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A minha campanha.

Quinta-feira, 13.09.07

 

Ter 58 anos e não responder hoje por nenhum projeto coletivo contra o qual a minha opinião possa ser usada.
 
Poder cometer desabafos sem a preocupação com a sua coerência. São desabafos. Não são diretrizes!
 
Morar debaixo da própria cabeça, e ter como principal compromisso mante-la ativa e sã, e me permitir curtir a ressaca pós-absolvição-do-Renan sem pressa.
 
Sob estes "lemas" é que escrevo neste momento.
 
Somos um país pós-neoliberal. E - caramba! - isto é péssimo. Péssimo porque nosso cotidiano é o acúmulo de  interesses circunstanciais dos governos de plantão – não confunda com interesse de Estado – e os rabos-de-palha dos que administram, representam e julgam, de olho nos interesses paroquiais e de grupos que serão contemplados, garantem a manutenção de extorsões oficiais como a da CPMF e de outros interesses que desconheço. Tudo prevalece sobre a ética e a cidadania.  
 
A absolvição de Renan Calheiros não é pior do que a justificativa do senador Mercadante. Nem melhor. São expressões gêmeas do caos que nos devora. Com o seu ar de bom-moço-entediado-em-coquetel-chatíssimo o senador explicou as razões da sua “abstenção”, que no contexto, nada mais era do que era um voto disfarçado pela absolvição. Disse que as provas para condenar não eram conclusivas e as evidências da inocência também não o eram. Putz!
 
Minha compreensão de justiça é mais simples: se alguém é acusado com provas que não são suficientes para a sua condenação, então é inocente até a próxima rodada, até o próximo julgamento, etc. e tal.
 
A recíproca é absolutamente verdadeira: se os indícios da inocência não são consistentes, então é culpado. Ter coragem de dizer e assumir isto é o que se espera de um homem de caráter. Mas, como disse ontem, descobri que o senador é só mais um dos “homens honrados” do Senado.
 
O Brasil que está aqui, debaixo dos pés dos Renans do Senado e da Câmara Federal, das Assembléias Legislativas e das Câmaras Municipais, merece ser melhor conhecido e compreendido, para transformar-se em uma nação.  Vou resgatar minha ignorância sobre como nos apropriamos da verdade e da luz e como quisemos um Brasil justo para batalhar incansavelmente para a formação de cidadãos, agentes de transformação desta esbórnia em que se transformou o Brasil. Esta é a missão.
 
E lembrar que esse jogo de palavras do qual Mercadante e outros se servem fartamente é culpa nossa.
 
Quando temíamos perder a luta pela reforma agrária, nós a adjetivamos. Enchemos a reforma agrária de palavras: podia ser ampla, massiva, imediata ou sob o controle dos trabalhadores. E aí veio o INCRA e a nossa resignação aos assentamentos.
 
Quando a democracia não se consolidou como conceito auto-aplicável – é verdade, acreditamos nisto! - bradamos pela democracia “participativa”.
 
Como não garantimos os direitos coletivos elementares – vida, trabalho, saúde, educação, lazer - acatamos, como se fôssemos uma enciclopédia político-sociológica em constante atualização, as suas “derivações”: os direitos humanos, os direitos sociais, os direitos ambientais, os direitos dos idosos ou das crianças, os direitos das pessoas portadoras de deficiência. E, pior: fartamos-nos de prazer com a nossa sabedoria, enquanto o conceito principal nos escorria das mãos e da nossa realidade.
 
Modernamente, quando falamos em desenvolvimento na Amazônia, nos agachamos para o “sustentável”, reconhecendo que o predatório está aí e que nos devora.
 
Mas, proponho um combate coletivo, que é refutar veementemente as teses reducionistas e canalhas dos Berzoinis da vida: o Senado é muito feio, mauzinho e por isso extingamos esta Casa de homens maus!  Depois, pode ser que se proponha a extinção da Câmara Federal que aprova mesmo excrescências e que mantém ali, vivos e eleitos, os 300 picaretas ou seus filhos e prepostos, que Lula denunciou quando passeou por lá. Mas que ele afaga sempre que necessário e quando o faz, seus olhos giram em torno da câmera e dos holofotes.
 
Esse gesto do Presidente me iludiu por um tempo.
 
Eu, por diletantismo ou por birra, que ser dona deste Blog me permite, vou criar ali do lado uma tarjazinha:
 
Mantenha-se o Senado! Expurguemos os maus senadores.
 
Não me interessa, por enquanto, discutir se no Brasil o regime bi-cameral ou unicameral é bom ou ruim. Se o Mercadante pode inovar na sua abstração da abstenção, eu também posso resistir a que não se jogue a criança com a água suja da bacia.
 
 
 
 

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Adelina Braglia às 10:09


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