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Meio copo de ódio.

Quinta-feira, 22.03.07

 

O recado musical do meu inconsciente costuma ser cifrado demais pra minha capacidade de devora-lo! Mas algumas vezes, eu consigo.

 

Agora, por exemplo, ouço, de novo, porque recorrente dentro da minha cabeça, o Zeca Baleiro cantando “... eu não quero ouvir você curtindo ódio...” e este recado me parece tão claro que poderia ter sido enviado pelas boas almas do paraíso!

 

A minha velha “cordialidade”, típica dos que querem romper o cerco pelas beiradas, a formação católica que rejeitei mas que deixou sequelas e que faz com que seja feio sentir ódio,  não tinha permitido que eu usasse a palavra certa para identificar este sentimento que me toma há meses e que eu chamo de cansaço, desanimo, intolerância. Mas, a palavra certa é ódio. Palavra e sentimento, forte, denso.

 

É ódio o que sinto quando vejo que, a cada geração, o empobrecimento é maior. É ódio o sentimento que brota quando sinto o cheiro imundo das valas das baixadas da Estrada Nova, onde crianças de 0 a 4 anos morrem afogadas – isso, afogadas! – e compõem estatísticas de mortandande em Belém. Ou em Recife. Ou no Jardim Ângela, em São Paulo!

 

É ódio o que me faz chorar – e não a velha e boa comiseração ou compaixão – quando vejo nas calçadas da cidade jovens da idade do meu filho, jogados pelo chão, entupidos de drogas, maltrapilhos, sujos, dormindo para esquecer a vida  infértil que lhes está destinada.

 

Não, não é nada produtivo o ódio. Mas, é com ele que olho as estatísticas adredemente falseadas: “reforma-se” o cálculo do PIB e, subitamente, a partir do início do democrático governo Lula, o PIB cresceu mais do que calculado! Delfim Neto, na ditadura, não conseguiu ser melhor do que isto!

 

Se o PIB cresceu mais nos últimos 4 anos do que sabíamos antes, então há de ser por preguiça ou vagabundagem que neste mesmo período os jovens deixaram de freqüentar a escola, que adultos não podem comprovar experiência profissional quando a têm, porque trabalharam sempre sem carteira assinada nos últimos 15 anos, incluindo os 4 do atual presidente!

 

É terrível reler um artigo de José Luiz Fiori, de 1994, quando ele analisou os "moedeiros falsos” e observar que depois de década e meia, estamos apenas  cumprindo as mesmas metas:

 

“(...)  o Plano Real não foi concebido para eleger FHC, foi FHC que foi concebido para viabilizar no Brasil a coalizão de poder capaz de dar sustentação e permanência ao programa de estabilização do FMI, e dar viabilidade política ao que falta ser feito das reformas preconizadas pelo Banco Mundial (...)”

 

 

E percebe-se que Lula  cumpre a terceira etapa, revestido de messianismo e da arrogância que disto decorre:

 

“(...) a formação prévia de uma coalizão de poder suficientemente forte para aproveitar as condições favoráveis e assumir, por um longo período de tempo, o controle de governos sustentados por sólidas maiorias parlamentares. Esta, sim, uma condição considerada indispensável para poder transmitir "credibilidade" aos atores que realmente interessam, neste caso: os "analistas de risco" das grandes empresas de consultoria financeira, responsáveis, em última instância, pela direção em que se movem os capitais "globalizados(...)"

 

Só mais um comentário: a nossa “coalizão de poder suficientemente forte” ou “sólida maioria parlamentar” se sustenta no aprimoramento da compra da fidelidade nas votações no Congresso, com a partilha do saque dos Ministérios entre os aliados, sujeitando-se o Presidente até mesmo à  recente palhaçada da indicação do ex-quase-futuro Ministro da Agricultura e recorrendo agora, ao que se lê, a Reinhold Stephanes,  ex-quase-futuro democrata do PFL e agora peemedebista desde criancinha!

 

E faz sentido a “trilogia” presidencial dos últimos 7 dias: os ministros são heróis, os usineiros são heróis e Collor é um ilustre senador.

Tinha razão o Velho: que farsa é a história quando se repete, e se repete, e se repete.

 

 

Atualizando: que alívio ler o post do Blog do Mino. Meu ódio pareceu menos intempestivo...rsrsrs...

http://z001.ig.com.br/ig/61/51/937843/blig/blogdomino/2007_03.html#post_18803364

 

 

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Adelina Braglia às 12:55


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