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Um abraço pra Cris, com o poema de Moçambique.

Segunda-feira, 26.03.07

 

No meu país
a (in) competência doentia
mutila-nos o sorriso
e nós teimosamente arranjamos muletas e sorrimos
deitados à sombra da esperança
esculpida pela nossa paciência.
Coragem, gente, pois galopa célere o instante
em que sorriremos sem muletas!

 

(Sorrisos mutilados – Carlos Zimba )

 

 

Abração, Cris Moreno.

Sair do fosso e caminhar sem muletas, ainda é a meta.

Mesmo que não seja célere,

mesmo com o sorriso mutilado.

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Adelina Braglia às 02:10

10 comentários

De Cristina Moreno a 26.03.2007 às 13:47

Rui Barbosa (1849 - 1923)

O Meu Candidato

Primeiros piparotes
De uns zotes.
Ria-se destes botes!

Barão, a gentileza
Da sua circular
Deu-me apetite à mesa:
Não sei como a pagar.
E eu que o mal conhecia!
Aquela bizarria,
Por ela só, mal li-a,
Saí, e a quantos via
Dizia,
Sem mais explicação,
Que o hão indigitado,
E indigitado o hão.
— Pois não...
Porém
A quem,
Barão?

(...)

Pernalto, barbirraro:
O todo do estadista.
Na lógica preclaro,
Grande controversista.
Falem-lhe em dialética!
Arguam-no na ética!
Provoquem-no à estética!
Bulam-lhe na poética!
Patética,
A dele: é de enche-mão!
Ou o hão indigitado,
Ou indigitado o hão.
— Razão
Não tem
Seu bem,
Barão?

Olhem: chegando à corte,
Logo a coroa o quer.
É a pérola do Norte.
Pilhou logo o poder.
A Câmara a adorá-lo;
Senado, esse a invejá-lo;
A imprensa a endeusá-lo;
E a fama, co'o badalo,
A alçá-lo...
Favas contadas são.
Os que o hão indigitado,
E indigitado o hão...
— Quem são?
Alguém?
Ninguém,
Barão?

(...)

Sua candidatura
Vou rezar contra enguiço,
Tabocas, ou feitiço!
Segura e mais segura!
Já gozo a festa a sós:
Ei-lo de catrapós;
Povão fervendo após;
Um lunche de filhós;
E nós:
"Tambor, tarampatão!"
Pois se o hão indigitado,
E indigitado o hão...
— Bá-lão,
Amém!
Dé-lém,
Barão!
Tarampantão!

De Adelina Braglia a 26.03.2007 às 16:57

Touché, Cris!!

De Cris Moreno a 27.03.2007 às 03:07

ALQUIMIA DA DOR
Charles Baudelaire (1821-1867)


Um te ilumina com ardor,
O outro te enluta, Natura!
O que diz a um: Sepultura!
Ao outro diz: Vida e esplendor!

Hermes que oculto me conquistas
E para sempre me intimidas,
Tu me fazes igual a Midas,
O mais triste dos alquimistas;

Por ti do ouro o ferro improviso
E torno inferno o paraíso;
Roubando às nuvens seu sudário,

Um corpo querido amortalho,
E às margens do celeste estuário
Grandes sarcófagos entalho.

De Cris Moreno a 27.03.2007 às 03:16

A Esperança
Vladimir Maiakovski (1893-1930)

Injeta sangue
no meu coração,
enche-me até o bordo das veias!
Mete-me no crânio pensamentos!
Não vivi até o fim o meu bocado terrestre,
sobre a terra
não vivi o meu bocado de amor.
Eu era gigante de porte,
mas para que este tamanho?
Para tal trabalho basta uma polegada.
Com um toco de pena,eu rabiscava papel,
num canto do quarto, encolhido,
como um par de óculos dobrado dentro do estojo.
Mas tudo que quiserdes eu farei de graça:
esfregar,
lavar,
escovar,
flanar,
montar guarda.
Posso, se vos agradar,
servir-vos de porteiro.
Há, entre vós, bastante porteiros?
Eu era um tipo alegre,
mas que fazer da alegria,
quando a dor é um rio sem vau?
Em nossos dias,
se os dentes vos mostrarem
não é senão para vos morder
ou dilacerar.
O que quer que aconteça,
nas aflições,
pesar...
Chamai-me!
Um sujeito engraçado pode ser útil.
Eu vos proporei charadas, hipérboles
e alegorias,
malabares dar-vos-ei
em versos.
Eu amei...
mas é melhor não mexer nisso.
Te sentes mal?
Tanto pior...
Gosta-se, afinal, da própria dor.
Vejamos... Amo também os bichos -
vós os criais,
em vossos parques?
Pois, tomai-me para guarda dos bichos.
Gosto deles.
Basta-me ver um desses cães vadios,
como aquele de junto à padaria,
um verdadeiro vira-lata!
e no entanto,
por ele, arrancaria meu próprio fígado:
Toma, querido, sem cerimônia, come!

