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O canto de Hilda.

Sexta-feira, 01.12.06

 

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.

Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.

Dirás que sangue é o não teres teu ouro

E o poeta te diz: compra o teu tempo.

 

Contempla o teu viver que corre, escuta

O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.

Enquanto faço o verso, tu que não me lês

Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:

"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".

Irmão do meu momento: quando eu morrer

Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:

Morre o amor de um poeta.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,

E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

 

Não cabe no meu canto.

 

 

(Hilda Hilst - Poemas aos Homens do nosso Tempo – XVI)

 

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Adelina Braglia às 23:34

1 comentário

De sotavento a 01.12.2006 às 23:56

Tudo está condenado, no fundo!...

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