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A flor do cerrado.

Quinta-feira, 25.08.05

A flor do cerrado não é flor que se cheire.Mas meu fascínio por ela vem desde a música que a Gal cantava: “...e da próxima vez que eu for a Brasília, eu trago uma flor do cerrado pra você...” A primeira vez que fui a Brasília, há décadas atrás, quis cumprir minha sina. No primeiro intervalo de uma reunião no antigo Ministério do Interior, fui à praça em frente à catedral, e olhei dezenas de maços de flores do cerrado. Amarelas, branquinhas, marrons. Umas, redondinhas, outras quase hexagonais e algumas quase triangulares.

A primeira sensação foi de estranheza. Pensava na flor do cerrado como uma flor exuberante, grande, polpuda e roxa! Não sei porque roxa.

Depois, qual um começo de namoro, olhei pra elas de novo e comecei a gostar delas, pálidas às vezes, parecendo tímidas, mas que tinham, na verdade, força, tanta força, que voltei à reunião com um enorme maço de várias delas, porque eu queria tê-las em casa, só para mim. Ao menos aquelas que eu escolhera.

 Lembro que a volta, no vôo, com aquele maço enorme, deu um bocado de trabalho. Não podia ir no colo – “os srs. Passageiros que tiverem bagagens de mão, favor acomoda-las no bagageiro ou sob suas cadeiras” – e eu não queria amassar minhas flores do cerrado no bagageiro, muito menos aperta-las sob a cadeira. Por sorte o vôo estava vazio e eu consegui que a aeromoça concordasse comigo, que as flores iriam “sentadas” na poltrona ao meu lado, já que não havia ninguém.

Quando saí de São Paulo, as flores ficaram lá, juntamente com outras coisas que eu gostava muito – irmãos, amigos, discos e livros, nesta ordem – e com o tempo, eu as esqueci por lá. Mas, todas as vezes que vou a Brasília, eu passo pela praça da catedral – calvário que antecede os ministérios - e lá estão elas. Não cheiram. Nem bem, nem mal. Mas são lindas, muito lindas. E eu continuo gostando delas, mesmo não as tendo mais.

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Adelina Braglia às 18:25

Beijo guardado na boca.

Quinta-feira, 25.08.05

Minhas asas não deram conta

do vôo tão ansiado.

Quando quis cruzar o mar

 já havia me afogado.


Minhas pernas, embora longas,

não fizeram a travessia,

dobraram-se, e não me levaram

pra onde minha alma queria.


Minhas mãos, que eu sabia

capazes de tantos afagos,

ficaram, súbito, cheias

de abraços nunca dados.


Meus lábios já ressecaram,

minha boca está trancada,

as palavras que eu não disse,

ficam comigo guardadas.


Meus olhos não vêem o rumo,

do cais que eu vi, e não acho.

As asas não deram conta,

as pernas não aguentaram,

as mãos não abraçaram,

e beijo ficou na boca.

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Adelina Braglia às 00:38


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