De Cris Moreno a 27.03.2007 às 03:24

Provérbios do Inferno
O matrimônio do Céu e do Inferno:

William Blake (1757-1827)

No tempo da semeadura, aprende; na colheita, ensina; no inverno, desfruta.
Conduz teu carro e teu arado por sobre os ossos dos mortos.
A estrada do excesso leva ao palácio da sabedoria.
A Prudência é uma solteirona rica e feia, cortejada pela Impotência.
Quem deseja, mas não age, gera a pestilência.
O verme partido perdoa ao arado.
Mergulha no rio quem gosta de água.
O tolo não vê a mesma árvore que o sábio.
Aquele, cujo rosto não se ilumina, jamais há de ser uma estrela.
A Eternidade anda apaixonada pelas produções do tempo.
A abelha atarefada não tem tempo para tristezas.
As horas de loucura são medidas pelo relógio; mas nenhum relógio mede as de sabedoria.
Os alimentos sadios não são apanhados com armadilhas ou redes.
Torna do número, do peso e da medida em ano de escassez.
Nenhum pássaro se eleva muito, se se eleva com as próprias asas.
Um cadáver não vinga as injúrias.
O ato mais sublime é colocar outro diante de ti.
Se o louco persistisse em sua loucura, acabaria se tornando Sábio.
A loucura é o manto da velhacaria.
O manto do orgulho é a vergonha.
As Prisões se constroem com as pedras da Lei, os Bordéis, com os tijolos da Religião.
O orgulho do pavão é a glória de Deus.
A luxúria do bode é a glória de Deus. A fúria do leão é a sabedoria de Deus. A nudez da mulher é a obra de Deus.
O excesso de tristeza ri; o excesso de alegria chora.
A raposa condena a armadilha, não a si própria.
Os júbilos fecundam. As tristezas geram.
Que o homem use a pele do leão; a mulher a lã da ovelha.
O pássaro, um ninho; a aranha, uma teia; o homem, a amizade.
O sorridente tolo egoísta e melancólico tolo carrancudo serão ambos julgados sábios para que sejam flagelos.
O que hoje se prova, outrora era apenas imaginado.
A ratazana, o camundongo, a raposa, o coelho olham as raízes; o leão, o tigre, o cavalo, o elefante olham os frutos.
A cisterna contém; a fonte derrama.
Um só pensamento preenche a imensidão.
Dizei sempre o que pensa, e o homem torpe te evitará.
Tudo o que se pode acreditar já é uma imagem da verdade. A águia nunca perdeu tanto o seu tempo como quando resolveu aprender com a gralha.
A raposa provê para si, mas Deus provê para o leão.
De manhã, pensa; ao meio-dia, age; no entardecer, come; de noite, dorme.
Quem permitiu que dele te aproveitasses, esse te conhece.
Assim como o arado vai atrás de palavras, assim Deus recompensa orações.
Os tigres da ira são mais sábios que os cavalos da instrução.
Da água estagnada espera veneno.
Nunca se sabe o que é suficiente até que se saiba o que é mais que suficiente.
Ouve a reprovação do tolo! É um elogio soberano!
Os olhos, de fogo; as narinas, de ar; a boca, de água; a barba, de terra.
O fraco na coragem é forte na esperteza.
A macieira jamais pergunta à faia como crescer; nem o leão, ao cavalo, como apanhar sua presa. Ao receber, o solo grato produz abundante colheita.
Se os outros não fossem tolos, nós teríamos que ser.
A essência do doce prazer jamais pode ser maculada.
Ao veres uma Águia, vês uma parcela da Genialidade. Levanta a cabeça!
Assim como a lagarta escolhe as mais belas folhas para deitar seus ovos, assim o sacerdote lança sua maldição sobre as alegrias mais belas.
Criar uma florzinha é o labor de séculos.
A maldição aperta. A benção afrouxa.
O melhor vinho é o mais velho; a melhor água, a mais nova.
Orações não aram! Louvores não colhem! Júbilos não riem! Tristezas não choram!
A cabeça, o Sublime; o coração, o Sentimento; os genitais, a Beleza; as mãos e os pés, a Proporção.
Como o ar para o pássaro ou o mar para o peixe, assim é o desprezo para o desprezível.
A gralha gostaria que tudo fosse preto; a coruja, que tudo fosse branco.
A Exuberância é a Beleza.
Se o leão fosse aconselhado pela raposa, seria ardiloso.
O Progresso constrói estradas retas; mas as estradas tortuosas, sem o Progresso, são estradas da Genialidade.
Melhor matar uma criança no berço do que acalentar desejos insatisfeitos.
Onde o homem não está a natureza é estéril.
A verdade nunca pode ser dita de modo a ser compreendida sem ser acreditada.
É suficiente! ou Basta.

De Cris Moreno a 27.03.2007 às 03:28

Bia, são 23h30, de 26/03. O seu relógio está com problemas?
Beijos, Cris Moreno

Divirta-se um pouco com essas palavras!!!!!

De Adelina Braglia a 27.03.2007 às 14:27

Cris, talvez eu precise mesmo recuperar minha capacidade de me divertir com a vida e suas circunstâncias...rsrsrs...As palavras estão lidas, guardadas e assimiladas. Quanto ao relógio, não consigo me acertar com o SAPO. Por isso, lá embaixo, tem um relógio com a hora "nacional". Abração

De Cris Moreno a 27.03.2007 às 14:31

Arranca esse SAPO ! JÁ ! (rsrsrs)
Beijos, mulher!
Bom dia para você!
Cris Moreno

De sotavento a 27.03.2007 às 12:35

Cá p'ra mim, temos alguma coisa em comum!... :)

De Adelina Braglia a 27.03.2007 às 14:29

Temos, sim!!! Como temos! Beijo.

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