:00

Meninas.

Sábado, 25.02.06

meninas.JPG


É recorrente a saudade dos tempos do ensino secundário! Não lembro dos sonhos. O Pondera ainda não teve o êxito esperado. Lembrei da professora de francês! Maria Rita. E acho que devo ter sonhado alguma coisa que me levou a essa lembrança.

Maria Rita não era uma mulher bonita. Mas era elegante, tinha o charme que a língua facilitava. Sim, porque naquele momento, o curso da moda era o francês. O inglês, apesar da nossa alma americanizada, não era o “boom” que é hoje, fazendo com que cada brasileiro que não sabe inglês sinta-se um apátrida!

Voltemos a Maria Rita. Suas aulas eram animadas. Ela caminhava pela sala, dando à aula um movimento que a tecnologia usada em Matrix perde longe. Falava conosco, insistindo para que, com o aprendizado da língua, aprendêssemos também bons modos.Dicas para sermos moças charmosas, e aos rapazes, recomendava-lhes serem gentis.

Ensinava, além da gramática, músicas. Foi nas suas aulas que conheci Charles Aznavour. Devo-lhe isso, permanentemente.

Certamente, pela forte lembrança que ela me traz, ouço Patrícia Kaas. Sexe fort. A canção? Agora? C’est les femmes qui mènent la danse.

Concordo tanto com isso que tentei ensinar aos filhos, dois homens, que as mulheres conduzem com sensibilidade – e uma falsa onipotência, reconheço – a dança da vida. E se fazem isso, não é um “dom”. É por ser-lhes permitido, desde a infância, externar sem pruridos, o choro, o medo, a dor. Rios de lágrimas nos lavam, para sermos sempre mais atentas à dor do outro. Digo-lhes isso sem arrogância. Apenas para que eles possam transitar com mais tranqüilidade pelo mundo e pelos afetos.

Mulheres fortes. Marcam minha vida. Além da mãe – essa dor que dói mesmo que eu não goste – a madrinha, as irmãs mais velhas, postiças mas irmãs, a irmã real,  as professoras, as amigas. Hoje, a neta, Beatriz, com seu sorriso suave e sua determinação.

Não sei se a professora Maria Rita ainda vive. Gostaria que sim. Gostaria também que ela soubesse que eu me tornei uma mulher de bons modos.Talvez sem o charme que ela pretendia. E que amo, como ela, o francês.


 

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Adelina Braglia às 09:26

Algias.

Quinta-feira, 23.02.06

Um dia de outono em pleno verão.

Manhã clara, com muito vento.

Não chega a esfriar. Não se faz necessário um agasalho para sair à rua.

O tempo ainda está quente.

Devo ter sonhado alguma coisa que me remeteu ao tempo da escola secundária.

Lembrei de amigos, alguns dos quais jamais tive notícias.

Lembrei dos que ainda conservo perto dos olhos e do coração.

Chamaria isso de nostalgia,

se eu soubesse precisamente o sentido dessa palavra sonora.

Mas, o sufixo - algia - lembra "dor". E então não quero usá-la,

porque não é dor o que sinto.

Sinto uma saudade doce, com gosto de chocolate quente das manhãs de inverno.

Essa falsa manhã de outono é somente um trailler.

As manhãs de inverno chegarão depois.

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Adelina Braglia às 08:38

Ou assim, se eu quiser...

Terça-feira, 21.02.06

prateando.JPG


Um caminho que vai dar na água é o ideal. Mesmo que eu não saiba nadar,

e não chegue à margem.

A amplitude, a correnteza, a luz do sol prateando o risco, aliviam a escolha,

antes tão estreita.

Ainda assim, não é a terceira via. Essa, seria eu poder voar.

São duas as alternativas reais: ficar na areia ou arriscar-me a nadar. 

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Adelina Braglia às 08:24

Assim é, se me parece....

Domingo, 19.02.06

fev019.jpg


Sempre dois caminhos, duas alternativas. A terceira via é imaginária. No caso, tromba-se com as árvores! Na vida, serve como desvio para a escolha real.

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Tempestade.

Quarta-feira, 15.02.06

chuvavem.jpg


"os sucessos intelectuais são meros grãos de areia no fundo dos bolsos
comparados com as tempestades emocionais" http://www.meiapraiameia.blogspot.com/


Sotavento me inspirou, com sua frase, a dizer que a minha geração, ou parte dela, aprendeu que as tempestades emocionais eram meras diluições burguêsas. E que nada se sobrepunha à razão...dialética!


Minha geração aprendeu que o sonho individual jamais se colocaria à frente do sonho coletivo, mesmo que esse nos custasse a vida inteira para ser construído.


Minha geração, ou parte dela, aprendeu que o que a razão determinava era mais, melhor e maior do que o que o coração pedia.


Minha geração, ou parte dela, se negou o prazer porque ele era mais revolucionário, talvez, do que a revolução que sonhávamos fazer.


Minha geração, ou parte dela, deixa um legado de ética, solidariedade, fraternidade na luta coletiva. Legou também úlceras, gastrites, depressões profundas e novas neuroses para deleite dos analistas.


Minha geração, ou parte dela, casou-se, separou-se, casou-se novamente, teve filhos, separou-se de novo, resultado da inquietação do amor idealizado, da fantasia da parceria inquebrantável pela vida afora.


Minha geração, ou parte dela, disse aos filhos que o sonho coletivo se sobrepunha ao prazer individual, e viu o olhar maroto deles, crescendo e duvidando de tanta baboseira.


Eu, como fruto dessa geração, continuo à frente da construção de uma ínfima peça do quebra cabeças do sonho coletivo que jamais se realizou, vou ao analista duas ou três sessões por semana para administrar as minhas culpas, crio meus filhos e olho minha neta com a certeza de que não os convencerei, jamais, da minha ingênua visão do mundo.


Eu, como resultado dos meus percalços, dos meus parcos acertos, das chuvas que apanhei, dos rios que naveguei e ainda navego, morro de medo de tempestades, especialmente quando ela está dando água pelo meu joelho!


Beijo, Sotavento. Foi uma boa inspiração!

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Olhando pra fora do umbigo.

Terça-feira, 14.02.06
"(...) De acordo com dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), a União gastou, em 2005, R$ 88,6 milhões com fotocópias ou xerox, valor este semelhante a todos os investimentos realizados (R$ 87,4 milhões), no mesmo período, pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). O MDS comporta os principais programas sociais do governo federal. Cópias de papel estão entre os 10 itens de custeio mais caros para governo federal. (...)"

Informações disponíveis no mesmo site (www.contasabertas.uol.com.br) mostram que nas funções Agricultura (62,47%) Organização Agrária (62,20%), Energia (49,86%) e Transporte (37,84%), o governo federal efetivou, até m25.01.2006, proporções da dotação orçamentária de 2005 que ficaram aquém do total disponibilizado (percentuais entre parentesis).

Nada a ver um parágrafo com o outro? Também acho. Fui....


 



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Adelina Braglia às 15:58


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