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No Brasil.

Quarta-feira, 06.09.06

 No Brasil, milhares de pessoas permanecem presas, sem julgamento, alguns até com a provável pena já cumprida ou extinta. Outros, estão presos por engano.

No Brasil, parlamentares cujo envolvimento em esquemas escabrosos de corrupção, estelionato e crime organizado, sem contar aqueles cujo patrimônio pessoal não se explica sob nenhuma hipótese, são candidatos à reeleição, e têm a garantia do Tribunal Superior de que ninguém terá sua candidatura suspensa até a sentença definitva, além de terem a proteção de foros privilegiados para julgamento.
No Brasil, transitam alguns dos homens mais ricos do mundo e alguns dos mais miseráveis do planeta.
No Brasil, a péssima qualidade do ensino - e não só do ensino público - induz jovens a concluírem o ensino médio semi-analfabetos. Se não "das letras", com certeza "do pensamento". Na escola não se promove a independência do saber, não se cultiva a formação de opinião. Ou seja, não se forma cidadãos.
No Brasil, praticamente a mesma proporção de pessoas sem abastecimento de água tratada, e/ou sem orientação  para o destino de dejetos e do lixo, vive subalimentada. Seus filhos crescerão com deficiências múltiplas, físicas e mentais, porque científicamente está comprovado que os danos causados à formação geral, em crianças com subnutrição até os 4 anos de idade, são insanáveis e irreversíveis. A fome é a causa do atraso escolar, da baixa capacidade de compreensão, além do retardamento do crescimento, da ocorrência da cegueira, etc.
E ouço o candidato a presidente dizer que no seu próximo mandato todas as cidades polo do país terão escolas técnicas e universidades.
E ouço a candidata ao governo local, do mesmo partido do presidente, dizer que no seu mandato todas as famílias terão água tratada, meta inalcançável mesmo em 3  mandatos de governos que tenham efetivamente compromisso com a saúde e o saneamento.
No Brasil há pessoas que gostariam muito de acreditar que foram capazes de fazer a diferença para um país melhor. Eu era uma delas.
Meu aprendizado para a humildade, para a aceitação de que não fiz diferença alguma,  tem tido um preço muito, muito alto. E este preço é medido diariamente pela desesperança. Uma palavra dúbia, pois entre o des-esperar e a falta de esperança, há um perigoso vácuo que se chama desalento.

 

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Adelina Braglia às 11:38


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