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Mudanças.

Sexta-feira, 06.04.07

 

 

 

A moça arruma seu patrimônio imaterial disfarçado em matéria.

 

Aqui eu também mudo.

Mudo com  sofrimento porque é assim que deve ser.

Porque eu não quero mudar

e perco-me na mudança tentando achar o meu avesso.

 

 

Do lado de lá, há muitos quadros, muitos livros,

muitas histórias, muita música.

 

Do lado de cá, um quase nada que cabe em 8 caixas,

e em alguns escritos,

e em algumas fotografias,

e em algumas músicas que cantarolo de memória,

desde o tempo da Canção para a Unidade Latino-americana

até chegar a Jorge Palma.

 

Do lado de lá, apenas a casa ficará vazia.

 

Do lado de cá, preencho com sinos de vento

o vazio de estar trancada em minha “casa”,

uma casa sem teto, sem piso e sem paredes onde moro há tanto tempo,

e que não tem a graça ou a leveza da cantiga do Vinícius.

 

Mas bastaria eu unificar estas mudanças

e magicamente me transportar para lá,

aliviando, imaginariamente, o meu cansaço

podendo descansar minha cabeça

nos pés da moça,

imaginariamente massageados com cânfora.

E arnica.

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Adelina Braglia às 15:33

3 comentários

De Borboleta de sonho a 06.04.2007 às 17:17

Guilherme de Almeida (1890-1969)

Flor do Asfalto

Flor do asfalto, encantada flor de seda,
sugestão de um crepúsculo de outono,
de uma folha que cai, tonta de sono,
riscando a solidão de uma alameda...

Trazes nos olhos a melancolia
das longas perspectivas paralelas,
das avenidas outonais, daquelas
ruas cheias de folhas amarelas
sob um silêncio de tapeçaria...

Em tua voz nervosa tumultua
essa voz de folhagens desbotadas,
quando choram ao longo das calçadas,
simétricas, iguais e abandonadas,
as árvores tristíssimas da rua!

Flor da cidade, em teu perfume existe
Qualquer coisa que lembra folhas mortas,
sombras de pôr de sol, árvores tortas,
pela rua calada em que recortas
tua silhueta extravagante e triste...

Flor de volúpia, flor de mocidade,
teu vulto, penetrante como um gume,
passa e, passando, como que resume
no olhar, na voz, no gesto e no perfume,
a vida singular desta cidade!

De Borboleta de sonho a 06.04.2007 às 17:40

Jôsô (1662-1704)

hirugane ya waka take soyogu yama zutai

Sinos da tarde —
Na passagem da montanha
Tremula o bambu novo.

De Adelina Braglia a 06.04.2007 às 22:20

Sinos de vento. Um silêncio de sexta-feira santa que era quebrado apenas pelo som suave destes sinos. Mas, uma borboleta que sonha, também fez barulho e reforçou a minha vontade de achar que a melancolia, mais do que um estado de espírito, é só uma doença qualquer. E que um dia tem cura. Abraço.

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