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Poemas legítimos e realidades imaginárias.

Terça-feira, 20.06.06

O blog faz agora o papel da analista, com quem perdi a hora, hoje. E semana passada também! Eu bem que corri - eu, não, o carro e o motorista - mas uma reunião verdadeiramente imprevisível na sua duração, me reteve além do horário.

Minha fala, naquela comunidade pequena, cercada de castanheiras, tentava demonstrar que a propriedade é um direito quase sempre ilegitimo,  (pequena variação de toda propriedade é um roubo) mas é legal, pelo que determina o código civil brasileiro (pátria amada varonil!)

E que, como agente público, me obrigo a respeitar o que a lei determina. E que os direitos legais, mesmo que injustos, são preservados, e o que é justo e a lei não contempla com clareza, deve ser garantido pelo poder público e suas instãncias, mediante negociações, acordos ou instrumento de força, como a desapropriação. Mas que devem ser tão defendidos como os direitos "legais".

Recomeçamos uma rodada de conversas para chegarmos minimamente a uma trégua que nos permitisse encontrar saídas.

Muita conversa, quase alguns tapas entre os conflitantes, mais conversa, mais quase-tapas, e uma saída tipo encruzilhada: fica tudo como está enquanto o paquidérmico poder público não destrinchar e desfizer o caos que causou.

Caramba - estava escrito nos olhos deles - se esta criatura diz que a propriedade assim posta é injusta, o que ela fará para conciliar o que pensa com o que deve fazer...tacham...tcham! Se não era a pergunta nos olhos deles, era a pergunta que girava no letreiro da minha cabeça.

E eu vim, caminho de volta, tentando lembrar o poema abaixo, que, melhor do que as minhas convicções, foi de fácil acesso:

Cesse de uma vez meu vão desejo
de que o poema sirva a todas as fomes.
Um jogador de futebol chegou mesmo a declarar:
"Tenho birra de que me chamem de intelectual,
sou um homem como todos os outros."
Ah, que sabedoria, como todos os outros,
a quem bastou descobrir:
letras eu quero é pra pedir emprego,
agradecer favores,
escrever meu nome completo.
O mais são as mal-traçadas linhas.

(O que a musa eterna canta - Adélia Prado)

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Adelina Braglia às 18:47


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