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O Brasil cordial - 5.

Sexta-feira, 17.11.06

 

“A proporção de pretos e pardos com causa de morte mal definida foi quase o dobro da registrada entre os brancos em 2004. O atestado de óbito de 16,1% dos negros (13,2% das pessoas de cor preta e 16,8% das de cor parda) que faleceram naquele ano não deixa claro o que provocou a morte, enquanto para os brancos o percentual é de 8,7%. O Ministério da Saúde, que disponibiliza os dados através do Datasus, atribui a diferença a um erro protocolar dos médicos, que não especificam, no atestado, o motivo do falecimento. Alguns especialistas em saúde vêem nos números um forte indício de discriminação racial no atendimento. Para eles, o dado sugere que é maior o percentual de negros que morrem sem receber assistência médica.

A diferença estatística é o resultado da discriminação racial dos serviços de saúde, afirma a psicanalista Marta de Oliveira, da Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. “Tudo indica que isso está ligado à falta de acesso à saúde a que a população negra está exposta”, comenta. Segundo ela, grande parte das mortes com causa mal especificada poderia ter sido evitada com cuidados médicos simples, como pré-natal.

“As negras têm menor acesso ao pré-natal e, quando têm, o pré-natal que elas fazem é de baixa qualidade. Por isso, a mortalidade das gestantes negras é maior. Só isso já mostra o quanto é defasada a saúde para os negros, pois a mortalidade materna é emblemática nesse sentido. Ela indica a qualidade da assistência de maneira geral”, afirma. “A diferença nos dados é apenas o final dessa cadeia de desassistência”, completa.

A pesquisadora Sony Santos, sanitarista da Diretoria de Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Recife, concorda com Marta. Para ela, a desigualdade nos números é reflexo da baixa qualidade do atendimento a que pretos e pardos têm acesso. “Há diferença na atenção a brancos e negros. Existem estudos científicos que mostram isso. Um trabalho da pesquisadora Maria do Carmo Leal, da Fiocruz [Fundação Oswaldo Cruz], mostra que, no Rio de Janeiro, a quantidade de anestésico aplicada nas gestantes negras na hora do parto é menor do que a aplicada nas brancas. Exatamente porque existe uma cultura de que as negras suportam mais a dor”, afirma.”

(os grifos são meus)

http://www.pnud.org.br

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Adelina Braglia às 11:28


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