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Os marimbondos do Sarney e as cigarras da crise (*).

Quarta-feira, 17.08.05

Aprende-se que das crises há sempre que retirar lições positivas.

Quero convencer-me disto, dia após dia, quando leio o jornal ou acompanho o noticiário das TVs. É certo que aprendo nos noticiários coisas novas, como por exemplo, que o PTB tem um “tesoureiro informal”, assim citado e reverenciado pela mídia. Aquele que foi com Marcos Valério a Portugal negociar com a TELECOM um "apoio" sem compromisso de 24 milhões de reais para a campanha eleitoral. E aprendo também que um doleiro metido em trambiques decenais considera-se preso político.

Assim, seja por ironia – característica que desenvolvi recentemente – ou por excesso de zelo, ando muito desconfiada dessa crença de que depois do vendaval vem a bonança. Fica parecendo – e não desejo isso – que depois do vendaval, virá o maremoto!

O que me irrita profundamente – e acho que não perdôo ao PT exatamente isso – é que nessa crise, destacam-se mais as figuras que já deveriam ter merecido descanso. Não, não lhes desejo a morte física. Desejo-lhes a morte histórica.

Como meu desejo não se realiza, revejo ontem e hoje pela manhã ninguém menos que o senador e ex-presidente da República José Sarney, a bradar pela legalidade, pela apuração dos crimes, pela defesa da democracia, desempenhando com louvor seu papel de estadista. Por um instante temi que um truque colocasse ao seu lado o falecido Tancredo Neves, que se juntaria a ele na tribuna do senado, e teríamos então a solução mística pros problemas nacionais!

Dias atrás até o ex-presidente Fernando Collor assanhou-se a sair do limbo, e declarou que por ocasião do seu julgamento teria pensado em suicídio, chegando até a gravar uma mensagem de despedida à nação. Parecia, com essa declaração, querer mostrar ao país o quanto foi injustiçado e o quanto os que vieram depois dele fizeram pior. Ou seja, praticamente clamou pela absolvição face os crimes atuais serem mais “animados” do que os dele! É assim que se faz a nossa história recente: o “menos pior” considera-se inocentado e qualificado pra ser ator do jogo.

Não por acaso, morreu Miguel Arraes. Não, não digo que foi culpa da crise. O velho Arraes estava doente e torço para que a doença o tenha poupado de assistir estes meses de deprimentes patriotadas. Com o "por acaso" quis dizer apenas que entendo como simbólicas as mortes que pouco a pouco – e com a lógica quase sempre natural de morrerem os nossos velhos – vão deixando este país mais pobre e mais órfão, independente das concordâncias ideológicas.

Meus 56 anos de idade pesam muito mais nesses momentos de dúvidas e aflições. Não me arrependo dos anos passados na convicção e na esperança de um Brasil mais justo, mas abato-me vendo os espaços sendo ocupados pelos “estadistas” que conseguimos produzir. Mais do que fatalidade entendo isso como trajetória natural da construção democrática. Mas que dói, dói! Não, não me perguntem quem eu gostaria que estivesse assumindo o cenário nacional. Hoje estou com uma enorme dificuldade em citar meia dúzia de três ou quatro.

(*) sem ofensa aos marimbondos e às cigarras.

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