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Pra comadre Maria.

Sábado, 25.11.06

 

...minha resposta ao seu e-mail ficou longe, muito longe da poesia.

Mas botei  aqui, pra você, a cor do sonho da Adélia.

E o meu abraço. De amiga, irmã e comadre

(dê um beijo na minha afilhada) 

 

Eu tive um sonho esta noite que não quero esquecer
por isso o escrevo tal qual se deu:
era que me arrumava para a festa onde eu ia falar.
O meu cabelo limpo refletia vermelhos,
o meu vestido era num tom de azul, cheio de panos, lindo,
o meu corpo era jovem, as minhas pernas gostavam
do contato da seda. Falava-se, ria-se, preparava-se.
Todo movimento era de espera e aguardos, sendo
que depois de vestida, vesti por cima um casaco
E colhi do próprio sonho, pois de parte alguma
eu a vira brotar, uma sempre-viva amarela,
que me encantou por seu miolo azul, um azul
de céu limpo sem as reverberações, de um azul
sem o z, que o z nesta palavra nunca tisna.
Não digo azul, digo bleu, a idéia exata
da sua seca maciez. Pus a flor no casaco
que só para isto existiu, assim como o sonho inteiro.
Eu sonhei uma cor.
Agora sei.
 
(Um sonho – Adélia Prado)

 

 

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Adelina Braglia às 12:49


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